MÃE ADOTIVA
A mente repassa os acontecimentos felizes da nossa vida e envolvo em ternura a memória da nossa convivência. Esta mulher extraordinária, de quem me recordo, fez tudo quanto o amor poderia lograr, a fim de amparar-me, ocultando a minha procedência obscura e anônima. Cercou-me de carinho e protegeu-me, para que nada me afetasse. Insuflou-me a força do seu devotamento, que era o hálito poderoso do seu amor, em emoção carregada de bênçãos. no verbete sublime que é: mamãe! Jamais deixou-me perceber as lágrimas que vertera antes de eu chegar e sempre me demonstrou a felicidade que a minha presença lhe causava. No entanto, na sua inocência, pensava que todas as pessoas seriam benignas e gentis quanto ela sempre o foi. Assim, não demorou muito para que, em plena adolescência, o seu segredo me fosse desvelado de maneira cruel, por meio de um coração leviano que, pensando que nos iria destruir, chamou-me de filha de ninguém. Abalada, quase tombei ante o golpe insano. Todavia, a transparência do seu olhar e a devoção do seu afeto fizeram-me silenciar o acontecimento no imo da alma. Não me foi fácil, nem tampouco difícil enfrentar a nova circunstância e nessa conjuntura eu descobri, em júbilo, a grandeza do amor de mãe adotiva. As outras, as mães carnais, as vezes, são compelidas pelo corpo a amar os filhos que geram, mas você e todas as mães de adoção, amam pelo espírito, elegendo quem lhes vai receber o devotamento, a dedicação. E não se tornam menos mães! Sofrem mais, certamente. Quando revelam ao filho as circunstâncias da sua origem, temem magoá-lo e, quando não o dizem, vivem sempre temendo perdê-lo, quando forem descobertas. Seu querer é suave como a claridade lunar e forte como somente o amor abnegado pode tornar-se. São anjos anônimos e abençoados na multidão. Homenageando-a, mãezinha adotiva, desejo dizer a outras que lhe são iguais que, desde o dia em que pensem em receber um filho que lhes não proceda do seio, considerem também, a necessidade de dizer-lhe, sem receio, demonstrando que o amor é Deus e dEle tudo procede, para ele retornando, não sendo, pessoa alguma, propriedade de outrem, senão, todos filhos do Seu amor, nutridos pelo Amor, para a glória do Eterno Amor. Amélia Rodrigues
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h48
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FILHOS INGRATOS
A ingratidão chaga pestífera que um dia há de desaparecer da Terra tem suas nascentes no egoísmo, que é o remanescente mais vil da natureza animal, lamentavelmente persistindo na Humanidade. A ingratidão sob qualquer forma considerada expressa o primarismo espiritual de quem a carrega, produzindo incoercível mal-estar onde se apresenta. O ingrato, isto é, aquele que retribui o bem pelo mal, a generosidade pela avareza, a simpatia pela aversão, o acolhimento pela repulsa, a bondade pela soberba é sempre um atormentado que esparze insatisfação, martirizando quantos o acolhem e socorrem. O homem vitimado pela ingratidão supõe tudo merecer e nada retribuir, falsamente acreditando ser credor de deveres do próximo para consigo, sem qualquer compensação de sua parte. Estulto, desdenha os benefícios recolhidos a fim de exigir novas contribuições que a própria insânia desconsidera. E arrogante e mesquinho porque padece atrofia dos sentimentos, transitando nas faixas da semiconsciência e da irresponsabilidade. Sendo a ingratidão, no seu sentido genérico, detestável nódoa moral, a dos filhos para com os pais assume proporções relevantes, desde que colima hediondo ato de rebeldia contra a Criação Divina. O filho ingrato é dilacerador do coração dos pais, ímpio verdugo que se não comove com as doloridas lágrimas maternas nem com as angústias somadas e penosas do sentimento paterno. Com a desagregação da família, que se observa generalizada na atualidade, a ingratidão dos filhos torna-se responsável pela presença de vários cânceres morais, no combalido organismo social, cuja terapia se apresenta complexa e difícil. Sem dúvida, muitos pais, despreparados para o ministério que defrontam em relação à prole, cometem erros graves, que influem consideravelmente no comportamento dos filhos, que, a seu turno, logo podem, se rebelam contra estes, crucificando-os nas traves ásperas da ingratidão, da rebeldia e da agressividade contínua, culminando, não raro, em cenas de pugilato e vergonha. Muitos progenitores, igualmente, imaturos ou versáteis, que transitam no corpo açulados pelo tormento de prazeres incessantes — que os fazem esquecer as responsabilidades junto aos filhos para os entregarem aos servos remunerados, enquanto se corrompem na leviandade —, respondem pelo desequilíbrio e desajuste da prole, na desenfreada competição da utópica e oderna sociedade. Todavia, filhos há que receberam dos genitores as mais prolíferas demonstrações e testemunhos de sacrifício e carinho, aspirando a um clima de paz, de saúde moral, de equilíbrio doméstico, nutridos pelo amor sem fraude e pela abnegação sem fingimentos, e revelam-se, de cedo, frios, exigentes e ingratos. Se diante de pais irresponsáveis a ingratidão dos filhos jamais se justifica ou procede, a proporcionada por aqueles que tudo recebem e tudo negam, somente encontra explicação na reminiscência dos desajustes pretéritos dos Espíritos, que, não obstante reunidos outra vez para recuperar-se, avivam as animosidades que ressumam do inconsciente e se corporificam em forma de antipatia e aversão, impelindo-os à ingratidão que os atira às rampas inditosas do ódio dissolvente. A família é abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificante onde se lapidam caracteres, laboratório superior em que se caldeiam sentimentos, estruturam aspirações, refinam ideais, transformam mazelas antigas em possibilidades preciosas para a elaboração de misteres edificantes. O lar, em razão disso, mesmo quando assinalado pelas dores decorrentes do aprimorar das arestas dos que o constituem, é forja purificadora onde se devem trabalhar as bases seguras da Humanidade de todos os tempos. Quando o lar se estiola e a família se desorganiza a Sociedade combale e estertora. De nobre significação, a família não são apenas os que se amam, através dos vínculos da consangüinidade, mas, também, da tolerância e solidariedade que se devem doar os equilibrados e afáveis aos que constituem os elos fracos, perturbadores e em deperecimento no clã doméstico. Aos pais cabem sempre os deveres impostergáveis de amar e entender até o sacrificio os filhos que lhes chegam pelas vias sacrossantas da reencarnação, educando-os e depondo-lhes nas almas as sementes férteis da fé, das responsabilidades, instruindo-os e neles inculcando a necessidade da busca de elevação e felicidade. O que decorra serão conseqüências do estado moral de cada um, que lhes não cabem prever, recear ou sofrer por antecipação pessimista. Aos filhos compete amar aos pais, mesmo quando negligentes ou irresponsáveis porqüanto é do código Superior da Vida, o impositivo: “Honrar pai e mãe”, sem excluir os que o são apenas por função biológica, assim mesmo, por cujo intermédio a Excelsa Sabedoria programa necessárias provas redentoras e pungitivas expiaçôes liberativas. Ante o filho ingrato, seja qual for a situação em que se encontre, guarda piedade para com ele e dá-lhe mais amor...
Joanna de Ângelis
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h06
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DEVERES DOS FILHOS
Toda a gratidão sequer retribuirá a fortuna da oportunidade fruída através do renascimento carnal. O carinho e respeito contínuos não representarão oferenda compatível com a amorosa assistência recebida desde antes do berço. A delicadeza e a afeição não corresponderão à grandeza dos gestos de sacrifício e da abnegação demoradamente recebidos... Os filhos têm deveres intransferíveis para com os pais, instrumentos de Deus para o trâmite da experiência carnal, mediante a qual o Espírito adquire patrimônios superiores, resgata insucessos e comprometimentos perturbadores.
Existem genitores que apenas procriam, fugindo à responsabilidade. Não compete, porém, aos filhos julgá-los com severidade, desde que não são dotados da necessária lucidez e correção para esse fim. Se fracassaram no sagrado ministério, não se furtarão à consciência, em forma da presença da culpa neles gravada. Auxiliá-los por todos os meios ao alcance é mister indeclinável, que o filho deve ofertar com extremos de devotamento e renúncias. A ingratidão dos filhos para com os pais é dos mais graves enganos a que se pode permitir o Espírito na sua marcha ascensional. A irresponsabilidade dos progenitores de forma alguma justifica a falência dos deveres morais por parte da prole. Ninguém se vincula a outrem através dos vigorosos liames do corpo somático, da família, sem justas, ponderosas razões. - Desincumbir-se das tarefas relevantes que o amor e o reconhecimento impõem — eis o impositivo que ninguém pode julgar lícito postergar.
Ama e respeita em teus genitores a humana manifestação da paternidade divina. Quando fortes, sê-lhes a companhia e a jovialidade: quando fracos, a proteção e o socorro. Enquanto sadios, presenteia-os com a alegria e a consideração; se enfermos, com a assistência dedicada e a sustentação preciosa. Em qualquer situação ou circunstância, na maturidade ou na velhice, afeiçoa-te àqueles que te ofertaram o corpo de que te serves para os cometimentos da evolução, como o mínimo que podes dispensar-lhes, expressando o dever de que te encontras investido.
Joanna de Ângelis
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h49
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NECESSIDADE DE EVOLUÇÃO EDUCAÇÃO-FONTE DE BENÇÃO
As tendências, que promanam do passado em forma de inclinações e desejos, se transformam em hábitos salutares ou prejudiciais quando não encontram a vigilância e os mecanismos da educação pautando os métodos de disciplina e correção. Sob a impulsão ao atavismo que se prende nas faixas primevas, das quais a longo esforço o Espírito empreende a marcha da libertação, os impulsos violentos e a comodidade que não se interessa pelos esforços de aprimoramento moral amolentam a individualidade, ressurgindo como falhas graves da personalidade. As constrições da vida, que se manifestam de vária forma, conduzem o aspirante evolutivo à trilha correta por onde, seguindo-a, mais fácil se lhe torna o acesso aos objetivos a que se destina. Nesse desiderato, a educação exerce um papel preponderante, porque faculta os meios para uma melhor identificação de valores e seleção deles, lapidando as arestas embrutecidas do eu, desenvolvendo as aptidões em germe e guiando com segurança, mediante os processos de fixação e aprendizagem, que formam o caráter, insculpindo-se, por fim, na individualidade e externando-se como ações relevantes. Remanescente do instinto em que se demorou por longos períodos de experiência e ainda mergulhado nas suas induções, o Espírito cresce, desembaraçando-se das teias de vigorosos impulsos em que se enreda para a conquista das aptidões com que se desenvolve. Pessoa alguma consegue imunizar-se aos ditames da educação, boa ou má, conforme o meio social em que se encontra. Se não ouve a articulação oral da palavra, dispõe dos órgãos, porém, não fala; se não vê atitudes que facilitam a locomoção, a aquisição dos recursos para a sobrevivência, consegue por instinto a mobilização com dificuldade e o alimento sem a cocção; tende retornar às experiências primitivas se não é socorrido pelos recursos preciosos da civilização, porque nele predominam, ainda, as imposições da natureza animal. Possui os reflexos, no entanto, não os sabe aplicar; desfruta da inteligência e, por falta de uso, já que se demora nas necessidades imediatas, não a desenvolve; frui das acuidades da razão e do discernimento, entretanto se embrutece por ausência de exercícios que os aprofunde. Nele não passam de lampejos as manifestações espirituais superiores se arrojado ao isolacionismo ou relegado às faixas em que se detêm os principiantes nas aquisições superiores... Muito importante a missão da educação como ciência e arte da vida. Encontrando-se ínsitas no Espírito as tendências, compete à educação a tarefa de desenvolver as que se apresentam positivas e corrigir as inclinações que induzem à queda moral, à repetição dos erros e das manifestações mais vis, que as conquistas da razão ensinaram a superar. A própria vida facultou ao Espírito, em longos milênios de observação, averiguar o que é de melhor ou pior para si mesmo, auxiliando-o no estabelecimento de um quadro de valores, de que se pode utilizar para a tranqüilidade interior. Trazendo do intervalo que medeia entre uma e outra reencarnação reminiscências, embora inconvenientes, do que lhe haja sucedido, elege os recursos com que se pode realizar melhormente, ao mesmo tempo impedindo-se deslizes e quedas nos subterrâneos da aflição. Outrossim, inspirado pelos Espíritos promotores do progresso no mundo, assimila as idéias envolventes e confortadoras, entregando-se ao labor do auto-aprimoramento. O rio corre e cresce conforme as condições do leito. A plântula se esgueira e segue a direção da luz. A obra se levanta consoante o desejo do autor. Em tudo e toda parte predominam leis sutis e imperiosas que estabelecem o como, o quando e o onde devem ocorrer as determinações divinas. Rebelar-se contra elas, é o mesmo que atrasar-se na dor, espontaneamente, contribuindo duplamente para a realização que conquistaria com um só esforço. A tarefa da educação deve começar de dentro para fora e não somente nos comportamentos da moral social, da aparência, produzindo efeitos poderosos, de profundidade. Enquanto o homem não pensar com eqüidade e nobreza os seus atos se assentarão em bases falsas, se deseja estruturá-los nos superiores valores éticos, porqüanto se tornam de pequena monta e de fraca duração. Somente pensando com correção pode organizar programas comportamentais superiores aos quais se submete consciente, prazerosamente. Não aspirando à paz e felicidade por ignorar-lhe o de que se constituem, impraticável lecionar-lhe sobre tais valores. Só, então, mediante o paralelismo da luz e da treva, da saúde e da enfermidade, da alegria e da tristeza se poderão ministrar-lhe as vantagens das primeiras em relação às segundas... Longo tempo transcorre para que os serviços de educação se façam visíveis, e difícil trabalho se impõe, particularmente, quando o mister não se restringe ao verniz social, à transmissão de conhecimentos, às atitudes formais, sem a integração nos deveres conscientemente aceitos. Por educar, entenda-se, também, a técnica de disciplinar o pensamento e a vontade, a fim de o educando penetrar-se de realizações que desdobrem as inatas manifestações da natureza animal, adormecidas, dilatando o campo íntimo para as conquistas mais nobres do sentimento e da psique. Nas diversas fases etárias da aprendizagem humana, em que o ser aprende, apreende e compreende, a educação produz os seus efeitos especiais, porqüanto, através dos processos persuasivos, libera o ser das condições precárias, armando-o de recursos que resultam em benefícios que não pode ignorar. A reencarnação, sem dúvida, é valioso método educativo de que se utiliza a vida, a fim de propiciar os meios de crescimento, desenvolvimento de aptidões e sabedoria ao Espírito que engatinha no rumo da sua finalidade grandiosa. Como criatura nenhuma se realiza em isolacionismo, a sociedade se torna, como a própria pessoa, educadora por excelência, em razão de propiciar exemplos que se fazem automaticamente imitados, impregnando aqueles que lhes sofrem a influência imediata ou mediatamente. No contexto da convivência, pelo instinto da imitação, absorvem-se os comportamentos, as atitudes e as reações, aspirando-se a psicosfera ambiente, que produz, também, sua quota importante, no desempenho das realizações individuais e coletivas. Como se assevera, com reservas, que o homem é fruto do meio onde vive, convém se não esquecer de que o homem é o elemento formador do meio, competindo-lhe modificar as estruturas do ambiente em que vive e elaborar fatores atraentes e favoráveis onde se encontre colocado a viver. Não sendo infenso aos contágios sociais, não é, igualmente, inerme a eles, senão, quando lhe compraz, desde que reage aos fatores dignificantes a que não está acostumado, se não deseja a estes ajustar-se. Além do ensino puro e simples dos valores pedagógicos, a educação deve esclarecer os benefícios que resultam da aprendizagem, da fixação dos seus implementos culturais, morais e espirituais. Por isso, e sobretudo, a tarefa da educação há que ser moralizadora, a fim de promover o homem não apenas no meio social, antes preparando-o para a sociedade essencial, que é aquela preexistente ao berço donde ele veio e sobrevivente ao túmulo para onde se dirige. Nesse sentido, o Evangelho é, quiçá, dos mais respeitáveis repositórios metodológicos de educação e da maior expressão de filosofia educacional. Não se limitando os seus ensinos a um breve período da vida e sim prevendo-lhe a totalidade, propõe uma dieta comportamental sem os pieguismos nem os rigores exagerados que defluem do próprio conteúdo do ensino.
Joanna de Ângelis
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h07
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CAMPANHAS
Sob os acordes maviosos da mensagem espírita que entesouras na mente, despertas, por fim, para a vida, desejando promover campanhas de enobrecimento. Para tanto, começa na intimidade do lar, exercitando desapego e renunciação. Se o fizeres, transferirás do largo campo do planejamento o ideal que acalentas para as rudes e valiosas experiências da ação, cultivando o bem em todas as latitudes. Remove, inicialmente, de velhas gavetas objetos que se constituem excessos, e das cômodas antigas retira tecidos e roupas usadas a se gastarem na inutilidade, oferecendo-lhes melhor aplicação. Objetos mortos, que conservam valores de duvidosa expressão, catalogados como “de estimação” se transformariam em pães e socorro para quantos sofrem ao lado da tua indiferença. Alfaias e baixelas cinzeladas, recordando antepassados queridos, poderiam tornar-se luz e esperança para aqueles que espreitam além da porta do teu domicílio. Desapega-te hoje dos haveres, antes que se consumam amanhã, expressando coerência com as aspirações que vitalizas. No entanto, se desejares traduzir melhor os sentimentos que atestam as tuas novas concepções através das campanhas que movimentas, faze mais. Leva adiante, a outrem, não somente o tecido surrado e gasto, mas também o novo, para que a tua dádiva signifique mais do que transferência do desvalor. Não apenas aquilo que não serve. Em verdade é nosso tudo quanto oferecemos. O que damos, possuímos, por demorar-se indestrutível dentro de nós. E como os pertences, de que somos somente mordomos transitórios, mudam de mãos ao impositivo do tempo e da morte, distribuamos aquilo que supomos possuir a fim de que possuamos realmente.
Amplia tuas campanhas, cedendo quando uma contenda negativa te ameace o equilíbrio. Esquece, quando ferido, sob apupos e ofensas. Doa as difíceis moedas da gentileza. E além das doações ao próximo faze ofertas a ti mesmo. Inicia a luta contra o egoísmo — velha roupa inútil que conservas no lar do orgulho. Faze a campanha sistemática contra a maledicência — veneno sutil que dissemina morte, e guardas nos vasos brilhantes da vaidade. Reage ao ciúme — companheiro míope da imperfeição que manténs disfarçada. Exila a ira — ácido perigoso que carregas em vasilhames trabalhados. Investe contra a vaidade própria — rainha da ilusão que ocultas jovialmente. Concede ao próprio espírito a luz do discernimento capaz de clarear-te por dentro, favorecendo-te com a limpeza dos antigos escaninhos onde viviam colônias de malfeitores morais. Muitos homens fascinados pelo ardor do entusiasmo se despojam de haveres temporários, passando adiante utilidades e especiarias, mas são incapazes de descer dos altos postos onde situaram a personalidade desvairada, para que se façam mais simples, mais nobres e melhores. Empenhado nas salutares campanhas do auxílio ao teu próximo, ajuda-te a ti mesmo imprimindo internamente a mensagem de sabor imortal com que os Espíritos da Luz te convidam de além-das-sombras da morte, para que singres o oceano da carne livre e tranqüilo como, quem nada mais possuindo, se tornou valiosa posse nas mãos do Nosso Pai Celestial.
Joanna de Ângelis
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h52
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