MENSAGEM DE DR.ORLANDO VAN ERVEN FILHO
Casado com dona Maria de Lourdes Basílio Van Erven, pai do médico psiquiatra Marco Aurélio Van Erven, o dr. Orlando Van Erven, médico diplomado no Rio de Janeiro, nasceu na cidade de Cordeiro, Estado do Rio, no dia 28 de junho de 1910 e faleceu em São José do Rio Preto, a 18 de abril de 1976.
Radicado em Votuporanga desde 1941, dedicou-se integralmente ao socorro do próximo, salientando-se na condição de grande missionário de Jesus, a serviço da Medicina.
Participou de inúmeras atividades beneficentes, sendo figura obrigatória nos eventos assistenciais de Votuporanga e Rio Preto.
Médico psiquiatra, em 1958 mudou-se para São José do Rio Preto onde residiu até a desencarnação, tendo sido, desde 1959, Diretor Clínico do Hospital Psiquiátrico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, hospital espírita de cunho eminentemente filantrópico.
Certamente pelo seu espírito elevado, pela sólida cultura que o caracterizava, foi possível ao dr. Orlando, 6 meses após a morte, regressar até nós com a bela mensagem que particularmente lhe destaca o espírito evangelizado e a firmeza de caráter com que abraça as suas responsabilidades espirituais.
Diz o dr. Orlando à sua esposa querida, que “logo a veja mais tranqüila, pretende consagrar-se aos irmãos doentes do campo mental”, em clara demonstração de que após tão curta permanência no Plano Espiritual, já se assenhoreou dos compromissos que lhe dizem respeito, reconhecendo a necessidade de continuar o trabalho em favor do próximo.
A propósito do dr. Orlando, sua vida e obra, lembra-nos o inconfundível Victor Hugo: em sua existência, o nobre médico de Rio Preto “colheu algumas rosas na Terra, mas todas as estrelas no Céu”.
Mensagem do Dr. Orlando, recebida por Francisco Cândido Xavier, na noite de 02/10/1976, em Uberaba, Minas Gerais
Equipe Consciesp
Escrito por EDUARDO BARROS às 08h19
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MENSAGEM DE MAURA ARAÚJO JAVARINI
Ainda o Rio Turvo
Meses depois do acidente do Rio Turvo, familiares de jovens desencarnados no infausto acontecimento procuraram Chico Xavier, em busca de palavras de consolo e, quem sabe?, dessa ou daquela comunicação pessoal.
Particularmente o dr. Waldemiro Naffah e sua esposa, dona Mafalda Mussi Naffah, ansiavam por alguma notícia do filho, Waldemiro Naffah Júnior.
Na ocasião Chico lembrou aos pais da transitória impossibilidade do filho comunicar-se e disse de uma senhora que estava presente, em espírito, naquele papo informal, e que trabalhara muito no socorro dos jovens afogados sob as águas. Ela se denominava Maura Araújo Javarini e dizia ter-se suicidado em São José do Rio Preto, em 11 de maio de 1932.
“No segundo semestre de 1960, inconsoláveis pela morte, num desastre do Rio Turvo, ocorrido poucos meses antes, de um filho, o dr. Waldemiro Naffah, advogado em São José do Rio Preto, e sua esposa, dona Mafalda Mussi Naffah, em companhia do Juiz de Direito, então titular da 3.ª Vara, dr. Argymiro Acayaba de Toledo, do advogado dr. Paulo Nimer e do economista Paulo Roque, hoje advogado, dirigiram-se a Uberaba, onde residia o médium Francisco Cândido Xavier, dele pretendendo uma palavra de conforto, bem como, embora o casal fosse católico, como ainda o é, uma comunicação mediúnica com o espírito do filho.
À noite, num centro espírita, onde o Chico prestava assistência espiritual aos necessitados, o casal e seus acompanhantes aproximaram-se, numa fila, do médium, ao qual foi exposta a pretensão. Chico Xavier disse que o rapaz ainda não tinha condição de comunicar-se, mas que, ali ao lado, estava o espírito de uma mulher, a qual dizia que, no instante do acidente, amparara alguns dos desencarnados, vitimados na queda do ônibus no Rio Turvo, um dos quais o filho do casal e dava o nome de Maura de Araújo Javarini, dizendo que se suicidara em S. José do Rio Preto em 11/05/1932.
No dia seguinte, de retorno a S. José do Rio Preto, dirigiram-se ao Ofício de Registro Civil, onde sem declinar o motivo, o dr. Waldemiro Naffah pediu ao oficial Gomide uma certidão de óbito de Maura, dando a data do seu falecimento. O oficial Gomide trouxe o livro de óbitos, abriu-o e disse que, na data mencionada, não constava o óbito da falecida. Mas, virando a página do livro, informou que, realmente, havia o assento do óbito da referida Maura, no dia 12, e que ali constava que falecera no dia anterior, o que conferia com a data fornecida pelo Chico.
São José do Rio Preto, 11 de novembro de 1977.
Argymiro Acayaba de Toledo
Equipe Consciesp
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h53
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EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS
Do livro "Vida no Além", de Caio Ramacciotti, editado pelo Grupo Espírita Emmanuel S/C Editora - GEEM, transcrevemos três mensagens de espíritos que residiam em São José do Rio Preto, tradicional município paulista, da Região dos Grandes Lagos.
O leitor espírita está familiarizado com as reuniões mediúnicas de que participava FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, em Uberaba.
Mas, para o leitor não espírita, a fim de que seja mais fácil a interpretação das páginas psicografadas, vamos dar uma idéia de como se processavam as reuniões com Chico Xavier, no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba – Minas Gerais.
O recinto sempre superlotado; centenas e centenas de pessoas de todos os recantos do país e, às vezes, do mundo, com objetivos diferentes, procuravam no médium: uma palavra de consolo, alguma notícia de familiar falecido, uma entrevista para determinado canal de televisão, etc.
Parte pequena dessa população heterogênea ali presente conseguia, e muito rapidamente, cumprimentar o médium, antes do início das tarefas da noite que consistiam no estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, ao mesmo tempo em que Chico Xavier, com rapidez vertiginosa, recebia inúmeras mensagens (em muitas ocasiões, até mesmo além de 10, de diferentes espíritos, numa única reunião que invariavelmente se prolongava madrugada adentro).
Após o encerramento da reunião, outra parcela do público presente conseguia conversar rapidamente com o médium, de modo que Chico Xavier, e queremos destacar esse fato, via de regra, não chegava a conhecer sequer os familiares dos espíritos que por ele traziam suas mensagens do Além.
No entanto, o leitor observará, à saciedade, a incrível citação de nomes, fatos, dados, etc., aos quais o médium não tinha acesso algum.
MENSAGENS RECEBIDAS POR CHICO XAVIER DE ALGUNS ESPÍRITOS QUE VIVERAM NA REGIÃO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO Do acidente de ônibus que dizimou 59 adolescentes no Rio Turvo, em 1960 Explicações necessárias Mensagem de William José Guagliardi Mensagem de Maura Araújo Javarini Mensagem do antigo diretor clínico do Hospital "Bezerra de Menezes" Mensagem do dr. Orlando Van Erven Filho Por ocasião de uma visita de Chico Xavier à cidade de Mirassol Mensagem comunicando socorro espiritual prestado ao recém desencarnado Nelson Tenani
Transcrito da obra "Vida no Além", editora Grupo Espírita Emmanuel S/C Editora - G.E.E.M. de autoria de Caio Ramacciotti e Francisco Cândido Xavier, com mensagens recebidas pelo médium e dirigidas a familiares de espíritos que viveram na região de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, Brasil.
Equipe Consciesp
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h28
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O PODER ESPIRITUALIZADOR DA MÚSICA
O presente estudo pretende refletir sobre a influência que a música, assim como as artes em geral, exerce sobre o comportamento espiritual do ser humano.
A música e sua origem divina
De acordo com escrituras e mitologias de todos os povos a música, assim como as demais expressões da arte, foram trazidas aos homens pelos deuses. Na remota antiguidade, a música era empregada com a sagrada finalidade de reverenciar o Ser Supremo. Sua finalidade era a de expressar as cosmogonias, elevar a alma humana às alturas das esferas espirituais. Todas as expressões artísticas desenvolveram-se á luz dos ritos iniciáticos, com a finalidade de expandir a consciência dos inciados durante as cerimônias sagradas, abrindo-lhes a captação psíquica para experiências transcendentes.
Com o tempo a arte saiu do âmbito dos templos e do sagrado, vulgarizou-se, caiu na banalização das massas, passando a refletir seus instintos inferiorizados, anseios embrutecidos e a desmesurada ambição pelo lucro e a fama.
O poder oculto da música
Atualmente a ciência, sobretudo no campo da medicina e da psicologia, vêm redescobrindo verdades e conhecimentos que os antigos sábios detinham sobre o poder oculto da música.
Hoje sabemos que basta estarmos no campo audível da música para que sua influência atue constantemente sobre nós, acelerando ou retardando, regulando ou desregulando as batidas do coração; relaxando ou irritando os nervos; influindo na pressão sanguínea, na digestão e no ritmo da respiração, exercendo alterações sobre os processos puramente intelectuais e mentais.
Modernos pesquisadores estão começando a descobrir que a música influi no caráter do indivíduo e, ao influir em seu caráter, significa alterar o átomo ou unidade básica — a pessoa — com a qual se constrói toda a sociedade.
Os grandes sábios da China antiga até o Egito, desde a Índia até a idade áurea da Grécia acreditavam que há algo imensamente fundamental na música que lhe dá o poder de fazer evoluir ou degradar completamente a alma do indivíduo e, desse modo, fazer ou desfazer civilizações inteiras.
Assim, "uma inovação no estilo musical tem sido invariavelmente seguida de uma inovação na política e na moral", conclui um estudioso moderno.
O Messias de Handel
A influência da música sobre o nosso comportamento é algo que desperta cada vez mais o interesse dos estudiosos. Ela pode influenciar no comportamento de toda uma nação, como por exemplo ocorreu com o rei George III, na Abadia de Westminster, durante uma apresentação de Handel. A certa altura da apresentação da obra o Messias (o coro da Aleluia) (clique e ouça) o rei se pôs em pé, sinal para que todo o público se levantasse. Ele estava chorando. Nada jamais o comovera tão vigorosamente. Dir-se-ia um grande ato de assentimento nacional às verdades fundamentais da religião.
Os diferentes tipos de música levam-nos a manifestar comportamento mentais-emocionais específicos. Em certas circunstâncias, somos induzidos a alterar procedimentos em função dos diferentes estados de consciências que a música, involuntariamente, pode nos levar a alcançar. Assim, sob sua influência, podemos tomar a decisão impulsiva e decisiva para iniciar ou terminar um determinado relacionamento amoroso, ou ainda, quem sabe, aumentar ou diminuir a velocidade de nosso carro num lugar inapropriado.
Rossini fala a Kardec sobre a música espírita (imaterial)
Em contatos com Allan Kardec, nas reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o espírito do músico e compositor clássico Gioachino Rossini, por solicitação do codificador, falou sobre alguns aspectos espirituais da música e sua influência no comportamento espiritual do homem.
Rossini fora um músico extremamente bem sucedido, tendo recebido do rei de França os cargos de Primeiro Compositor do Rei e Inspetor Geral de Canto, recebendo um salário invejável. Esbanjou talento — foi contratado exclusivo do Teatro de Milão durante vinte anos, autor de 30 óperas, reconhecido como a "personalidade mais brilhante que jamais dourou as páginas do livro musical do mundo contemporâneo".
Mas, no além, diante da solicitação de Allan Kardec, ele se julga incapacitado para discorrer a respeito da finalidade transcendente da música, prometendo estudar o assunto, lá, nos domínios espirituais para, numa outra oportunidade, voltar a falar aos membros da Sociedade.
Lembra Rossini ao codificador do espiritismo que a embriaguez do êxito, a complacência dos amigos e as lisonjas dos cortejadores muitas vezes lhe tiraram o meio de reconhecer suas fraquezas morais, turvando-lhe o discernimento sobre a sublime finalidade da arte musical.
Numa posterior comunicação ele volta para expor suas novas idéias. Começa redefinindo o conceito de harmonia, comparando-a com a luz. Assim ele se expressa: "Fora do mundo material, isto é, fora das causas tangíveis, a luz e a harmonia são de essência divina. A posse de uma e outra está na razão dos esforços empregados para adquiri-las, elas que são duas sublimes alegrias da alma, filhas de Deus e, portanto, irmãs", querendo dizer com isso que um refinado executante ou ouvinte de música, do ponto de vista espiritual, é alguém que conquistou algo de luz e harmonia em si mesmo.
A harmonia é um sentido íntimo da alma
O espírito de Rossini inicia sua mensagem propondo um novo conceito sobre a expressão HARMONIA, comparando-a com a luz. Para ele, ambas são uma espécie de sentidos íntimos da alma, estados transcendentes do ser. Explica que a alma é apta a perceber a harmonia, mesmo sem o auxílio de qualquer instrumentação, como é apta a perceber a luz sem o concurso das combinações materiais.
"Quanto mais desenvolvidos são esses sentidos íntimos da alma, tanto melhor percebe ela a luz e a própria harmonia", ensina.
As diferentes harmonias do espaço
O espírito do grande maestro se diz espantado ao contemplar as diferentes harmonias do espaço. Diz serem constituídas por inúmeros e diferentes graus, conhecidos e desconhecidos, dispersos e ocultos no éter infinito. Essas diferentes harmonias, percebidas separadamente, constituem a harmonia particular de cada grau.
A boa música transporta a alma às elevadas esferas do mundo moral
Explica que nos graus inferiores, essas harmonias são elementares e grosseiras. Nos graus superiores, levam ao êxtase. Revela que "quando é dado ao espírito inferior deleitar-se com os encantos das harmonias superiores, o êxtase o arrebata e a prece lhe penetra o íntimo". Informa que a música é um tipo de "encantamento que o transporta às elevadas esferas do mundo moral". Imerso nas vibrações de uma música superior, o espírito então "entra a viver uma vida superior à sua e assim deseja continuar a viver para sempre". Contudo, cessada a harmonia que o penetra, "ele desperta para a realidade da sua situação e, dos lamentos que lhe escapam por haver descido, nasce-lhe o desejo de adquirir forças para de novo elevar-se — e aí tem ele um grande motivo de emulação".
Concluímos, portanto, que a música superior contribui para a elevação espiritual do ouvinte — ou do executante — quando dela sabe-se tirar bom proveito.
O espírito do músico atua sobre o fluido universal (ou energia cósmica) através de seu sentimento.
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h02
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AS RELIGIÕES CRISTÃS E AS COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS
Se a lei de Moisés deve ser rigorosamente observada sobre a questão das evocações, não deveria ser igualmente observada em todos os seus outros aspectos?
Pergunta o codificador: "Por que seria boa a lei de Moisés no que se refere às evocações e má em outras partes?"
Esta pergunta de Allan Kardec força-nos a reconhecer que, se a lei mosaica não está mais em harmonia com os nossos costumes e a nossa época, para certas coisas, não há razão para que ela não esteja quanto à proibição de que se trata.
Aliás, é importante compreender os motivos que provocaram essa proibição. Certamente eles tinham sua razão de ser naquela época, no entanto, seguramente, hoje não existem mais.
As evocações eram motivo de abuso e desrespeito aos mortos. O legislador hebreu queria que seu povo rompesse com todos os costumes trazidos do Egito, onde o das evocações estava em uso e eram um motivo de abuso, como provam citações de Isaías (Cap XIX, v. 3).
Como não apenas no Egito ocorriam essas práticas, por política, devia Moisés inspirar aversão ao seu povo para que refutasse todos esses seus costumes assimilados. Para motivar essa aversão, era preciso apresentá-los como reprovados pelo próprio Deus, por isso disse: "O Senhor tem abominação a todas essas coisas, e destruirá, à vossa chegada (note-se que o texto trata de uma situação circunstancial referente a espisódios específicos da época) as nações que cometem esses crimes."
Justificativas para a proibição de Moisés
E quais seriam esses crimes que justificavam essa proibição de Moisés senão a falta de respeito e afeição pelos mortos, que ocorriam sem nenhum sentimento de piedade? Os mortos eram evocados simplesmente como meio de adivinhação, da mesma qualidade que os augúrios e os presságios, explorados pelo charlatanismo e pela superstição.
Mesmo assim essa proibição não adiantou e esse costume não foi desenraizado, convertendo-se em objeto de um tráfico, assim como o atestam passagens seguintes do profeta Isaías
Esses textos de Isaías provam claramente que, nesse tempo, as evocações tinham por objetivo a adivinhação, e que delas se fazia um comércio. Estavam associadas às práticas da magia e da feitiçaria, até mesmo acompanhadas de sacrifícios humanos. Moisés, pois, tinha toda razão em proibir essas coisas e de dizer que Deus as tinha em abominação. Essas práticas supersticiosas se perpetuaram até a idade média.
O espiritismo veio mostrar o objetivo exclusivamente moral, consolador e religioso das relações de além-túmulo
Allan Kardec deixa muito claro que hoje o espiritismo "veio mostrar o objetivo exclusivamente moral, consolador e religioso das relações de além-túmulo, já que os espíritas não ‘sacrificam as crianças pequenas, nem derramam licores para honrar os deuses’, que não interrogam nem os astros nem os mortos, nem aos augúrios para conhecerem o futuro que Deus sabiamente ocultou aos homens; que repudiam todo tráfico da faculdade que alguns receberam de se comunicarem com os espíritos; que não são movidos nem pela curiosidade, nem pela cupidez, mas por um sentimento piedoso e pelo desejo de se instruírem, de se melhorarem e de aliviarem as almas sofredoras".
Portanto, refuta Allan Kardec, "a proibição de Moisés não lhes cabe de modo algum. Quem atribui essa proibição de Moisés ao espiritismo não aprofundou melhor no sentido das palavras bíblicas pois não há nenhuma analogia entre o que se passava com os hebreus e os princípios contidos na doutrina espírita atual. Bem mais: o espiritismo condena precisamente o que motivava a proibição de Moisés. Mas, cegos pelo desejo de encontrarem um argumento contra as idéias novas, não perceberam que, esse argumento é completamente falso".
A lei civil de nossos dias pune todos os abusos que Moisés queria reprimir
Moisés decretou a pena de morte contra os delinqüentes porque precisava de meios rigorosos para governar um povo indisciplinado. A pena de morte está prodigalizada em sua legislação por não haver outras escolhas em seus meios de repressão. Não existiam prisões, nem casas de correção no deserto e seu povo não era de natureza a temer penas puramente disciplinares.
Portanto, erradamente se apóiam as religiões cristãs modernas quando apelam para a severidade do castigo da lei mosaica para provar o grau de culpabilidade da evocação dos mortos. Seria preciso, por respeito a Moisés, manter a pena capital para todos os casos em que ele a aplicava? Aliás, por que reviver com tanta insistência esse artigo, quando se silencia o começo do capítulo que proíbe aos sacerdotes possuírem bens da Terra, de terem parte em alguma herança, porque é o próprio Senhor a sua herança? (Deuteronômio,
As duas partes distintas na lei de Moisés
Allan Kardec chama a atenção para uma outra questão muito importante nessa questão. Diz o cofificador do espiritismo: "Há duas partes distintas na lei de Moisés: a lei de Deus propriamente dita, promulgada no Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, apropriada aos costumes e ao caráter do povo; uma é invariável, a outra se modifica segundo os tempos, e não pode vir ao pensamento de ninguém que possamos ser governados pelos mesmos meios que os hebreus no deserto, não menos que os capitulares de Carlos Magno não poderiam se aplicar na França do décimo-nono século. Quem sonharia, por exemplo, reviver hoje este artigo da lei mosaica: "Se um boi fere com seu chifre um homem ou uma mulher, e que disso morram, o boi será lapidado, e não se comerá de sua carne; mas o dono do boi será julgado inocente." Este artigo, que nos parece tão absurdo, não tinha, todavia, por finalidade punir o boi e pagar o seu senhor, simplesmente, equivalia ao confisco do animal, por causa do acidente, para obrigar o proprietário a mais vigilância. A perda do boi era a punição ao seu dono, punição que devia ser bastante sensível, em um povo pastor, para que não fosse necessário inflingir-lhe outra; entretanto, ela não devia aproveitar a ninguém, por isso era proibido comer-lhe a carne. Outros artigos estipulam o caso em que o dono é responsável.
Tudo tinha a sua razão de ser na legislação de Moisés, porque tudo nela está previsto até os mínimos detalhes; mas a forma, assim como o fundo, estavam segundo as circunstâncias onde ele se encontrava. Certamente, se Moisés retornasse hoje para dar um código a uma nação civilizada da Europa, não lhe daria o dos Hebreus.
Se todas as leis de Moisés são divinas por que os mandamentos estão limitados ao Decálogo?
Prossegue o codificador: "A isso se objeta que todas as leis de Moisés foram editadas em nome de Deus, tanto quanto a do Sinai. Se todas são julgadas de fonte divina, por que os mandamentos estão limitados ao Decálogo? É, pois, que se fez a diferença; se todas emanam de Deus, todas são igualmente obrigatórias, por que não são todas observadas?
Por que, além disso, não se conservou a circuncisão que Jesus sofreu e que não aboliu? Esquece-se que todos os legisladores antigos, para darem mais autoridade às suas leis, disseram recebê-las de uma divindade. Moisés tinha, mais que nenhum outro, necessidade desse apoio, em razão do caráter do seu povo; se, apesar disso, teve dificuldade em se fazer obedecer, teria sido bem pior se fossem promulgadas em seu próprio nome. Jesus não veio modificar a lei mosaica, e sua lei não é o código dos cristãos? Não disse ele:
"Aprendestes que foi dito aos Antigos tal e tal coisa, e eu vos digo outra coisa?" Mas, tocou na lei do Sinai? de nenhum modo; sancionou-a, e toda a sua doutrina moral dela não é senão o desenvolvimento. Ora, em nenhuma parte ele fala da proibição de evocar os mortos. Entretanto, era uma questão bastante grave, para que não a tivesse omitido em suas instruções, quando tratou de questões mais secundárias."
Equipe Consciesp
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h20
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PORQUE DIZEM QUE O ESPÍRITO É SEDUTOR?
Interessante é o fato de que a doutrina espírita, codificada por Allan Kardec, cada vez mais expande em número de adeptos e conquista simpatizantes nos meios mais esclarecidos. Sua literatura espiritualizadora é a mais absorvida por pessoas de credos diferentes, além de livre-pensadores e não religiosos.
Seus princípios, tais como a reencarnação, lei de causa e efeito, comunicabilidade mediúnica, são aceitos pela maioria da população, chegando a surpreender em pesquisas de opinião pública especializadas.
E por que isso?
Allan Kardec nos lembra que o materialismo da religião, da ciência e da filosofia ameaçava fazer a sociedade mergulhar nas trevas, afirmando aos homens: O presente é tudo e o futuro não existe.
O espiritismo, no entanto, vem corrigir essa distorção, afirmando: O presente é bem pouco, mas o futuro é tudo. E isso ele o prova por fatos.
Razões da propagação do espiritismo
Conta o codificador que, certa vez, um adversário escreveu, em um jornal, que o espiritismo é cheio de seduções. "Agindo assim", comenta Allan Kardec, "ele não podia, involuntariamente, dirigir-lhe um elogio maior, ao mesmo tempo condenando-se de maneira mais peremptória. Dizer que uma coisa é sedutora, é dizer que ela satisfaz. Ora, eis aqui o grande segredo da propagação do espiritismo. Por que não lhe opõem algo de mais sedutor, para suplantá-lo? Se tal não se faz é porque não se tem nada de melhor a oferecer".
Por que o espiritismo agrada?
Essa pergunta faz o codificador e ele mesmo as responde:
1-) o espiritismo agrada porque satisfaz à aspiração instintiva do homem em relação ao futuro;
2-) porque apresenta o futuro sob um aspecto que a razão pode admitir;
3-) porque a certeza da vida futura faz com que o homem enfrente com paciência as misérias da vida presente;
4-) porque, com a doutrina da pluralidade das existências, essas misérias revelam uma razão de ser, tornam-se explicáveis e, ao invés de ser atribuídas à Providência, em forma de acusação, passam a ser justificáveis, compreensíveis e aceitas sem revolta;
5-) porque é um motivo de felicidade saber que os seres que amamos não estão perdidos para sempre, que os encontraremos e que estão constantemente junto de nós;
6-) porque as orientações dadas pelos espíritos são de molde a tornar os homens melhores em suas relações recíprocas; estes e, além destes, outros motivos que só os espíritas podem compreender.
O materialismo não satisfaz as necessidades instintivas do ser humano
Prossegue o codificador: "Em contrapartida, que sedução oferece o materialismo? O nada! Nele todo o consolo que apresenta para as misérias da vida. Com tais elementos, o futuro do espiritismo não pode ser duvidoso e, todavia, se devemos nos surpreender com alguma coisa, será com o fato de que tenha franqueado um caminho tão rápido através dos preconceitos".
Equipe Consciesp
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h05
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TODO ESPÍRITO IMPERFEITO É SUSCETÍVEL DE REGENERAÇÃO
Você acha que é possível alguém resolver ser mau e ignorante para sempre e nunca se entediar por ter tomado essa decisão? Principalmente se esse alguém descobrir, por observação, que fazer o bem e tornar-se bom é o grande trunfo e a única possibilidade para beneficiar-se a si mesmo, passando a usufruir uma condição muito melhor?
De acordo com a doutrina da Igreja os demônios foram criados bons e tornaram-se maus por sua desobediência. Esses anjos teriam sido colocados primitivamente por Deus no ápice da escala tendo dela decaído. Aqueles que por apatia, negligência, obstinação ou má vontade persistem em ficar, por mais tempo, nas classes inferiores, sofrem as conseqüências dessa atitude e o hábito do mal lhes dificulta a regeneração.
O espiritismo, por outro lado, afirma que os demônios são espíritos ainda imperfeitos, suscetíveis de regeneração, os quais, colocados na base da escala, nela haverão de graduar-se.
Em sua sabedoria, Deus criou todos os espíritos perfectíveis
O espiritismo esclarece que, nem anjos nem demônios são entidades distintas, por isso que a criação de seres inteligentes é uma só. Unidos a corpos materiais, esses seres constituem a Humanidade que povoa a Terra e as outras esferas habitadas. Uma vez libertos do corpo material, passam a integrar o mundo espiritual ou dos espíritos, que povoam os espaços. Deus criou-os perfectíveis e lhes deu por objetivo a perfeição, com a felicidade dela decorrente.
Para que tenha mérito, Deus fez com que a perfeição deva ser alcançada através do esforço próprio
O Criador não deu aos espíritos a perfeição, pois quis que a obtivessem por seu próprio esforço, a fim de que também e realmente lhes pertencesse o mérito. Desde o momento de sua criação que os seres progridem, quer encarnados, quer no estado espiritual. Atingindo o apogeu, tornam-se puros espíritos ou anjos segundo a expressão vulgar, de sorte que, a partir do embrião do ser inteligente até os anjos há uma cadeia em que cada um dos elos assinala um grau de progresso.
Assim, conclui-se que há espíritos em todos os graus de adiantamento, moral e intelectual, conforme a posição em que se acham, na imensa escala do progresso.
Nas classes inferiores estão os espíritos ainda profundamente propensos ao mal
Em todos esses graus existe, portanto, ignorância e saber, bondade e maldade. Nas classes inferiores destacam-se espíritos profundamente propensos ao mal e comprazendo-se com o mal. A estes pode-se denominar demônios, pois são capazes de todos os malefícios que se lhes atribuem. O espiritismo não lhes dá esse nome por se prender ele à idéia de uma criação distinta do gênero humano, como seres de natureza essencialmente perversa, votados ao mal eternamente e incapazes de qualquer progresso para o bem.
Apesar do livre arbítrio, todos os espíritos estão submetidos à Lei do Progresso
A esses espíritos de classes inferiores, chega-lhes porém um dia a fadiga dessa vida penosa e das suas respectivas conseqüências. Eles comparam a sua situação à dos bons espíritos e compreendem que o seu interesse está no bem, procurando então melhorar-se, mas por ato de espontânea vontade, sem que haja nisso o mínimo constrangimento. "Submetidos à lei geral do progresso, em virtude da sua aptidão para ele não progridem, ainda assim, contra a vontade". Deus fornece-lhes constantemente os meios, porém, com a faculdade de aceitá-los ou recusá-los. Se o progresso fosse obrigatório não haveria mérito e Deus que que todos tenhamos o mérito das nossa obras. Ninguém é colocado em primeiro lugar por privilégio; mas o primeiro lugar a todos é franqueado à custas do esforço próprio.
Os anjos mais elevados conquistaram a sua graduação, passando, como os demais, pela rota comum
Chegados a determinado grau de pureza, os espíritos têm missões adequdas ao seu progresso. Preenchem assim todas as funções atribuídas aos anjos de diferentes categorias.
Equipe Consciesp
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h57
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