FIELMENTE “O bem e mal que fazemos decorrem das qualidades que possuímos. Não fazer o bem quando podemos é, portanto, o resultado de uma imperfeição. Se toda imperfeição é fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer não somente pelo mal que fez como pelo bem que deixou de fazer na vida terrestre.” O CÉU E O INFERNO 1ª parte — Capítulo 7º — Item 6.
Cônscio das lutas reservadas aos fiéis trabalhadores da sementeira evangélica, Jesus foi definitivo: “No mundo — disse Ele — só tereis aflições”. Comparava o Senhor a caminhada cristã ao ingente trabalho sobre a gleba humilde e boa, para a aquisição do pão. Aqueles que desejassem serenidade antes da sementeira e bênção antes do merecimento, certamente veriam com desencanto a terra cobrir-se de cardo e urze perdendo o tempo e a oportunidade. E, se repousam prematuramente, reservam ingentes lutas para a própria subsistência no futuro. No entanto, cientificados da necessidade de laborar, se se dispusessem a aprofundar sulcos, vergastando abismos para que os grãos atingissem a madre interna do solo, sofreriam o acúleo, a tormenta, a canícula e o cansaço, banhando-se de suor, mas de olhos fitos no chão coberto de vegetação e nos dedos do arvoredo, amparados pelos frutos. Não se revoltariam por lutar nem se deixariam abater se a terra lhes negasse as primeiras dádivas, na colheita. Pelo tirocínio, o homem sabe que, plantando, a produção advirá se os requisitos necessários forem observados e o trabalho for desenvolvido dentro das injunções tecnológicas. É compreensível, portanto, o não haver lugar no mundo dos negócios nem dos prazeres para os lídimos cristãos. Não têm eles a pretensão de receber enflorescência antes da sementeira nem se podem candidatar à colheita enquanto a terra coberta de urze se consome na inutilidade. Sabem que o tempo desperdiçado na inoperância é abuso da fortuna do Senhor e é roubo àatividade da vida. Por essa razão, sofrem. Quanto mais se deixam absorver pela luta fastidiosa, sob o sol causticante, mais se lhe acentuam as rugas da dor, mais se aprofundam as feridas das mãos, mais se avoluma o cansaço sobre as costas. Porque o trabalhador fiel não se detém a reclamar nem a exigir: ele sabe que há tempo para semear como há tempo para colher. Espíritas! Serviço cristão é sofrimento, porta de serviço para a renovação de si mesmo, estrada longa a percorrer sítios difíceis a transpor! Náufragos não têm condições de escolher batéis salva-vidas; presidiários não podem escolher sítios para a liberdade; déspotas, no ofício da reparação, não dispõem de credenciais para as tarefas a executar. A tua é a acre-doce luta da transformação interior. Muitas vezes o vinagre da ingratidão ser-te-á o tônico de reconforto sob a canícula solar. A mão espalmada do “vingador” sobre ti representará a cobrança da dívida adiada, que não podes reclamar; o desprezo, em forma de escárnio traduzirá o apelo-convite à humanidade que não pode ser desconsiderada. E a solidão, originária nas vergastadas e no abandono te conduzirá à trilha por onde chegarás ao porto da espiritualidade maior. Ninguém guarde, por enquanto, coroas brilhantes para a cabeça nem se iluda com os ouropéis mentirosos que enganam o tempo. Tapetes estendidos para os teus pés podem esconder abismos, como muitas pinturas brilhantes disfarçam manchas e escabrosidades... Tua tarefa é de sublimação interior no dia-a-dia. Para quem sabe discernir cada dia guarda uma lição; cada lição é mensagem de experiência; cada experiência significa aprendizado; cada aprendizado representa bênção e cada bênção traduz oportunidade evolutiva. Aproveita, assim, as ensanchas que te surgem mesmo com as suas carregadas tintas e aprende a silenciar a ofensa, a desculpar o ultraje, a esquecer a malquerença, pontificando no bem infatigável sob chuvas de granizo ou vapores terrificantes de calor. Não pretendas melhor dádiva do que aquela com que foi aquinhoado o Mestre a quem serves, que, vendido, açoitado, escarnecido, e plantado numa cruz, ainda foi constrangido pela dúvida de Tomé, companheiro desatento que estava ausente... E, se duvidam de ti — bendize ao Senhor; se zombam de ti — confia no Senhor; se te abandonam — busca o Senhor que recebeu por companheiros, à hora extrema, dois criminosos que a penologia atual, embora não os levasse à cruz, daria a cela úmida e imunda do presídio a fim de cerceá-los do convívio social em nome da ética e dos direitos legais da Sociedade.
ESPÍRITO E VIDA DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h55
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FACILIDADE NAS TAREFAS “Devido às suas imperfeições, o Espírito culpado sofre primeiro na vida espiritual, sendo-lhe depois facultada a vida corporal como meio de reparação.” O CÉU E O INFERNO — 1ª parte — Capítulo 5º — Item 6
Em consequência de uma observação apressada tem-se a impressão de que mui fácilmente, na atualidade, se pode manter conduta cristã. Porque triunfos e comodidades assinalam a vida moderna, e em se considerando a benignidade das leis, em relação ao culto cristão, julga-se impensadamente que o momento não oferece ensejo para o martírio e a exaltação da Fé que modificou, a partir de Jesus, a estrutura sócio-moral da Humanidade. O que ocorre, no entanto, é que a acomodação hodierna vem realizando conchavos negativos e convênios deprimentes entre a conduta cristã e a vida profana pouco recomendável, em que muitos crentes se comprazem. Enquanto o Evangelho não triunfe no coração clareando as mentes, a fim de poder dirimir com segurança dúvidas de qualquer natureza, não conseguirá penetrar vigorosamente os portais do lar, conduzindo com eficiência o sagrado instituto da família. Com os ensinamentos espíritas, ditados pela experiência dos desencarnados, as responsabilidades que assinalam o compromisso cristão se incorporam à vivência evangélica impondo diretrizes austeras para o dia-a-dia do homem na existência física. Advertindo quanto ao despertamento da consciência no Além-Túmulo, os Espíritos Superiores imprimem elevação e nobreza ao crente, elegendo nele o realizador do bem indestrutível onde vive e com quem vive. Tornando a vida cristã e espírita entibiada, muitos usuários da comodidade adaptam as disposições do Evangelho ao caráter leviano e repousam em agradáveis bem-estares, crendo passada a época dos flagícios e dos sacrifícios pelo Cristo. Neste particular, muitos expositores das verdades espirituais preocupados com o culto da personalidade e vítimas de terrível hipertrofia da razão, evitam os temas de despertamento moral, tendo em vista agradar aos ouvintes e formar círculos de admiradores em torno do “eu”, longe, todavia, dos objetivos elevados a que se propõem. Campeia o aborto delituoso com falsa ingenuidade a respeito da consideração pela vida, com aplausos mais ou menos generalizados. Anticoncepcionais são utilizados em larga escala por jovens e matronas que não pretendem a maternidade, por motivos frívolos e injustificáveis. Evitam-se filhos, por considerações econômicas e outras de somenos importância, convertendo o matrimônio em comunhão menos digna... Explicam-se viciações ditas simples em se considerando as graves dissipações. Cultivam-se jogos e narcóticos, alcoólicos e libertinagens, elucidando-se que as questões morais nada têm a ver com a Doutrina que atualiza o Cristianismo na Sociedade. Cambistas, agiotas e fumantes, maledicentes e caluniadores, preguiçosos e displicentes afogam a consciência nas ondas do não pensar, por enquanto, e todos se acreditam perfeitamente enqüadrados nas disposições renovadoras do Cristianismo. Leviandades e compromissos infelizes são acalentados com sorrisos joviais como se a honra fosse uma das diversas pedras com que muitos se divertem nos tabuleiros de xadrez. E quantos buscam reunir na vida diária e doméstica os requisitos mínimos exigíveis que traduzem a penetração do Cristo e do Espiritismo neles tão tidos à conta de fanáticos e dementes. O dia do cristão cedo começa. A madrugada se impõe sobre as sombras com o poder da luz. As pequenas realizações fazem grandes os homens. As vitórias humildes sobre as paixões aparentemente insignificantes e os singelos hábitos maus tornam valorosos os lutadores. Somente quem é capaz de ser grande nas pequenas lutas se faz humilde nas vitórias grandiosas. Não te empolgues com as fácilidades que te advêm, transferindo o teu campo de ação para a borda de abismos disfarçados e sedutores. Não te enganes a ti mesmo, persuadindo-te com utopias e sofismas que não aquietam nem harmonizam os ditames de consciência. Apresenta a verdade sem dureza e usa a bondade sem pieguismo. O valor do caráter é medido pela perseverança nos empreendimentos superiores, sem aspereza nem amolentamento. Sê afável e meigo a serviço do Cristo, embora os calhaus que te firam. Os Espíritos da Luz não improvisaram santificação momentânea. Viveram retamente, na Terra, onde te demoras, perdendo, muitas vezes, para não se perderem... Surpreende-te quando tudo correr-te muito bem e mui fácilmente. Recorda os supliciados e agredidos de todos os tempos. Entre eles estão os pioneiros e heróis do Conhecimento, do Amor e das Artes, e, acima de todos, se destaca um Rei trajado de singela túnica e alpercatas humílimas, que se deixou flagelar para que a Verdade de que se fizera portador não ficasse confundida com a astúcia e a mentira, mas encastelada em luz divina para se derramar sublime pelos tempos em fora, banhando de harmonia todos os corações.
ESPÍRITO E VIDA DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h19
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LINGUAGEM DO PERDÃO “Repara em uma vida de provações o que a outrem fêz sofrer em anterior existência. As vicissitudes que experimenta são, por sua vez, uma correção temporária e uma advertência quanto às imperfeições que lhe cumpre eliminar de si, a fim de evitar males e progredir para o bem.” O CÉU E O INFERNO 1ª parte, Capítulo 5º — Item 3.
A pedra bruta perdoa as mãos que a ferem, transformando-se em peça de estatuária valiosa. A lama suporta o fogo e perdoa o oleiro, convertendo-se em vaso precioso. A fonte desrespeitada perdoa quem lhe revolve o lodo, oferecendo água cristalina depois. O grão de trigo esmagado perdoa o agricultor que o atira ao solo, multiplicando-se em muitos grãos que enriquecem a mesa. O ferro deixa-se dobrar sob altas temperaturas e perdoa os que o modelam, construindo segurança e conforto. A Natureza tudo perdoa, transformando o mal aparente em bem real. A peça apodrecida sobre o solo é absorvida e renasce em nova forma, vitalizando plantas e animais, como mensagem de perdão da terra. Tudo ama, tudo perdoa... Perdoa a mão que te ultraja, a boca maldizente que te calunia, o olhar invigilante que te magoa, o espfrito que a enfermidade vergasta e que te persegue... Perdoar é impositivo para cada hora e todo instante. No laboratório somático que serve de veículo temporário ao espírito, o amor de Deus vibra em perdão e harmonia como mensagem atuante e vigorosa, produzindo oportunidades e realizando tarefas. Aprende, assim, a converter o mal que te fazem em bem que possas fazer. E, se for necessário voltares ao ofensor e dele novamente sofreres ultraje, recorda que o Mestre preconizou o perdão indistinto e incondicional tantas vezes quantas fossem as ofensas. Persevera no trabalho com que a vida te honra a reencarnação, perdoando sempre e sem cessar, e despertarás, um dia, depois de toda dor e toda sombra, além-da-matéria, libertado das ofensas e da morte no abençoado Reino do nosso Mestre, perdoado e feliz...
ESPÍRITO E VIDA DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h15
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FESTIVAL DE AMOR “Reina lá a verdadeira fraternidade, porque não há egoísmo; a verdadeira igualdade, porque não há orgulho, e a verdadeira liberdade por não haver desordens a reprimir, nem ambiciosos que procurem oprimir o fraco.” O CÉU E O INFERNO — 1ª parte — Capítulo 3º — Item 11.
Canta, alma, as bênçãos da fé viva na ação edificante do bem sem limite. Não indagues qual a técnica perfeita da arte de ajudar. Não esperes um curso especializado para o apostolado do melhor servir. Abre os braços e agasalha a luz do dia no coração. Sai, depois, a dilatar claridade em festa incessante de alegria. Se te perguntarem porque, embora a dor que te oprime, sorris, responde, que apesar do lodo junto à raiz, e por isso mesmo, o lírio esplendente de imaculada alvura esparze aroma. Se te interrogarem quanto à utilidade do teu mister, reflete no mecanismo da vida, que transforma a abelha diligente em serva da tua mesa, e reparte a grandeza do serviço beneficente. Ama, e coroarás as horas de luz; serve, e adornarás o coração de intérmina ventura. No turbilhão do vozeiro moderno ausculta a pulsação do progresso e ouvirás a rés-do-chão um débil gemido ou um choro cansado que não cessa; vasculhando a noite com intensa expectativa identificarás homens fracos que o cansaço venceu; flamando pelas rotas do abandono tropeçarás em retalhos de gente, emaranhados na sarjeta do esquecimento, em trapos lodosos e despedaçados; vagueando nos lagos onde a dor se agasalha verás o azeite da vida se acabando nos vasos ressequidos, em que se transformaram organismos estiolados pela fome e pela enfermidade. Muitos desses, ainda crianças, seriam os homens do amanhã que o presente tudo faz por negar a oportunidade de avançarem na rota da jornada evolutiva. A destinação histórica do futuro vai esmagada no frenesi teimoso do “agora”. Escuta-os sem as palavras que não ousam articular e recebe-os no coração sem exigências punitivas. Dês que os não podes levar para o lar que te agasalha, sorri e ajuda-os como puderes, considerando que sempre podes fazer algo por eles. Se, todavia, te for possível recebê-los, ama-os como se fossem enflorescências da tua carne. Pouco te importe sejam grandes ou pequenos, os sofredores. O amor verdadeiro não escolhe dimensão nem seleciona aparências. É santificante concessão de Deus para enriquecimento da vida. Urge fazeres algo por eles, os teimosamente abandonados do caminho: órfãos dos teus olhos não os vias; aflitos, que em soluços junto à tua companhia, não tinham ninguém... Quando alguém ama realmente uma criança que recebe e lhe não pertence pela carne, a humanidade consegue um crédito da vida. Quando um espírito valoroso derrama a taça da afeição e do socorro legítimo no gral de quem sofre, o mundo se engrandece com ele. É graças a esses, os irmãos pequeninos e sofredores, que a esperança se envolve de bênçãos e permanece entre as criaturas. Faze da tua comunhão com o Cristo, a Quem dizes amar, um ato de abnegação junto aos que necessitam de carinho, produzindo o teu nobre esforço ao lado deles um excelente festival de amor. Olhos marejados de pranto, além-da-sepultura fitam os filhos que ficaram ou afetos que permaneceram na retaguarda e corações que não cessam de pulsar embora a desencarnação, latejam em apressado ritmo, quando te acercas desses filhos desses quereres... Não justifiques enfermidade, se pretendes disfarçar a indiferença em que te comprazes discretamente, nem te apegues aos sofrimentos da leviandade se queres desculpar a impiedade que te cerceia os passos. Os que hoje são pequenos amanhã crescerão. Evita avinagrares a água da misericórdia que lhes ofereces, sem o azedume da infelicidade que dizes sofrer. Talvez eles sejam o sorriso dos teus lábios, mais tarde, se souberes o que fazer. Os que já viveram, sofrem e podem compreender. Sai da tua enfermidade imaginária para a ação curadora e faze uma doação de ternura, saudando neles, os amargurados que Jesus te apresenta, o sol formoso do dia sem fim da tua Imortalidade. Quem O contemplasse entre as palhas ressequidas do berço improvisado não suporia que ali estava o Rei do Orbe, e quem se detivesse a contemplá-Lo coroado de espinhos, em extremo ridículo, silencioso e triste, não acreditaria que era o Excelso Filho de Deus. No entanto, foi entre aqueles dois polos, o berço e a cruz, que ele traçou a ponte de libertação, instaurando, de logo, o primado do espírito, com o próprio exemplo de renúncia total e total amor à humanidade de todos os tempos, de modo a conduzir-te ainda hoje, na direção dos Cimos da Vida.
ESPÍRITO E VIDA DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h40
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FRATERNIDADE “O estado corporal é transitório e passageiro. É no estado espiritual sobretudo que o Espírito colhe os frutos do progresso realizado pelo trabalho da encarnação; é também nesse estado que se prepara para novas lutas e toma as resoluções que há-de pôr em prática na sua volta à humanidade.” O CÉU E O INFERNO 1ª parte — Capítulo 3º — item 10.
Saúda a madrugada do dever fazendo luz no entendimento amargurado. Não digas que é inútil lutar, tendo em vista os insucessos pessoais. Não creias que tudo seja caos e desordem, porque o mundo íntimo se encontre em desassossego e anarquia. As dores valem o valor que lhes damos. As provações significam em aflição a dimensão da taça em que as recolhemoS como se fôssem ácidos ou cáusticos. Porque mal-estares te inquietem e sombras derramem fantasmas na imagem das coisas, não compares os dias a salas escuras de perspectivas negativas. Abre a porta à fraternidade e alegra-te também. Quem cultiva urze apresenta-se cravado de espinhos. Quem assimila decepções extravasa pessimismo. É imprescindível romper as comportas do personalismo infeliz para que as vibrações de felicidade te visitem a casa mental. O homem que prefere baixadas tudo povoa de limites. Mas quem sonha alcantis altaneiros e céus infinitos perde medidas e limitações para espraiar-se como o ar ou agigantar-se como a luz. Vives as idéias que te aprazem, e, enquanto te agrades na desdita imaginária ninguém poderá clarear-te com as estrêlas aurifulgentes da serenidade. O homem transforma-se no que acalenta e vitaliza nos painéis recônditos da mente. Por esse motivo a desencarnação promove surpresas e choques àqueles mesmos que despertam além-da-morte e que, conscientemente se ignoravam em situações lamentáveis. Fraternidade! — Muitos crimes se cometem em teu nome! O solo e a mente, a água e o ar, o tempo e a luz em harmonioso conübio oferecem o pão generoso e rico à mesa. A paciência e o trabalho no labor do artesão se unem para a grandeza da arte. A argila e o artífice em combinação segura dão forma à cerâmica preciosa. O buril e o amor identificados renovam as visões e paisagens sombrias da Terra. Fraternidade — sol para as almas, roteiro para a vida! Em todo lugar há lugar para a fraternidade. Os povos a preconizam estimulando a beligerância. Pronunciam-lhe o nome, arregimentando soldados. Lecionam diretrizes em torno dela, assaltando países indefesos para discutirem a paz, demoradamente, nos Organismos próprios, enquanto a hidra da guerra dizima populações... A fraternidade começa no lugar em que estamos, a fim de atingir a região onde não iremos. Aceitas a ira que gera conflitos, que cria violências, que estimula o crime. Agasalhas o ódio que oblitera a razão, que acicatá instintos, que estruge em convulsões. Corporificas azedumes que consomem o equilíbrio, que facultam desordens, que enlouquecem. No entanto, a palavra de Jesus é inconfundível: — “Bem-aventurados os mansos porque herdarão a Terra Mansuetude para a ação fraternal — eis a rota. Procurando expressar a própria ventura e homenagear com a sua gratidão o Mestre Incomparável, conhecido militante espírita, desencarnado, demandou, na noite evocativa do Natal, região pavorosa de angústia punitiva e dor reparadora, no Mundo Espiritual, para evangelizar a turbamulta ignara e obscena. Abrindo pequeno Evangelho, nos apontamentos de Mateus no Sermão da Montanha começou a ler as anotações consoladoras registradas pelo Discípulo Amado. Enquanto a voz harmoniosa e calma vibrava amor fraternal no reduto purgatorial, antigo sicário de consciências, turbulento e impiedoso, agora entregue àprópria rebeldia, explodindo ira, solícitou o livro singular, e, diante do evangelizador despedaçou as páginas, que atirou sobre o charco nauseabundo em que se revolvia. Longe de revidar, o mensageiro da Palavra da Vida Eterna tomado de incomum sentimento fraternal, exclamou: — “Perdoa-me não ter conseguido alcançar tua alma com o verbo divino, considerando a minha própria inferioridade!” Houve uma pausa na densa região de amargura. — “Compreendo, meu irmão — prosseguiu, comovido —, tua revolta, no entanto, não conheces Jesus. Reconheço-me indigno de apresentá-Lo; todavia, sabendo-O o Médico do Amor por excelência não consigo recuar... Recorda o Rei singular, nascido em manjedoura e supliciado na Cruz, a balbuciar, em hora de terrível soledade: — “Perdoa-os, meu Pai!”... Não pode prosseguir. Não disse mais, nem se fazia necessário. O verdugo se levantou, em pranto, e acudiu, dizendo: — “Fala-me d’Ele, esse Homem que te dá forças para vencer a ira e amar a ponto de chamar-me irmão”. Fraternidade! Começa agora mesmo o teu programa fraternal, tendo paciência contigo próprio, no caminho evolutivo por onde rumas...
ESPÍRITO E VIDA DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h54
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FALANDO AO TRABALHADOR “O progresso nos Espíritos é o fruto do próprio trabalho; mas, como são livres, trabalham no seu adiantamento com maior ou menor atividade, com mais ou menos negligência, segundo sua vontade, acelerando ou retardando o progresso e, por conseguinte, a própria felicidade.” O CÉU E O INFERNO 1ª parte — Capítulo 3º — Ítem 7.
Trabalhador da vida persevera agindo no bem. As criaturas na Terra, de certo modo, se parecem com matérias brutas antes de serem trabalhadas. Diante do solo que te não pode oferecer argila para a olaria ou leiras para a sementeira, evita a blasfêmia. Trabalha a terra, dando-lhe o amor que te escorre abundante e amparando-a com a dádiva da linfa vivificante. Ante a montanha não amaldiçoes as pedras. Trabalha-as e arrancarás formas preciosas. Frente à árvore retorcida não lhe desprezes os galhos. Trabalha o lenho, retirando tábuas e mourões que ensejem agasalhos e utilidades. Face ao ferro envelhedio e gasto não o injuries. Trabalha nele com o auxílio do fogo e aplica-o em variados usos. Defrontando o lodo não o insultes. Trabalha, drenando-o, e conseguirás aí abençoada seara que se cobrirá, oportunamente, de flores e frutos. Há muitos corações, igualmente assim, na estrada dos homens. Espíritos difíceis de entender, empedernidos na indiferença, retorcidos pelo ódio, envelhecidos no erro, perdidos na inutilidade, comprazendo-se na ignorância e na crueldade. Não reclames nem os desprezes. Abre os braços e socorre-os em nome do amor. Quanto te seja possível trabalha junto a eles e neles, confiante no Divino Trabalhador. Possivelmente os resultados não virão logo nem o êxito do trabalho surgirá de imediato. Muitas vezes sangrarão tuas mãos na execução da obra e dilacerarás o próprio coração. De início a dificuldade, o esforço e a perseverança no trabalho. Mais tarde a assistência carinhosa e o zelo cuidadoso. Por fim surpreenderás, feliz, a vitória do trabalho paciente, sorrindo como flores na lama, saudando a beleza e a glória da vida em nome de Jesus, o Obreiro da felicidade de nós todos.
ESPÍRITO E VIDA DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS
Escrito por EDUARDO BARROS às 13h20
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