ANTE A MEDIUNIDADE
No trato da mediunidade, não andemos à cata de louros terrestres, nem mesmo esperemos pelo entendimento imediato das criaturas. Age e serve, ajuda e socorre sem recompensa. Recordemos Jesus e os fenômenos do espírito. Ainda criança, ele se submete, no Templo, ao exame de homens doutos que lhe ouvem o verbo com imensa admiração, mas a atitude dos sábios não passa de êxtase improdutivo. João Batista, o amigo eleito para organizar-lhe os caminhos, depois de vê-lo nimbado de luz, em plena consagração messiânica, ante as vozes diretas do Plano Superior, envia mensageiros para lhe verificarem a idoneidade. Dos nazarenos que lhe desfrutam a convivência, apenas recebe zombaria e desprezo. Dos enfermos que lhe ouvem o sermão do monte, buscando tocá-lo, ansiosos, na expectativa da própria cura, não se destaca um só para segui-lo até à cruz. Dos setenta discípulos designados para misteres santificantes, não há lembrança de qualquer deles, na lealdade maior. Dos seguidores que comeram os pães multiplicados, ninguém surge perguntando pelo burilamento da alma. Dos numerosos doentes por ele reerguidos à bênção da saúde, nenhum aparece, nos instantes amargos, para testemunhar-lhe agradecimento. Nicodemos, que podia assimilar-lhe os princípios, procura-lhe a palavra, na sombra noturna, sem coragem de liberar-se dos preconceitos. Dos admiradores que o saúdam em regozijo, na entrada triunfal em Jerusalém, não emerge uma voz para defendê-lo das falsas acusações, perante a justiça. Judas, que lhe conhece a intimidade, não hesita em comprometer-lhe a obra, diante dos interesses inferiores. Somente aqueles que modificaram as próprias vidas foram capazes de refleti-lo, na glória do apostolado. Pedro, fraco, fez-se forte na fé, e, esquecendo a si mesmo, busca servi-lo até à morte. Maria de Magdala, tresmalhada na obsessão, recupera o próprio equilíbrio e, apagando-se na humildade, converte-se em mensageira de esperança e ressurreição. Joana de Cusa, amolecida no conforto doméstico, olvida as conveniências humanas e acompanha-lhe os passos, sem vacilar no martírio. Paulo de Tarso, o perseguidor, aceita-lhe a palavra amorosa e estende-lhe a Boa-Nova em suprema renúncia. Não detenhas qualquer ilusão à frente dos fenômenos medianímicos. Encontrarás sempre, e por toda parte, muitas pessoas beneficiadas e crentes, como testemunhas convencidas e deslumbradas diante deles; mas, apenas aquelas que transfiguram a si mesmas, aperfeiçoando-se em bases de sacrifício pela felicidade dos outros, conseguem aproveitá-los no serviço constante em louvor do bem.
SEARA DOS MÉDIUNS PSICOGRAFADO POR FRANCISCO C. XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO DE EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h02
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ENSINO ESPÍRITA
Se abraçaste na Doutrina Espírita o roteiro da própria renovação, em toda parte és naturalmente chamado a fixar-lhe os ensinos. Administrador, não te limitarás ao controle de patrimônios físicos, porque saberás aplicá-los no bem de todos. Legislador, não te guardarás na galeria dos privilégios, porque humanizarás os estatutos do povo. Juiz, não te enquistarás na autoridade de convenção, porque serás em ti mesmo a garantia do Direito correto. Médico, não estarás circunscrito ao órgão enfermo, porque auscultarás, igualmente, a alma que sofre. Professor, não terás nos discípulos meros associados no estudo dos números e das letras, mas verdadeiros filhos do coração. Negociante, não farás do comércio a feira dos interesses inferiores, mas a escola da fraternidade e do auxílio. Operário, não furtarás o tempo, no exercício da rebeldia, mas vigiarás, satisfeito, o desempenho das próprias obrigações. Lavrador, não serás sanguessuga insaciável da terra, mas recolher-lhe-ás os produtos, ajudando-a, nobremente, a reverdecer e florir. Seja qual for a profissão em que te situes, vives convidado a enobrecê-la com o selo de tua fé, moldada nos valores humanos, porqüanto, na responsabilidade espírita, toda ação no bem precisa ultrapassar o dever para que o ato de servir se converta em amor. Hoje e agora, onde estivermos, segundo os nossos princípios, somos constantemente induzidos a lecionar disciplinas de entendimento e conduta. Aqui é a solidariedade, ali é a fidelidade aos compromissos, adiante é a compreensão, mais além, é a renúncia... Aqui é o devotamento ao trabalho, ali é a paciência, adiante é o perdão incondicional, mais além é o espírito de sacrifício... Doutrina Espírita, na essência, é universidade de redenção. E cada um de seus profitentes ou alunos, por força da obrigação no burilamento interior, é obrigado a educar-se para educar. É por isso que, se lhe esposaste as tarefas, sej a esse ou aquele o setor de tuas atividades, estarás, cada dia, ensinando o caminho da elevação, na cadeira do exemplo.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h53
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CARTÃO DE VISITA
Em qualquer estudo da mediunidade, não podemos esquecer que o pensamento vige na base de todos os fenômenos de sintonia na esfera da alma. Analisando-o, palidamente, tomemos a imagem da vela acesa, apesar de imprópria para as nossas anotações. A vela acesa arroja de si fotons ou força luminosa. O cérebro exterioriza princípios inteligentes ou energia mental. Na primeira, temos a chama. No segundo, Identificamos a idéia. Uma e outro possuem campos característicos de atuação, que é tanto mais vigorosa quanto mais se mostre perto do fulcro emissor. No fundo, os agentes a que nos referimos são neutros em si. Imaginemos, no entanto, o lume conduzido. Tanto pode revelar o caminho de um santuário, quanto a trilha de um pântano. Tanto ajuda os braços do malfeitor na execução de um crime, quanto auxilia as mãos do benfeitor no levantamento das boas obras. Verificamos, no símile, que a energia mental, inelutavelmente ligada à consciência que a produz, obedece à vontade. E, compreendendo-se no pensamento a primeira estação de abordagem magnética, em nossas relações uns com os outros, sej a qual for a mediunidade de alguém, é na vida íntima que palpita a condução de todo o recurso psíquico. Observa, pois, os próprios impulsos. Desejando, sentes. Sentindo, pensas. Pensando, realizas. Realizando, atrais. Atraindo, refletes. E, refletindo, estendes a própria influência, acrescida dos fatores de indução do grupo com que te afinas. O pensamento é, portanto, nosso cartão de visita. Com ele, representamos ao pé dos outros, conforme nossos próprios desejos, a harmonia ou a perturbação, a saúde ou a doença, a intolerância ou o entendimento, a luz dos construtores do bem ou a sombra dos carregadores do mal.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h11
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SEARA DOS MÉDIUNS Amigo leitor: A Doutrina Espírita, em seu primeiro século, assemelha-se, de algum modo, à árvore robusta espalhando ramaria, flores, frutos e essências, em todas as direções. Que princípios afins se lhe instalem nos movimentos, à maneira de aves tecendo ninhos transitórios nos galhos de tronco generoso, é inevitável; contudo, que os lavradores do campo lhe devem fidelidade e carinho, para que as suas raízes se mantenham puras e vigorosas, é outra proposição que não sofre dúvida. Assim pensando, prosseguimos em nossos comentários humildes (1) da Codificação Kardequiana, apresentando, neste volume, o desataviado cometimento que nos foi permitido atender, no decurso das 90 reuniões públicas, nas noites de segundas e sextas-feiras, que tivemos a
(1) “Religião dos Espiritos” é o livro em que o autor espiritual comentou “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, nas reuniões públicas de Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, Minas Gerais. — (Nota da Editora)
alegria de partilhar junto dos irmãos uberabenses, em 1960, na sede da Comunhão Espírita Cristã. Dessa feita, "O Livro dos Médiuns", que justamente agora, em 1961, está celebrando o primeiro centenário, foi objeto de nossa especial atenção. Os textos em exame foram escolhidos pelos companheiros encarnados, em cada reunião, e, depois dos apontamentos verbais de cada um deles, articulamos as considerações aqui expressas que, em vários casos, fomos com pelidos a deslocar do tema proposto, á face de acontecimentos eventuais, surgidos nas assembléias. Algumas das páginas, que ora reunimos, foram publicadas em "Reformador", o respeitado mensário da Federação Espírita Brasileira, e no jornal "A Flama Espírita", da cidade de Uberaba. Esclarecemos, porém, que, situando aqui as nossas apreciações simples, na feição integral, com a ordem cronológica em que foram escritas e na relação das questões e respectivos parágra fos que "O Livro dos Médiuns" nos apresentava, efetuamos, pessoalmente, a total revisão de todas elas para o trabalho natural do conjunto. Mais uma vez, asseguramos de público que o único móvel a inspirar-nos, no serviço a que nos empenhamos, é apenas o de encarecer o impositivo crescente do estudo sistematizado da obra de Allan Kardec - construção basilar da Doutrina Espírita, a que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo oferece cobertura perfeita -, a fim de que mantenhamos o ensinamento espírita indene da superstição e do fanatismo que aparecem, fatalmente, em todas as fecundações de exotismo e fantasia. Esperando, pois, que outros seareiros venham à lide remediar-nos a imperfeição com interpretações e contribuições mais claras e mais eficientes em torno da palavra imperecível do grande Codificador, de vez que os campos da Ciência e da Filosofia, nos domínios doutrinários do Espiritismo, são continentes de trabalho a se perderem de vista, aqui ficamos em nossa tarefa de apagado expositor da Religião Espírita, que é a Religião do Evangelho do Cristo, para sublimação da inteligência e aprimoramento do coração.
SEARA DOS MÉDIUNS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h28
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GRATIDÃO PELO LIVRO ESPÍRITA
Senhor Jesus Outorgaste-nos a inteligência, a fim de que pudéssemos entender a grandeza da vida e avançar no rumo da Verdade. Concedeste-nos a visão, de modo a nos deslumbrarmos ante a grandeza da Criação. Facultaste-nos a voz, para que a melodia vibrante nos ensejasse intercâmbio e as maviosas combinações musicais cantassem em nossa garganta. Doaste-nos os ouvidos com os quais participamos dos murmúrios e das canções vivas da Natureza, para que entesourássemos belezas. Enriqueceste-nos com as mãos, a fim de que se transformassem em estrelas após o trabalho edificante e redentor. Favoreceste-nos com os pés humildes e submissos que servem de veículos para a glória da locomoção. Multiplicaste os sentimentos em nosso mundo íntimo, de forma que a caridade suplantasse todos os outros e o amor lhe constituísse a seiva de manutenção, libertando-nos do egoísmo e da impiedade. Legaste-nos o livro espírita, a fim de que em hora alguma estivéssemos sem o valioso auxiliar para compreender a razão da existência, os percalços das lutas as necessárias provações, e pudéssemos converter os tesouros transitórios do mundo em fortunas indestrutíveis da imortalidade. Nele, Senhor, perpassam as Tuas lições superiores e eternas quais gemas de rara beleza que insculpem em nossos espíritos as claridades libertadoras que nos apontam rumos felizes. Depositário das belezas que se refletem de Mais Alto, é o companheiro abençoado da soledade e o mestre discreto sempre às ordens para ajudar. Agradecendo-Te todas as doações com que nos armaste para a vitória sobre nós mesmos, reconhecemos que no livro espírita encontramos pão de vida e a água lustral para a total manutenção em nossa reencarnação salvadora. Por tudo, louvado sejas sempre, Senhor!
CELEIRO DE BENÇÃOS PSICOGRAFADO POR DIVALDO P. FRANCO DITADO PELO ESPÍRITO DE JOANNA DE ÂNGELIS
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h11
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EPOPÉIA DE NATAL
As circunstâncias não poderiam ser piores. A ignorância predominava, triunfante, conclamando as forças da barbaria e do crime que coroavam os arrebatados e aventureiros; a vilania se refugiava nos redutos de aparência respeitável, onde era aceita; a traição e a intriga se disputavam primazia; os ideais de justiça e moral jaziam asfixiados sob o paul da licenciosidade; o povo padecia as mais duras humilhações, entre opróbrios e misérias de toda ordem...... E a guerra decidia a pujança do poder em que mãos deveria demorar. O homem era examinado pelas pegadas de sangue e lágrima que imprimia na jornada dos sucessos, e as leis subalternas ao carro da impiedade compactuavam com os poderosos que se alçavam à dominação arbitrária. As paisagem políticas ultrajadas pela desídia dos "cabos de guerra", que se sucediam, intempestivos, deixavam marginalizados os fracos e os humildes que nada representavam no cômputo social vigente. Vendê-los, extraditá-los, puni-los com a morte era direito natural dos governantes, que assim libertavam, de quando em quando, a economia do Estado, da desagradável canga. Em tais circunstâncias nasceu Jesus! Mergulhou na convivência dos homens, tendo como albergue modesta habitação de animais, ante a majestade da noite coroada de gemas estelares, enquanto os favônios varriam, perfumados, os arredores bucólicos da natureza em festa. E se espraiou num oceano de amor entre os esquecidos, desprezados e perseguidos. Consciente da Justiça Divina, inaugurou o período da esperança, disseminando os valores da saúde espiritual com que renovou a Humanidade, tendo os olhos voltados para o futuro. Nunca se queixou nem receou. Carregou o fardo das dores em incomparável silêncio e resignação. Tomou das coisas simples e teceu a túnica da vitória para os que lutassem valorosos e humildes, sem cansaço, até o fim. Atendeu a um príncipe - e o convidou ao Reino, propondo-lhe a humildade. Escutou um jovem rico - e concitou-o à renúncia total a fim de alcançar o Reino. Atendeu a um cobrador de impostos - e estimulou-lhe a generosidade com que lobrigaria chegar ao Reino. No entanto, todos aqueles aos quais concedeu entrevistas, com exceção, uma que outra vez, eram os pecadores, convencionalmente denominados a ralé da sociedade em cujo bojo se guardam infelizes de muitas caraterísticas... E ninguém igual a Ele! Recordando que estes são dias em que as circunstâncias evocam aquelas já passadas, faze uma pausa na alucinação que campeia avassaladora, facultando que nasça ou renasça no reduto do teu espírito o sêmen sublime do amor, em nome do Amor de todos os Amores que, não obstante ter vindo há quase vinte séculos, se demora ignorado, apesar de ter o nome insculpido no frontespício da História, enunciado freqentemente, porém sem a tônica da Sua lição viva, que ainda não foi legitimamente propagada, nem distribuída mediante os exemplos que clarifiquem a noite sombria que pesa sobre a coletividade hodierna. Abre, assim, o coração e a mente a Jesus, deixando que neste Natal Ele celebre por teu intermédio a epopeia festiva da paz, no meio em que estás convidado a servir, colocando, desde agora, mas em definitivo, alicerces do amanhã feliz que todos aguardamos, como início da era que Ele anunciou e viveu.
CELEIRO DE BENÇÃOS PSICOGRAFADO POR DIVALDO P. FRANCO DITADO PELO ESPÍRITO DE JOANNA DE ÂNGELIS
Escrito por EDUARDO BARROS às 13h54
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