ANDRÉ LUIZ EM " NOSSO LAR REAJUSTANDO A CONDUTA (Orientações para a Cura)
"Terminada a sublime oração, regressei ao aposento de enfermo, amparado pelo amigo que me atendia de perto. Entretanto, não era mais o doente grave de horas antes. A primeira prece coletiva, em "Nosso Lar", operara em mim completa transformação. Conforto inesperado envolvia-me a alma. Pela primeira vez, depois de anos consecutivos de sofrimento, o pobre coração, saudoso e atormentado, à maneira de cálice muito tempo vazio, enchera-se de novo das gotas generosas do licor da esperança."
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(Continua amanhã)
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h52
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ANDRÉ LUIZ EM " NOSSO LAR REAJUSTANDO A CONDUTA (Orientações para a Cura)
"Meu ego, como que absorvido em onda de infinito respeito, fixou a luz branda que invadia o quarto, através das janelas, e perdi-me no curso de profundas cogitações. Recordei, então, que nunca fixara o Sol, nos dias terrestres, meditando na imensurável bondade dAquele que no-lo concede para o caminho eterno da vida. Semelhava-me assim ao cego venturoso, que abre os olhos para a Natureza sublime, depois de longos séculos de escuridão."
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(Continua amanhã)
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h47
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ANDRÉ LUIZ EM " NOSSO LAR REAJUSTANDO A CONDUTA (Orientações para a Cura)
"Amigos, por quem sois, explicai-me em que novo mundo me encontro... De que estrela me vem, agora, esta luz confortadora e brilhante?" "Estamos nas esferas espirituais vizinhas da Terra, e o Sol que nos ilumina, neste momento, é o mesmo que nos vivificava o corpo físico. Aqui, entretanto, nossa percepção visual é muito mais rica. A estrela que o Senhor acendeu para os nossos trabalhos terrestres é mais preciosa e bela do que a supomos quando no círculo carnal. Nosso Sol é a divina matriz da vida, e a claridade que irradia provém do Autor da Criação."
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(Continua amanhã)
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h58
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ANDRÉ LUIZ EM " NOSSO LAR " REAJUSTANDO A CONDUTA (Orientações para a Cura) "Embora transportado à maneira de ferido comum, lobriguei o quadro confortante que se desdobrava à minha vista. Clarêncio, que se apoiava num cajado de substância luminosa, deteve-se à frente de grande porta encravada em altos muros, cobertos de trepadeiras floridas e graciosas. Tateando um ponto da muralha, fez-se longa abertura, através da qual penetramos, silenciosos. Branda claridade inundava ali todas as coisas. Ao longe, gracioso foco de luz dava a idéia de um pôr do sol em tardes primaveris. A medida que avançávamos, conseguia identificar preciosas construções, situadas em extensos jardins. Ao sinal de Clarêncio, os condutores depuseram, devagarinho, a maca improvisada. A meus olhos surgiu, então, a porta acolhedora de alvo edifício, à feição de grande hospital terreno."
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(Continua amanhã)
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h59
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ANDRÉ LUIZ EM " NOSSO LAR " (DESPERTANDO DO UMBRAL)
"Ah! é preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir de esperança." Foi nesse instante que as neblinas espessas se dissiparam e alguém surgiu, emissário dos Céus. Um velhinho simpático me sorriu paternalmente. Inclinou--se, fixou nos meus os grandes olhos lúcidos, e falou: "Coragem, meu filho! O Senhor não te desampara." Amargurado pranto banhava-me a alma toda. Emocionado, quis traduzir meu júbilo, comentar a consolação que me chegava, mas, reunindo todas as forças que me restavam, pude apenas inquirir: "Quem sois, generoso emissário de Deus?" O inesperado benfeitor sorriu bondoso e respondeu: "Chama-me Clarêncio, sou apenas teu irmão."
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(Continua amanhã)
Escrito por EDUARDO BARROS às 17h07
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ANDRÉ LUIZ EM " NOSSO LAR " (DESPERTANDO DO UMBRAL)
"Persistiam as necessidades fisiológicas, sem modificação. Castigava-me a fome todas as fibras, e, nada obstante, o abatimento progressivo não me fazia cair definitivamente em absoluta exaustão. De quando em quando, deparavam-se-me verduras que me pareciam agrestes, em torno de humildes filetes dágua a que me atirava sequioso". "Foi quando comecei a recordar que deveria existir um Autor da Vida, fosse onde fosse. Essa idéia confortou-me. Eu, que detestara as religiões no mundo, experimentava agora a necessidade de conforto místico. Médico extremamente arraigado ao negativismo da minha geração. Tornava-se imprescindível confessar a falência do amor-próprio, a que me consagrara orgulhoso." "E, quando as energias me faltaram de todo, quando me senti absolutamente colado ao lodo da Terra, sem forças para reerguer-me, pedi ao Supremo Autor da Natureza me estendesse mãos paternais.
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(Continua amanhã)
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h47
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ANDRÉ LUIZ EM " NOSSO LAR " (DESPERTANDO DO UMBRAL)
"Para quem apelar? Torturava-me a fome, a sede me escaldava. Crescera-me a barba, a roupa começava a romper-se com os esforços da resistência, na região desconhecida. O assédio incessante de forças perversas que me assomavam nos caminhos ermos e obscuros. Irritavam-me, aniquilavam-me a possibilidade de concatenar idéias. Desejava ponderar maduramente a situação, esquadrinhar razões e estabelecer novas diretrizes ao pensamento, mas aquelas vozes, aqueles lamentos misturados de acusações nominais, desnorteavam-me irremediavelmente. - Que buscas, infeliz! Aonde vais, suicida?" "A quem recorrer? Por maior que fosse a cultura intelectual trazida do mundo, não poderia alterar, agora, a realidade da vida. Meus conhecimentos, ante o infinito, semelhavam-se a pequenas bolhas de sabão levadas ao vento impetuoso que transforma as paisagens. Eu era alguma coisa que o tufão da verdade carreava para muito longe."
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(Continua amanhã)
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h28
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