EM TAREFA ESPÍRITA
Abraçando na Doutrina Espírita o clima da própria fé, lembra-te de Jesus, à frente do povo a que se propunha servir. Não se localiza o Divino Mestre em tribuna garantida por assessores plenamente identificados com os seus princípios. Ele é alguém que caminha diante da multidão. Chama açoitada pela ventania das circunstâncias adversas... Árvore sublime batida pelas varas da exigência incessante... Ninguém o vê rodeado de colaboradores completos, mas de problemas a resolver. E, renteando com os doentes e aflitos que lhe solicitam apoio, todas as personalidades que lhe cruzam a senda representam atitudes diversas, reclamando-lhe paciência. João Batista duvida. Natanael questiona. Nicodemos indaga. Zaqueu observa. Caifás conspira. Judas deserta. Pedro nega. Pilatos finge. Antipas escarnece. Tomé desconfia. Apesar de tudo, Ele passa, sozinho e imperturbável, como sendo o amor não-amado, ensinando e ajudando sempre.
Assim também, na instituição em que transitas, encontrarás em quase todos os companheiros oportunidades de aprender ou de auxiliar. A cada passo, encontrarás os que te pedem amparo... Os que te rogam alívio... Os que te suplicam consolo... Os que esperam entendimento... Não te faltarão, contudo, igualmente, os que te desafiam a calma... Os que te zombem dos ideais... Os que te complicam as horas... Os que te criam dificuldades... Os que te ferem o coração... Entretanto, se conheces o caminho exato, é preciso ajudes aos que se transviam; se te equilibras, é preciso socorras os que se perturbam; se te manténs firme, é preciso sustentar os que caem, e, se já entesouraste leve migalha de luz, é preciso auxilies os que se debatem nas trevas. Desse modo, não te faças distraído quanto à orientação que nos é comum, porqüanto o espírita verdadeiro, diante do mal, é invariavelmente chamado a fazer o bem.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h41
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NO CAMPO DOUTRINÁRIO
Encontrarás no caminho os companheiros que não conseguiram guardar o talento mediúnico na altura que a responsabilidade lhes conferiu. A maneira dos que não sabem viver retamente, quando chamados à mordomia do ouro ou ao cetro do poder, desequilibram-se mentalmente, criando para si próprios o labirinto em que se desvairam. Começam abandonando a disciplina profissional, que julgam vexatória. Debandam de pequeninos deveres familiares que, naturalmente cumpridos, formam o alicerce das tarefas maiores. E transformam-se em joguete da fascinação que os inutiliza. Julgam-se, então, mensageiros especiais. Ausentam-se deliberadamente do estudo. Abraçam exotismos contundentes. Acreditam-se na condição de intérpretes das mais altas personalidades da História. Não admitem advertências. Supõem dominar o passado e o futuro. Profetizam. Pontificam. Mas, detendo exagerada conceituação de si mesmos, não percebem que se fazem marginais, cristalizados em longos processos obsessivos, aos quais atraem amigos invigilantes para deslumbrá-los, a principio, e arrojá-los, depois, à desilusão.
Em verdade, não podemos evitar que irmãos nossos se prendam a semelhantes situações perigosas e lastimáveis. Se outras formações religiosas vivem juguladas pela autoridade terrestre que lhes frena os impulsos, encontramos na Doutrina Espírita o pensamento claro e espontâneo da fé viva, favorecendo sementeiras e searas preciosas do livre-arbítrio. Diante, pois, dos amigos que não souberam situar os compromissos medianímicos em lugar justo, observemos quão duro será, para nós, desertar do serviço constante no burilamento interior, aprendendo, ao mesmo tempo, nos desajustes que mostram, tudo aquilo que nos cabe evitar. Em seguida, se possível, ajudemo-los com a palavra evangélica; entretanto, se essa medida não pode ser posta em prática, à face das circunstâncias que nos obrigam a emudecer, lembremo-nos de que é nossa obrigação trabalhar sempre mais, na expansão de nossos princípios, para que se faça luz nos corações e nas consciências. E caminhemos adiante, no esforço de tudo melhorar cada dia, com a certeza de que, segundo o Cristo, cada criatura, hoje e sempre, onde estiver, receberá, invariavelmente, de acordo com as suas obras.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h24
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CONHECIMENTO SUPERIOR
Na aquisição do conhecimento superior, não acredites que o deslumbramento substitua o trabalho. Nem julgues que o benfeitor espiritual, por mais azulgo, possa efetuar a obra que te compete. O professor esclarece. O aluno, porém, deve eqüacionar os problemas da escola. O médico auxilia. O doente, contudo, deve atender-lhe as indicações. Toda realização pede esforço. Toda construção pede tempo. Repara a árvore educada que se fez preciosa. É um monumento de beleza e vitalidade. Grandes raízes garantem-lhe a existência. Tronco robusto resiste à força do vento. Galhos crescem, enormes, ajudando a quem passa. Flores surgem, desafiando geômetras e pintores. Frutos aparecem, ricos de suco nutritivo. Fibras e folhas, seiva e perfume completam-lhe a respeitabilidade e a grandeza. Lembremo-nos, no entanto, de que o prodígio, atingindo, às vezes, centenas ou milhares de quilos, estava contido, em essência, na semente pequenina de apenas alguns gramas. Entretanto, se alguém não houvesse cultivado a semente minúscula, consagrando-lhe atenção e trabalho no curso dos dias, a árvore magnificente não se teria consolidado, afirmando-se em madureza e cooperação.
Agradece, pois, o carinho dos Espíritos generosos, encarnados ou desencarnados, que te amparam a experiência, aplicando-te às lições de que são mensageiros. Não admitas, contudo, que a presença deles te baste ao aprimoramento individual. Recorda que nem os companheiros da glória do Cristo escaparam ao impositivo do serviço constante. Os apóstolos que lhe respiraram a convivência não repousam ante as flamas do Pentecostes, mas seguem, luta diante, de renúncia em renúncia, adquirindo, pouco a pouco, a grande libertação, e Saulo de Tarso, visitado pelo próprio Mestre, em pessoa, não pára sob o jorro solar da senda de Damasco, mas avança, de suplício em suplício, assimilando, a preço de sofrimento, o dom da Divina Luz.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h22
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COMPANHEIROS
Há muitos companheiros realmente assim... Declaram-se espiritas. Proclamam-se convencidos, quanto à sobrevivência. Relacionam casos maravilhosos. Exibem apontamentos inatacáveis. Referem-se, freqüentemente, aos sábios que pesquisaram as forças psíquicas. Andam de experiência em experiência. Fitam médiuns como se vissem animais raros. Não alimentam dúvidas quanto aos fatos inabituais no seio da própria família, mas desconfiam das observações nascidas no lar de outrem. Conversadores primorosos. Anedotistas notáveis. Mas não mostram mudança alguma. São na convicção o que eram na negação. Nobres expoentes de cultura intelectual, não estendem migalha de conhecimento superior a quem quer que seja. Detentores de vantagens humanas, não se dignam ajudar a ninguém.
Felizmente, contudo, temos os companheiros da luta incessante. Afirmam-se também espiritas. Mas compreendem que o fenômeno, diante da verdade, pode ser considerado à feição de casca no fruto. Têm os médiuns como pessoas comuns, necessitadas de entendimento e de auxílio. Sabem que a existência na Terra é como estágio na escola. E, por isso, não perdem tempo. Moram no trabalho constante. Indulgentes para com todos e severos para consigo mesmos. Aceitam a justiça perfeita, através da reencarnação, e acolhem no sofrimento o curso preciso ao burillamento da própria alma. Verificamos que o erro dos outros podia ser deles próprios e, em razão disso, não perdem a paciência. Reconhecendo-se imperfeitos, perdoam, sem vacilar, as imperfeições alheias. E vivem a caridade como simples dever, aprendendo e servindo sempre. São esses que Allan Kardec, em sua palavra esclarecida, define como sendo “os espiritas verdadeiros ou, melhor, os espíritas-cristãos”.
SEARA DOS MÉDIUNS PSICOGRAFADO POR FRANCISCO C. XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO DE EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h29
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O ARGUMENTO
Ante os amados que te não compreendem, estimarias que todos cressem conforme crês. Alguns jazem desesperados nas trevas do pessimismo. Outros caem, pouco a pouco, no abismo da negação. Há muitos que te lançam insulto em rosto, como se a tua convicção fosse passo à loucura. E surpreendes, em cada canto, aqueles que te falam pelo diapasão da ironia. Mergulhas-te, muitas vezes, no oceano revolto das palavras veementes que os opositores, de Imediato, não podem admitir; em outras ocasiões, desejas acontecimentos inusitados, que lhes alterem o modo de pensar e de ser. Entretanto, recordemos o Cristo. Ninguém, quanto ele, deixou na retaguarda tantas demonstrações de poder celeste. Deu nova estrutura à forma dos elementos. Apaziguou as energias desvairadas da Natureza. Reaqueceu corpos que a morte imobilizava. Restituiu a visão aos cegos. Restaurou paralíticos. Limpou feridentos. Curou alienados mentais. Operou maravilhas, somente atribuíveis à ciência divina. Contudo, não foi pelos deslumbramentos produzidos que se converteu em mentor excelso da Humanidade. Jesus agiganta-se, na esteira dos séculos, pela força do exemplo. Anjo — caminhou entre os homens. Senhor do mundo — não reteve uma pedra para repousar a cabeça. Sábio — foi simples. Grande — alinhou-se entre os pequenos. Juiz dos juizes — espalhou a misericórdia. Caluniado — lançou bênçãos. Traído — não reclamou. Acusado — humilhou a si mesmo. Ferido — esqueceu toda ofensa. Injuriado — silenciou. Crucificado — pediu perdão para os próprios ver-dugos. Abandonado — voltou para auxiliar. Ação é voz que fala à razão. Se aspiras, assim, a convencer os que te rodeiam, quanto à verdade, não olvides que, acima de todos os fenômenos passageiros e discutíveis, o único argumento edificante de que dispões é o de tua própria conduta, no livro da própria vida.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h24
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CURIOSIDADE
A curiosidade, quando respeitável, é princípio da ciência, mas somente princípio. Sem trabalho perseverante, assemelhar-se-ia, decerto, ao primeiro passo de uma longa excursão, interrompida no limiar. E observando-se que o progresso é obra de todos, é preciso que o seareiro da ação palmilhe a senda dos precursores para realizar o serviço que lhe compete. Colombo descobre as terras do Novo Mundo, depois de anotar os apontamentos de Perestrelo. Planté articula os acumuladores de eletricidade, sob a forma de energia química, mas toma por base a pilha de Volta. Marconi, para alcançar o telégrafo sem fios, utiliza as experiências de Branly. Pasteur demonstra definitivamente a origem microblana das doenças infecciosas, precedido, porém, por Davaine e outros. Para tudo isso, no entanto, não se imobilizam em poltronas de sonho, nem param à frente de esboços. Lutam e sofrem, gastando fósforo e tempo.
Por outro lado, é imprescindível reconhecer que a curiosidade, ante o deslumbramento, é qual semente de árvore destinada a bons frutos, conservada, porém, sob uma campânula de vidro. Imaginemos um índio, habituado aos sons da inúbia e do boré, que aspirasse a conhecer melodias mais elevadas. Apresentar-lhe, só por isso, uma partitura de Beethoven seria o mesmo que propor a filosofia de Spinosa a uma criança de berço. Antecedendo a conquista, é imperioso que a educação lhe administre o solfejo na iniciação musical.
Não esperes, assim, que os Espíritos Angélicos venham ferir-nos o aprendizado. Quaisquer recursos demasiado transcendentes, que nos trouxessem, serviriam apenas como fatores de encantamento inútil, à maneira de fogos de artifício, tumultuando a emoção dos meninos necessitados da escola. Da pedra ao micróbio, do micróbio ao verme, do verme ao homem e do homem à estrela, o Universo é todo um conjunto de soberbos fenômenos, desafiando-nos o conhecimento e a interpretação. Também, na mediunidade, não aguardes concessões de pechincha. Há, nos reinos do espírito, leis e princípios, novas revelações e novos mundos a conquistar. Isso, entretanto, exige, antes de tudo, paciência e trabalho, responsabilidade e entendimento, atenção e suor.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h56
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