MEDIUNIDADE E DÚVIDA
Quando a sombra da dúvida se interponha entre o campo de ação e a tua faculdade medianimica, contempla o necessitado que te espera o serviço. Se fosses o companheiro sob o guante da enfermidade, qual se lâminas de fogo lhe cortassem as vísceras, agradecerias as mãos que se erguessem, generosas, no passe magnético em teu benefício. Se fosses o Irmão que exibe a epiderme em largas feridas, como se envergasse roupa nodoada de chagas, mostrarias imensa gratidão aos dedos que te ofertassem o fluido restaurador. Se fosses o alienado mental, de que tanta gente se afasta, tomada de inquietação, decerto acolherias por bênção do Alto a exortação que te ajudasse a superar o desequilíbrio. Se fosses a pessoa desesperada nas últimas fronteiras da resistência, à beira do suicídio ou do crime, revelarias reconhecimento profundo a quem te desse a frase de apaziguamento, sustando-te a queda. Se fosses pai ou mãe, esposo ou esposa, filho ou amigo da criatura presa nas malhas da obsessão, agradecerias, feliz, a palavra renovadora de quem se expressasse na tarefa do auxilio. Se fosses o doente, na ansiedade comatosa da despedida, abraçarias por recurso divino a prece amiga de quem te doasse serenidade e esperança para a viagem da morte. Se trouxesses a dor contigo, não vacilarias em acreditar que o próximo tem a obrigação de estender-te consolo e enfermagem, compreensão e remédio. O escrúpulo é naturalmente compreensível toda vez que o mal nos espreita os movimentos; contudo, ante o socorro correto à necessidade dos outros, o escrúpulo, quase sempre, é válvula à exaltação da preguiça. Quem despende o mais mínimo esforço no bem, recebe todo apoio do Bem Eterno, assim como a tomada humilde e fiel recolhe da usina toda a força de que se mostre capaz. Se duvidas do nosso dever de auxiliar os semelhantes, através da mediunidade, observa a obra imensa do Evangelho e pensa no que seria de nós, se Jesus houvesse duvidado de Deus.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h18
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ATUALIDADE ESPÍRITA
Espíritas! O mundo de agora é o campo de luta a que fostes conclamados para servir. Todas as rotas oferecem contradições terríveis. A cada trecho, surpreendemos os que falam em Cristo, negando-lhe testemunho. Ouvimos os que pregam desinteresse, agarrando-se à posse; os que se referem à união, disseminando a discórdia; os que exaltam a humildade, embriagando-se de orgulho, e os que receitam sacrifício para uso dos outros, sem se animarem a tocar com um dedo os fardos de trabalho que os semelhantes carregam!... Ontem, contudo, noutras reencarnações, éramos nós igualmente assim... Recorríamos à cruz do Senhor, talhando cruzes para os braços do próximo; exalçávamos o desprendimento, entronizando o egoísmo; louvávamos a virtude, endossando o vicio, e clamávamos por fraternidade, estimulando a perseguição a quem não pensasse por nossa cabeça.
Hoje, no entanto, a Doutrina Espírita restaura para nós o Evangelho, em versão viva e simples. Não mais o Cristo abençoando a carniçaria da guerra. Não mais o Cristo monumentalizado em prata e ouro. Não mais a escravidão religiosa, imaginariamente do Cristo. Não mais imposições e convenções, supostas do Cristo. Agora, como devia ter sido sempre, encontramos no Mestre Divino o companheiro da Humanidade, ensinando-nos a crescer no bem para a vida vitoriosa. Não nos baste, pois, simplesmente crer!... Em toda parte, é necessário sejamos o exemplo do ensino que pregamos, porque, se o Evangelho é a revelação pela qual o Cristo nos entregou mais amplo conhecimento de Deus, a Doutrina Espírita é a revelação pela qual o mundo espera mais amplo conhecimento do Cristo, em nós e por nós.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h11
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SABES
Tanto quanto os médiuns, nós todos. Todos nós, na assimilação da idéia espírita, recebemos uma luz alimentada pela essência do Evangelho. E a missão da luz, acima de tudo, é revelar a fim de que possamos compreender. Todos guardamos, assim, a faculdade superior de entender para auxiliar.
Nunca te afirmes, desse modo, sem orientação. Sabes que te encontras na Terra, não somente resgatando o passado, mas também construindo o futuro. Sabes que os parentes-enigmas, em verdade, são credores que deixaste a distância, reincorporados agora na faixa de teus dias, a fim de que solvas os compromissos da tua alma e aprendas quanto dói complicar os destinos alheios. Sabes que os ofensores, transfigurados em verdugos, na maioria das vezes são grandes obsidiados por entidades sombrias, colocados diante de ti pelo mundo, à maneira de testes longos, em que possas demonstrar praticamente a virtude que ensinas. Sabes que as dificuldades, semelhando espinheiros magnéticos no campo de trabalho, são recursos que a vida te oferece, de modo a que não falhes na conquista da experiência. Sabes que a dor, parecendo brasa invisível no pensamento, guarda a função de alertar-te contra quedas maiores nos resvaladouros da ignorância.
Unge-te, pois, de caridade e de paciência, se aspiras a executar o que deves. O preço da vitória chama-se luta. Idéia espírita é lâmpada acesa, para que todos vejamos claro, e a existência na Terra é caminho para a Esfera Superior. Não te lastimes se a subida aborrece e cansa, pela cruz que carregas. Ora pelos que te perseguem e abençoa os que te injuriam. Quantos julgavam haver aniquilado o Cristo, no alto de um monte, apenas conseguiram transformá-lo em baliza de luz.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h16
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MEDIUNIDADE E DOENTES
No que se refere aos doentes, os cientistas ateus apenas enxergam o corpo na alma e os religiosos extremistas apenas enxergam a alma no corpo; as inteligências sensatas, porém, observam uma e outro, conjugando bondade e medicação nos processos de cura. Os cientistas ateus, ao modo de técnicos puros, quase sempre entregam exclusivamente ao laboratório toda a orientação terapêutica, interpretando a moléstia como sendo mero caso orgânico de curso previsto, qual se o corpo fosse aparelho frio, de comportamento pré-calculado, esquecendo-se de que os corpúsculos brancos do sangue fabricam antitoxinas sem haverem freqüentado qualquer aula de química. Os religiosos extremistas, à feição de místicos intransigentes, quase sempre entregam exclusivamente à oração todo o trabalho socorrista, interpretando a moléstia como sendo simples ato expiatório da criatura, qual se a alma encarnada fosse entidade onipotente na própria defensiva, olvidando que os vírus não interrompem o assalto infeccioso diante dessa ou daquela preleção de moral. As inteligências sensatas, no entanto, percebem que o corpo se move à custa da alma, sabendo, porém, que a alma, no plano físico, precisa do corpo para manifestar-se, embora reconheçam que toda reação substancial procede do interior para o exterior, razão pela qual, em todos os tratamentos, como ação supletiva, será lícito recorrer às forças inesgotáveis do espírito.
Na mediunidade curativa, portanto, suprime a enfermidade, quanto possível, com o amparo da medicina criteriosa, mas unge-te de amor para socorrer o doente. A solidariedade ergue o índice da confiança e a confiança mobiliza instintivamente os recursos da Natureza. Pronuncia a prece que reconforte e estende o passe magnético que restaure, como se fossem pedaços de teu próprio coração em forma de auxílio. Sobretudo, não envenenes o ânimo de quem sofre. Ainda mesmo diante dos criminosos e viciados que a doença arruina, levanta a voz e alonga os braços, sem qualquer nota de azedia ou censura, recordando que possivelmente estaríamos nós no lugar deles se tivéssemos padecido as provas e tentações nas quais sucumbiram, agoniados. Seja quem for o doente do qual te aproximes, compadece-te quantas vezes se fizerem necessárias, entendendo que é preciso aprender a ajudar o necessitado, de maneira que o necessitado aprenda a ajudar a si mesmo. Somente assim descobrirás, tanto em ti quanto nos outros, o surpreendente poder curativo que dimana, ilimitado e constante, do amor de Deus.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h47
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OBSESSÃO E EVANGELHO
A quem diga que o Espiritismo cria obsessões na atualidade do mundo, respondamos com os próprios Evangelhos.
Nos versiculos 33 a 35, do capitulo 4, no Evangelho de Lucas, assinalamos o homem que se achava no santuário, possuído por um Espírito infeliz, a gritar para Jesus, tão logo lhe marcou a presença: “que temos nós contigo?” E o Mestre, após repreendê-lo, conseguiu retirá-lo, restaurando o equilíbrio do companheiro que lhe sofria o assédio. Temos aí a obsessão direta.
Nos versículos 2 a 13, do capitulo 5, no Evangelho de Marcos, encontramos o auxilio seguro prestado pelo Cristo ao pobre gadareno, tão intimamente manobrado por entidades cruéis, e que mais se assemelhava a um animal feroz, refugiado nos sepulcros. Temos aí a obsessão, seguida de possessão e vampirismo.
Nos versículos 32 e 33, do capitulo 9, no Evangelho de Mateus, lemos a noticia de que o povo trouxe ao Divino Benfeitor um homem mudo, sob o controle de um Espírito em profunda perturbação, e, afastado o hóspede estranho pela bondade do Senhor, o enfermo foi imediatamente reconduzido à fala. Temos aí a obsessão complexa, atingindo alma e corpo.
No versiculo 2, do capitulo 13, no Evangelho de João, anotamos a palavra positiva do apóstolo, asseverando que um Espírito perverso havia colocado no sentimento de Judas a idéia de negação do apostolado. Temos aí a obsessão indireta, em que a vitima padece influência aviltante, sem perder a própria responsabilidade.
Nos versiculos 5 a 7, do capítulo 8, nos Atos dos Apóstolos, informamo-nos de que Filipe, transmitindo a mensagem do Cristo, entre os samaritanos, conseguiu que muitos coxos e paralíticos se curassem, de pronto, com o simples afastamento dos Espíritos inferiores que os molestavam. Temos aí a obsessão coletiva, gerando moléstias-fantasmas. E, de ponta a ponta, vemos que o Novo Testamento trata o problema da obsessão com o mesmo interesse humanitário da Doutrina Espírita. Não nos detenhamos, diante dos críticos contumazes. Estendamos o serviço de socorro aos processos obsessivos de qualquer procedência, porque os princípios de Allan Kardec revivem os ensinamentos de Jesus, na antiga batalha da luz contra a sombra e do bem contra o mal.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h38
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OBRIGAÇÃO PRIMEIRAMENTE
Faze da mediunidade o instrumento com que possas desferir, entre as criaturas irmãs, o teu hino de amor. Entretanto, não lhe situes os acordes em leilão. Quanto o Sol, que não negocia com a própria luz, o Espírito não mercadeja com os próprios sentimentos. Se a vaidade te exagera o valor, pensa um pouco e reconhecerás que a vida, junto de ti, pode suscitar a formação de valores novos que te lancem todas as possibilidades em plena sombra. E quando a ambição busque elevar-te à galeria de ouro, reflete na agonia mental de todos aqueles que descem da galeria de ouro para a névoa da morte. Mediunidade é talento divino nas tuas mãos e a Divina Bondade nunca se vende. Se pudéssemos definir Deus, seria licito repetir que Deus é amor e o amor é trabalho do bem por todas as direções. O trabalho, desse modo, é o alicerce da existência produtiva, assim como a raiz é o fundamento da árvore. Se alguém disser que é necessário abandones as tuas tarefas a fim de que haj a virtude no caminho do próximo, enredando-te ao ruido ou à festividade que a tua presença consiga criar onde estejas, não te esqueças que o Cristo pagou, em acerba renunciação, a própria fidelidade ao Supremo Senhor, na prestação de serviço aos homens. Pregação sem exemplo é cheque sem fundos. Angaria o teu sustento, com a disciplina da alma e o suor do rosto, e cede ao intercâmbio espiritual o tempo que lhe possas consagrar por oferta de ti mesmo. Não te rendas a ilusões, nem te creias maior. Além do manancial, corre a fonte; além da fonte, vem o córrego; além do córrego, desponta o riacho; além do riacho, aparece o rio e, além do rio, surge o mar. Primeiro, a obrigação que nos purifique. E, depois da obrigação, entrega à mediunidade aquilo que lhe possas doar espontaneamente, sem qualquer tisna de interesse inferior, como sendo a tua quota de esforço puro na obra do bem geral. Não importa seja pouco. O maior edifício começa tijolo a tijolo. Por mais negra a escuridão, fina réstia de luz rompe a força das trevas.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 13h16
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