Médiuns desertores não são apenas aqueles que deixam de transmitir com fidelidade sinais e palavras, avisos e observações da Esfera Espiritual para a Esfera Física. De criatura a criatura flui a corrente da vida e todos nós, encarnados e desencarnados de qualquer condição, estamos conclamados a lutar pela vitória do Bem Eterno. Desertores são igualmente: Os que armazenam o pão, sem proveito justo, convertendo cereais em cifrões vazios; Os que pregam virtudes religiosas e sociais, acolhendo-se em trincheiras de usura; Os que fecham escolas, escancarando prisões; Os que transformam as chaves da Ciência em gazuas douradas; Os que levantam casas de socorro, desviando recursos que deveriam ser aplicados para sanar as dores do próximo; Os que exterminam crianças em formação, garantindo a Impunidade, no silêncio das próprias vitimas; As mães que, sem motivo, emudecem as trompas da vida no santuário do próprio corpo, embriagando-se de prazeres que vão estuar na loucura; Os que aviltam a inteligência, vendendo emoções na feira do vício; Os que se afogam lentamente no álcool; Os que matam o tempo para que o tempo não lhes dê responsabilidade; Os que passam as horas censurando atitudes de outrem, olvidando os deveres que lhes competem; Os que andam no mundo com todos os desejos satisfeitos; Os que não sentem necessidade de trabalhar; Os que clamam contra a ingratidão sem examinar os problemas dos supostos Ingratos; Os que julgam comprar o céu, entregando um vintém ao serviço da caridade e reservando milhões para enlouquecer os próprios descendentes, nos inventários de sangue e ódio; Os que condenam e amaldiçoam, ao invés de compreender e abençoar; Os que perderam a simplicidade e precisam de uma torre de marfim para viver; Os que se fazem peso morto, dificultando o curso das boas obras... Deserção! Deserção! Se trazemos semelhante chaga, corrigenda para nós!... E se a vemos nos outros, compaixão para eles!...
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h03
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INCRÉDULOS
Regozijar-se-iam, sim, com a verdade que nos enriquece de otimismo e consolo! Se pudessem, acalentariam a claridade da fé, com a emoção dos cegos que recobrassem repentinamente a visão, diante da alvorada, deslumbrados de júbilo... Se pudessem, estariam erguidos à confiança como árvores generosas levantadas para o céu. Contudo, transitam na Terra à feição de alienados mentais que a Ciência não vê. Terrenos devastados pelo incêndio das paixões, acabaram dominados pelos vermes do materialismo que lhes corroem os últimos embriões de esperança, muitas vezes em festins de sarcasmo. Quereriam vibrar ao calor da convicção na sobrevivência, mas trazem o coração enregelado pela névoa da morte. São legisladores e não procuram as leis profundas que regem a vida, são professores e não conhecem a essência das lições que transmitem, são médicos e não auscultam os princípios sutis que organizam as formas, são juizes e não estudam as reações do destino nas vitimas do mal que lhes são dadas a exame, são advogados e não Identificam a santidade do direito, são artistas e não buscam a glória oculta da arte, são operários e não percebem a substância divina do trabalho, são pais e mães e não pressentem a sabedoria com que se lhes estrutura o alicerce do lar. Incrédulos, tateiam na sombra que lhes verte do cérebro mergulhado na incompreensão. Não lhes agraves os padecimentos com palavras amargas! Injuriando-lhes as opiniões, mais abriremos as feridas que lhes sangram no peito. O azedume estabelece, para os espíritos viciados na irritação, seis modalidades de tributos calamitosos: a perda do trabalho, a perda do auxilio, a perda do equilíbrio, a perda da afeição, a perda da oportunidade e a perda de tempo. Diante deles, nossos Irmãos que se tresmalharam na Irresponsabilidade e no desespero, desdobremos a abnegação, a tolerância e a caridade, multiplicando as obras da educação e os valores espontâneos do bem, porque toda criatura que nega a paternidade de Deus e recusa admitir a existência da própria alma está carecendo de socorro no hospital da oração e no abrigo do bom exemplo.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h36
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MÉDIUM INESQUECÍVEL
Estudando mediunidade e ambiente, recordemos um dos médiuns inesquecíveis dos dias apostólicos: Paulo de Tarso. Em torno dele, tudo era contra a luz do Evangelho. A sombra do fanatismo e da crueldade não se instalara apenas no Sinédrio, onde se lhe situava a corte dos mentores e amigos, mas também nele próprio, transformando-o em perigoso instrumento da perseguição e da morte. Feria, humilhava e injuriava a todos os que não pensassem pelos princípios que lhe norteavam a ação. Mas, desabrocha-lhe a mediunidade inesperadamente. Vê Jesus redivivo e escuta-lhe a voz. Aterrado, reconhece os enganos em que vivera. Entretanto, não perde tempo em lamentações inúteis. Não sucumbe desesperado. Não se confia à volúpia da autocondenação. Não foge à luta pela renovação intima. Percebe que não pode recolher, de pronto, a simpatia da família espiritual de Jesus, mas não se sente fracassado por isso. Observa a extensão dos próprios erros, mas não se entrega ao remorso vazio. Empreende, com sacrifício, a viagem da própria renovação. Para tanto, não reclama a cooperação alheia, mas dispõe-se, ele mesmo, a colaborar com os outros. Encontra imensas dificuldades para a iluminação da alma; no entanto, não esmorece na luta. Segundo a palavra fiel do Novo Testamento, é açoitado e preso, várias vezes, pelo amor com que ensinava a verdade, mas, em contraposição, na Licaônia e na Macedônia, foi tido como sendo “Mercúrio” encarnado e “Servo do Pai Altíssimo”. Não se sente, todavia, esmagado pela flagelação ou confundido pelo êxito. Tolera assaltos e elogios como o pagador correto, interessado no resgate das próprias contas. Diz ainda a Boa-Nova que “Deus operava maravilhas pelas mãos dele”; entretanto, ele próprio declara trazer consigo “um espinho na carne”, que o obriga a viver em provação permanente. E enquanto o corpo lhe permite, dá testemunho da realidade espiritual, combatendo ignorância e superstição, maldade e orgulho, tentação e vaidade. Nem ouro fácil. Nem privilégios. Nem cidadela social. Nem apoio político. Ele e o tear que o ajudava a sustentar-se ficaram, através dos séculos, como símbolo perfeito de influência pessoal e meio adverso, ensinando-nos a todos, principalmente a nós outros, encarnados e desencarnados de todos os tempos, que podemos pedir orientação falar em orientação, examinar os sistemas de orientação mas que, acima de tudo, precisamos ser a própria orientação em nós mesmos.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h44
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MEDIUNIDADE E PRIVILÉGIOS
Todos estamos concordes em que a Doutrina Espírita revive agora o Cristianismo puro; no entanto, há muita gente que lhe estranha a organização, sem os chamados valores nobiliárquicos que assinalam a maioria das instituições terrestres. A força de se iludirem com a idolatria, que sempre nos custa caro, muitos companheiros, menos vigilantes, desejariam condecorar trabalhadores da Nova Revelação, criando galerias para o relevo pessoal. E se pudessem determinar o rumo das coisas, no consenso opinativo, decerto que há muito estaríamos mobilizando doutrinadores-chefes e médiuns-titulares, com as nossas casas de serviço perdendo tempo em mesuras e rapapés. Entretanto, não há uma só frase na Codificação Kardequiana em que se recomende tratamento especial a esse ou àquele médium porque fale com mestria ou materializa desencarnados, porque transmita força curativa ou psicografe livros renovadores. A preocupação fundamental dos emissários divinoS, na formação de nossos princípios, foi, aliás, edificar moralmente a instrumentação mediúnica em bases de simplicidade e desinteresse, para que ela “corresponda às vistas da Providência”. Não existem, desse modo, médiuns maiores ou médiuns menores, favorecendo, entre nós, a constituição de prerrogativas e castas. Tanto na mensagem do Evangelho, quanto na mensagem do Espiritismo, o que prevalece, acima de tudo, é a responsabilidade para cada um de nós. Responsabilidade de sentir e pensar, de falar e fazer. Não temos o direito de enfeitar os outros com os brasões da excessiva confiança, para que realizem o trabalho que nos compete. Por essa razão, todos os operários da construção espírita são respeitáveis. Os doutrinadores que se esmeram em socorrer um irmão obsidiado, através de entendimento particular, estão fazendo obra idêntica aos que usam brilhantemente a palavra, arrebatando multidões, e os médiuns que grafam compêndios santificantes não são superiores àqueles outros que se consagram à restauração dos enfermos. Sustentar a idéia espírita, indene de qualquer imaginária fidalguia para aqueles que a servem, é dever para todos nós. Na formação cristã não sobraram privilégios para ninguém. O próprio Cristo, que se revelou pelo que fez e pelo que deixou de fazer, não se furtou ao sacrifício e à humilhação. Algum tempo depois dele, Tiago, filho de Zebedeu, foi assassinado, Estêvão caiu sob injúrias e pedras, Simão Pedro foi conduzido ao martírio extremo e Paulo de Tarso tombou, sob golpes de espada, por estarem, todos eles, ensinando a verdade e praticando o bem. Hoje, não podemos precisar de que modo desencarnarão os médiuns espíritas ocupados em tarefa libertadora das consciências, mas é importante que vivam atendendo aos próprios deveres, para que recebam corretamente a morte, quando não seja na palma do heroísmo, pelo menos na dignidade do trabalho edificante.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h56
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ESSAS OUTRAS MEDIUNIDADES
Na expansão dos recursos medianímicos que te enriquecem a experiência, sob as diretrizes dos benfeitores desencarnados, não te despreocupes das faculdades edificantes, suscetíveis de te vincularem à elevação e à melhoria dos companheiros na Terra. Pronuncias a palavra preciosa que os emissários da cultura e da inteligência te levam à boca, Impressionando auditórios atentos. Mas não negues o verbo da tolerância aos que te reclamam indulgência e carinho dentro de casa. Doutrinas eficientemente os Espíritos transviados nas sombras da viciação e do crime, transmitindo conselhos e avisos da Esfera Superior. Não recuses, porém, a conversação amorosa e paciente aos familiares ainda confinados à ignorância e à perturbação. Escreves a frase escorreita, para entendimento do público, sob a influência de instrutores domiciliados no Plano Maior. Grava, entretanto, no próprio caminho, a sinalização do bom exemplo, induzindo os semelhantes a que nobilitem a própria existência. Contemplas quadros prodigiosos, através da clarividência, caindo em êxtase ante as alegrias sublimes que observas, por antecipação, na Glória Espiritual. Não olvides, contudo, fitar as chagas dos que padecem, estendendo até eles migalha do teu conforto, por mensagem de auxilio. Escutas vozes comovedoras do Grande Além, delas fazendo narrativas surpreendentes para os que te admiram as incursões no país do inabitual. Busca, no entanto, ouvir as aflições dos irmãos sofredores, aprendendo a ser útil. Estendes mãos fraternas, no passe balsamizante, em favor dos que te procuram, sedentos de alívio. Não furtes, porém, os braços prestimosos ao trabalho de cooperação espontânea junto daqueles que o Senhor te confiou na intimidade doméstica. Atende às faculdades múltiplas pelas quais se evidencie a bondade dos mensageiros divinos, mas não desdenhes essas outras mediunidades, tanta vez esquecidas, da renúncia e da paciência, da humildade e do serviço, da prudência e da lealdade, do devotamento e da correção, em que possas mostrar os teus préstimos diante daqueles que te partilham a luta, porque somente assim serás suporte firme da luz e chama da própria luz.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h23
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AVISO, CHEGADA E ENTENDIMENTO
A intervenção franca do Plano Espiritual, no Plano Físico, pode ser admitida no conceito popular como embaixada portadora de metas decisivas, a definir-se em três períodos essenciais: aviso, chegada e entendimento. De Swedenborg a Andrew Jackson Davis, surpreendemos a mediunidade ativa, sob as ordens da Esfera Superior, no aviso da renovação necessária. E se pequenas disparidades são registradas no verbo dos obreiros em serviço, é justo lembrar que na interpretação da realidade, quanto na interpretação da música, a expressão isolada varia, conforme as peculiaridades do instrumento. Em 1848, no vilarejo de Hydesville, inicia-se publicamente a chegada dos comandos da sobrevivência. Os emissários desencarnados, quais familiares há muito tempo ausentes da própria casa, alcançam a moradia terrestre, batendo freneticamente à porta. Na residência dos Fox, não faltam nem mesmo as palmas de quem chega e de quem recepciona, entre a menina Kate e o Espírito Charles Rosna, baseando-se em pancadas os rudimentos da linguagem primitiva entre os dois planos. Desde então, embora as dificuldades morais de muitos dos trabalhadores humanos, reencarnados no circulo terrestre, começam a operar diversas comissões mediúnicas, chamando pacificamente a atenção da Terra. Os fenômenos físicos por Daniel Dunglas Home e pelos irmãos Davenport, por Florence Cook e por Eusápia, tanto quanto através de outros medianeiros, falam à aristocracia do poder e da inteligência, em palácios e laboratórios, agitando os salões de lazer e as preocupações da imprensa. Aos ruídos da visitação invisível, misturam-se os ruidos da opinião. Ouvem-se batidas surpreendentes aqui e ali, mãos luminosas acenam por toda a parte, vozes ressoam entre lábios selados, mensagens rápidas são transmitidas, de maneira direta, e entidades materializam-se ante os experimentadores, tomados de assombro. Entretanto, a obra do entendimento é encetada com Allan Kardec, que esclarece a posição da doutrina e do fenômeno, como quem separa o trigo da vestimenta de palha, estabelecendo rumos, criando obrigações e definindo responsabilidades. Mas, como toda edificação espiritual obedece à cronologia da mente, ainda hoje encontramos milhares de pessoas na fase do aviso e milhares de outras na fase da chegada, entre a esperança e a convicção. Quanto a nós, que nos achamos na fase do entendimento, saibamos concretizar os princípios da fraternidade e esparzir o socorro moral, em beneficio das consciências, estendendo a luz ao coração do povo, porqüanto o Plano Espiritual atinge o Plano Físico, em cumprimento das promessas do Cristo, de modo a reunir todas as criaturas na lei do bem e habilitá-las, convenientemente, para a continuidade do serviço de hoje, no grande futuro ou no grande além, ante a Vida Maior.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 13h46
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