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ESPÍRITOS QUE ALCANÇARAM A PERFEIÇÃO

Allan Kardec esclarece que também a revelação espírita confirma, conforme a crença de todos os povos, a existência de seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos. Mais do que isso, faz conhecer a origem e a natureza desses seres.

Espíritos que alcançaram a perfeição

Ao contrário do que os dogmas estabelecem, os anjos não foram criados por Deus puros e perfeitos — revelam os espíritos a Allan Kardec. Segundo essas revelações, as almas ou espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, mas aptos para adquirir o que lhes falta e isso conseguem pelo trabalho. Chegam à perfeição mais ou menos prontamente em virtude do livre arbítrio e na razão direta dos próprios esforços. Todos têm os mesmos degraus por onde passar, o mesmo trabalho para concluir.

Deus não favorece mais a uns do que a outros, pois é justo, uma vez que todos são seus filhos, não há predileções.

Árbitros da própria sorte

Allan Kardec, desenvolvendo as revelações dos espíritos, assim conceitua os mecanismos da criação divina: "A lei que deve constituir a norma de conduta estabelecida pelo Criador às suas criaturas só pode levá-las ao objetivo. Tudo o que for conforme a essa lei é o bem. Tudo o que lhe for contrário a essa lei é o mal. As criaturas têm inteira liberdade de observar ou infringir a lei e assim serão árbitros da própria sorte.

Dentro deste conceito percebe-se claramente que Deus não criou o mal. Na verdade, suas leis são para o bem e foi o homem que criou esse mal divorciando-se das leis. Se ele as observasse escrupulosamente, nunca se desviaria do bom caminho".

A alma, como criança, é inexperiente nas primeiras fases da existência e por isso é falível

Na jornada ascensional, Deus não dota a alma de experiência, mas dá-lhe meios de adquiri-la. Um passo dado na senda do mal é um atraso para a alma. Ao errar, a alma sofre as conseqüências do erro cometido, o que lhe faz aprender, por experiência própria, o que lhe importa evitar.

A pedagogia divina, portanto, consiste em permitir que a criatura erre para experimentar conseqüências, por si mesma, assimilando no tempo e na diversidade das experiências, o que melhor lhe convém.

À medida que se desenvolve, a alma aperfeiçoa e adianta na hierarquia espiritual até o estado de puro espírito

Sendo assim, em conseqüência de seus méritos próprios, os anjos são as almas dos homens chegados ao grau de puro espírito ou anjos. Ao chegarem neste estado, fruem em sua plenitude a prometida felicidade.

Com isso, os espíritos enfatizaram a Allan Kardec que a perfeição não se ganha de mão beijada, como um favor divino, mas conquista-se pelo trabalho e pelo esforço. E o tempo despendido nesse trabalho e nesse esforço tem por resultado a evolução.

Antes de atingir o grau supremo, as almas gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes e por cujo desempenho se sentem ditosas, tendo ainda nele um meio de progresso. Porque aos espíritos evoluídos é motivo de alegria trabalhar, em colaboração com o Criador, pela grande obra divina.

Em outros mundos, espíritos percorreram as mesmas fases que ora percorrem os de mais recente formação

Os espíritos deixam muito bem claro que a humanidade não se limita à Terra e nem às suas dimensões, mas sim, habita inúmeros mundos que no espaço circulam. Já habitou os desaparecidos e habitará aqueles que se formarem. Tendo-a criado de toda a eternidade, Deus jamais cessa de criá-la.

Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h18
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E DEUS CRIOU-NOS SIMPLES E IGNORANTES

A questão da evolução continua suscitando muitas contradições nos meios religiosos, científicos e filosóficos e não deveria ser de outro modo.

A filosofia espírita tem uma postura muito clara, com relação a teoria da evolução pela seleção das espécies, proposta por Darwin, e os espíritas não se preocupam nem um pouco com o fato de que essa evolução tenha tido início a partir de um tronco comum entre homens e macacos.

Na mesma época em que Darwin falava da evolução das espécies, os espíritos falavam a Allan Kardec sobre a evolução do espírito, através das existências sucessivas.

As primeiras vestimentas do espírito

Sobre isso, Allan Kardec pondera, com muita propriedade, a partir das revelações espirituais por ele colhidas, que "corpos de macacos teriam sido muito adequados a servir de vestimentas aos primeiros espíritos humanos necessariamente pouco avançados, que vieram encarnar-se na terra. Tais corpos terão sido os mais apropriados a suas necessidades, e mais próprios ao exercício de suas faculdades, que o corpo de qualquer outro animal".

Essa afirmação do codificador é uma das que deve derrubar o muro divisor entre o pensamento empírico-científico e o pensamento mítico-dogmático religioso vigente.

"Em lugar de ter sido necessário fazer-se um vestuário especial para o espírito, ele já encontrou um feito", raciocina o codificador em cima da teoria da evolução das espécies que, por sua vez, corrobora a "teoria" da evolução do espírito, revelada pelo alto.

E o tronco se bifurcou

Para o codificador, o espírito, em fase primária de evolução, "vestiu a pele do macaco, sem contudo, deixar de ser espírito humano, como o homem se reveste às vezes da pele de certos animais, sem cessar de ser homem".

Assim, "por efeito da atividade intelectual de seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou seus detalhes, sempre conservando a forma geral do conjunto. Os corpos melhorados, ao se procriarem, reproduziram-se nas mesmas condições, semelhantes a árvores enxertadas, dando nascimento a uma nova espécie que, pouco a pouco, se afastava do tipo primitivo, à medida que o espírito progredia".

"Obviamente o espírito do macaco não foi aniquilado. Continuou a procriar corpos de macaco para seu uso tal como o fruto da árvore silvestre reproduz as mesmas. E o espírito humano procriou corpos humanos, variantes do primeiro molde onde se estabeleceu. O tronco, então, se bifurcou, produziu vergônteas, que tornaram-se troncos", explica o educador de Lyon.

Os primeiros homens pouco diferiam do macaco em sua forma exterior

"Como não há transições bruscas na natureza", prossegue, "é provável que os primeiros homens que apareceram sobre a Terra pouco diferissem do macaco em sua forma exterior, e sem dúvida também quanto à sua inteligência. Mesmo atualmente ainda há selvagens que, pelo comprimento dos braços e dos pés, e pela conformação da cabeça, certamente têm traços de macaco faltando apenas serem peludos para completar a semelhança".

Assim como há provas paleontológicas, anatômicas e embrionárias que falam a favor da evolução.

A conquista da perfeição é a suprema meta do espírito

Mas de tudo isso, o que realmente nos interessa é o fato de que somos nós os protagonistas desse processo evolutivo, quer aceitemos isso ou não.

Conforme os espíritos revelaram ao codificador, o processo da evolução —que se dá pelo aperfeiçoamento do corpo e do espírito, através da reencarnação— tem por finalidade divina impor-se aos homens com o fim de levá-los à perfeição.

Mas para chegar a essa perfeição, não há como não sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea e nisto é que está a expiação.

De acordo com essas revelações, a encarnação na Terra tem ainda outra finalidade, que é a de pôr o espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da criação.

O espírita aprende a valorizar a possibilidade de poder tornar-se mais e melhor

Sobre essa necessidade do espírito manifestar-se materialmente para o seu progresso, reflete o codificador: "a ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do universo. Mas Deus, na sua sabedoria, quis que eles tivessem, nessa mesma ação, um meio de progredir e de se aproximarem dele, por uma lei admirável de sua providência, onde tudo se encadeia e se solidariza na natureza".

Pelo que disse o Divino Mestre: "Sêde perfeitos, como perfeito é vosso Pai que está nos céus".

Por aprender a valorizar a possibilidade de poder tornar-se mais e melhor, pelo simples bom senso, o espírita passa a ser muito objetivo na reforma de si mesmo, pelo autoconhecimento e a prática efetiva do bem, pois já percebeu que a perfeição não pode ser alcançada de um dia para o outro, conforme o reconhecimento sincero de nossa pequenez atualmente pode atestar...

Equipe Consciesp


Escrito por EDUARDO BARROS às 06h40
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O MAIOR DOS MILAGRES REALIZADOS POR JESUS

Fica evidente, hoje em dia, na maioria dos círculos cristãos, a ênfase dada aos milagres atribuídos a Jesus, conforme narram os Evangelhos. Na interpretação teológica desses círculos Jesus é medido, em grandeza e poder divinos, na razão direta de seus feitos extraordinários.

Contudo, é óbvio que essa interpretação ofusca a essência libertadora de sua mensagem, que é de esforço e sublimação pessoal em busca da realização do divino e acaba incentivando a fé imediatista, mercantilista e descomprometida com a efetiva transformação moral do indivíduo.

A Doutrina Espírita sempre procurou descaracterizar a excelência dos ensinamentos do Divino Mestre, assim como a singularidade de sua personalidade espiritual, do frágil terreno do "sobrenatural e do maravilhoso".

Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, em sua obra "A Gênese", após amadurecido estudo refere-se ao maior de todos os milagres de Jesus, ao qual o homem contemporâneo ainda não soube avaliar.

"O maior dos milagres feitos por Jesus, aquele que atesta realmente a sua superioridade, é a revolução que os seus ensinamentos realizaram no mundo, malgrado a exigüidade de seus meios de ação.

Com efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na mais humilde condição, no seio de um pequeno povo, quase ignorado e sem preponderância política, artística ou literária, pregou somente durante três anos.

Neste curto espaço de tempo, foi mal compreendido e perseguido por seus compatriotas, caluniado, tratado como impostor. Foi obrigado a fugir para não ser lapidado. Foi traído por um de seus discípulos, negado por outro, abandonado por todos no momento em que caiu nas mãos de seus inimigos.

Só praticava o bem e isto não o colocou ao abrigo da maldade que fazia voltar-se contra ele os próprios benefícios que semeava.

Condenado ao suplício reservado aos criminosos, morreu ignorado do mundo, pois a História contemporânea cala-se a seu respeito (o historiador judeu Josefo é o único que fala nele, dizendo, aliás, pouca coisa).

Nada escreveu e, no entanto, auxiliado por homens obscuros como ele, sua palavra foi suficiente para regenerar o mundo.

Sua doutrina aniquilou o paganismo todo-poderoso, e tornou-se o facho da civilização.

Tinha, pois contra ele tudo o que pode fazer fracassar os homens, e é por isso que dizemos que o triunfo de sua doutrina é o maior de seus milagres, provando ao mesmo tempo sua missão divina.

Se, em lugar de princípios sociais e regeneradores fundados sobre o futuro espiritual do homem, Ele não tivesse a oferecer à posteridade senão alguns fatos maravilhosos, talvez mal o conhecessem de nome."

(Trecho transcrito de "A Gênese", cap. XV item 63)



Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h09
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O REAL PERIGO DO ESPIRITISMO

Allan Kardec é bem claro quando diz que a fascinação é o perigo real a que está sujeito o espírita de índole presunçosa. E ele bate muitas vezes nessa tecla, mostrando as sutilezas através das quais a fascinação vai se instalando no médium, no doutrinador, no grupo e sabe Deus por onde mais...

Ao estudarmos a mediunidade, esmiuçada em todas as suas nuances, através da obra do codificador, percebemos nitidamente sua complexidade, ao mesmo tempo o quanto ela exige sacrifício, paciência, estudo, humildade e, sobretudo, discernimento.

A verdade é que o espírita possui, no conjunto de sua literatura básica, um manancial incomparável, capaz de conduzi-lo com liberdade e segurança pelas diferentes veredas de sua jornada espírita.

Contudo, infelizmente, nem sempre é assim.

Sobre este perigo espírita, que na verdade só é perigoso para quem se presume "diferente" ou "especial", nunca é demais meditarmos sobre as reflexões de Allan Kardec.

Diz ele: "O perigo não está propriamente no Espiritismo, desde que este, ao contrário, pode servir de controle, preservando-nos daquilo a que, mau grado nosso, estamos expostos; o perigo está na propensão de certos médiuns para mui levianamente, se crerem instrumentos exclusivos de Espíritos superiores e da espécie de fascinação que não os deixa compreender as tolices de que são intérpretes. Aqueles mesmos que não são médiuns podem ser arrastados".

E o nobre emissário da Terceira Revelação nos deixa as seguintes instruções:

1.º - Todo médium deve prevenir-se contra o irresistível empolgamento que o leva a escrever sem cessar e até em momentos inoportunos; deve ser senhor de si e não escrever senão quando o quer;

2.º - Não dominamos os Espíritos superiores, nem mesmo aqueles que, não sendo superiores, são bons e benevolentes; mas podemos dominar e domar os Espíritos inferiores. Aquele que não é senhor de si não o pode ser dos Espíritos.

3.º - Não há outro critério, senão o bom senso, para discernir o valor dos Espíritos. Qualquer fórmula dada para esse fim pelos próprios Espíritos é absurda e não pode emanar de Espíritos superiores.

4.º - Os Espíritos, como os homens, são julgados por sua linguagem; toda expressão, todo pensamento, todo conceito, toda teoria moral ou científica que choque o bom senso ou não corresponde à idéia que fazemos de um Espírito puro e elevado, emana de um Espírito mais ou menos inferior;

5.º - Os Espíritos superiores tem sempre a mesma linguagem com a mesma pessoa e jamais contradizem;

6.º - Os Espíritos superiores são sempre bons e benevolentes; em sua linguagem jamais encontramos acrimônia, arrogância, aspereza, orgulho, basófia ou tola presunção: falam com simplicidade, aconselham e se retiram quando não são ouvidos;

7.º - Não devemos julgar os Espíritos por sua forma material nem pela correção da linguagem, mas sondar-lhes o íntimo, perscrutar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção: qualquer fuga ao bom senso, à razão e à sabedoria não pode deixar dúvidas quanto à sua origem, seja qual for o nome com que se mascare o Espírito;

8.º - Os Espíritos inferiores receiam os que lhes analisam as palavras, desmascaram as torpezas e se não deixam prender por seus sofismas; às vezes tentam erguer a cabeça, mas acabam sempre fugindo, quando se sentem fracos;

9.º - Aquele que em tudo age tendo em vista o bem eleva-se acima das vaidades humanas, expele do coração o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ciúme e o ódio e perdoa aos seus inimigos pondo em prática esta máxima de Cristo: "Fazer aos outros como quereria que fosse feito a si mesmo"; simpatiza com os bons Espíritos, enquanto que os maus o temem e dele se afastam. Seguindo estes preceitos, garantimo-nos contra as más comunicações, contra o domínio dos Espíritos impuros e, aproveitando tudo quanto nos ensinam os Espíritos verdadeiramente superiores, contribuiremos, cada um por nossa parte, ao progresso moral da Humanidade".

Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h16
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A VIRTUDE MAIS MERITÓRIA

Propõe Allan Kardec aos espíritos responsáveis pela codificação qual seria a mais meritória de todas as virtudes. Deles obteve a seguinte resposta que nos sugere grave reflexão:

"Todas as virtudes têm o seu mérito, porque todas são indícios de progresso no caminho do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das más tendências. Mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse pessoal para o bem do próximo, sem segunda intenção. A mais meritória é aquela que se baseia na caridade mais desinteressada".

O hábito de fazer o bem

Segundo os bons espíritos, essa caridade é espontânea, sem necessidade de luta interior, nas pessoas que já realizaram o progresso: lutaram anteriormente e venceram. Assim, os bons sentimentos não lhes custam nenhum esforço e suas ações lhes parecem tão fáceis: o bem tornou-se para eles um hábito. Deve-se honrar pessoas assim "como a velhos guerreiros que conquistaram suas posições", ensinam.

Como estamos ainda longe da perfeição, esses exemplos nos espantam pelo contraste e admiramos tanto mais porque são raros. No entanto, nos mundos interdimensionais mais avançados que o nosso, isso que nos é exceção se torna regra.

O indício mais característico da imperfeição

Informam os espíritos orientadores que, na avaliação dos tribunais da justiça divina (e da consciência), à parte de nossos defeitos e os vícios sobre os quais ninguém se enganaria, o mais característico indício da imperfeição é o interesse pessoal.

Segundo ensinam, as qualidades morais são geralmente como a douração de um objeto de cobre, que não resiste à pedra de toque. "Um homem pode possuir qualidades reais que o fazem para o mundo um homem de bem, mas essas qualidades, embora representem um progresso, não suportam em geral a certas provas, e basta ferir a tecla do interesse pessoal para se descobrir o fundo".

Indício notório de inferioridade

Dizem os espíritos orientadores ao pedagogo de Lyon: "O verdadeiro desinteresse é de fato tão raro na Terra que se pode admirá-lo como a um fenômeno, quando ele se apresenta. O apego às coisas materiais é um indício notório de inferioridade, pois, quanto mais o homem se apega aos bens deste mundo, menos compreende o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, ele prova que vê o futuro de um ponto de vista elevado".

E acrescentam: "À medida que os homens se esclarecem sobre as coisas espirituais, dão menos valor às materiais; em seguida, é necessário reformar as instituições humanas, que o entretêm e o excitam. Isso depende da educação".

É necessário que o egoísmo produza muito mal para fazer compreender a necessidade de sua extirpação

O egoísmo, que longe de diminuir, cresce com a civilização, que parece excitá-lo e entretê-lo apresenta-se como um grande mal. E quanto maior é o mal mais horrível se torna. "Quando os homens se tiverem despido do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, não se fazendo o mal e se ajudando reciprocamente pelo sentimento fraterno de solidariedade. Então o forte será o apoio e não o agressor do fraco, e não se verão homens desprovidos do necessário, porque todos praticarão a lei de justiça. Esse é o reino do bem que os Espíritos estão encarregados de preparar".

O meio de se destruir o egoísmo

Pela prática da abnegação se combate a predominância da natureza corpórea, geradora do egoísmo. Dessa forma o Espírito triunfará sobre a matéria.

Em sua lógica irrefutável, esclarecem os benfeitores espirituais que, de todas as imperfeições humanas, "a mais difícil de desenraizar é o egoísmo, porque se liga à influência da matéria, da qual o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pôde libertar-se. Tudo concorre para entreter essa influência: suas leis, sua organização social, sua educação. O egoísmo se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material, e sobretudo, com a compreensão que o espiritismo vos oferece quanto ao vosso estado futuro real e não desfigurado pelas ficções alegóricas. O egoísmo se funda na importância da personalidade. Ora, o espiritismo bem compreendido, faz ver as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece de alguma forma perante a imensidade. Ao destruir essa importância, ou pelo menos ao fazer ver a personalidade naquilo que de fato ela é, combate necessariamente o egoísmo".

O princípio da caridade e da fraternidade se opõe ao egoísmo

É pelo contato que o homem experimenta do egoísmo dos outros que o torna geralmente egoísta, porque sente a necessidade de se por na defensiva.

No contexto genuinamente cristão, os bons espíritos asseguram que somente "o princípio da caridade e da fraternidade deve ser a base das instituições sociais, das relações legais de povo para povo e de homem para homem, e este pensará menos em si mesmo quando vir que os outros o fazem. Sofrerá, assim, a influência moralizadora do exemplo e do contato".

Explica Fénelon a Kardec: "em face do atual desdobramento do egoísmo, é necessária uma verdadeira virtude para abdicar da própria personalidade em proveito dos outros que em geral não o reconhecem. É a esses, sobretudo, que possuem essa virtude, que está aberto o reino dos céus; a eles, sobretudo, está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo, no dia do juízo quem quer que não tenha pensado senão em si mesmo será posto de lado e sofrerá no abandono".

Estudo elaborado sobre a condensação do cap. XII, Perfeição Moral, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, tradução de J. Herculano Pires, Editora EME.

Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h11
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MARCEL, O MENINO Nº 4

Havia num hospital de província um menino de 8 a 10 anos, cujo estado era difícil precisar. Designavam-no pelo nº 4. Totalmente contorcido, já pela sua deformidade inata, já pela doença, as pernas se lhe torciam roçando pelo pescoço, num tal estado de magreza, que eram pele sobre ossos. O corpo, uma chaga; os sofrimentos, atrozes. Era oriundo de uma família israelita. A moléstia dominava aquele organismo, já de oito longos anos, e no entanto demonstrava o enfermo uma inteligência notável, além de candura, paciência e resignação edificantes. O médico que o assistia, cheio de compaixão pelo pobre um tanto abandonado, visto que seus parentes pouco o visitavam, tomou por ele certo interesse. E achava-lhe um quê de atraente na precocidade intelectual. Assim, não só o tratava com bondade, como lia-lhe quando as ocupações lho permitiam, admirando-se do seu critério na apreciação de coisas a seu ver superiores ao discernimento da sua idade. Um dia, o menino disse-lhe: - "Doutor, tenha a bondade de me dar ainda uma vez aquelas pílulas ultimamente receitadas." Para quê? replicou-lhe o médico, se já te ministrei o suficiente, e maior quantidade pode fazer-te mal... - "É que eu sofro tanto, que dificilmente posso orar a Deus para que me dê forças, pois não quero incomodar os outros enfermos que aí estão. Essas pílulas fazem-me dormir e, ao menos quando durmo, a ninguém incomodo."

Aqui está quanto basta para demonstrar a grandeza dessa alma encerrada num corpo informe. Onde teria ido essa criança haurir tais sentimentos? Certo, não foi no meio em que se educou; além disso, na idade em que principiou a sofrer, não possuía sequer o raciocínio.

Tais sentimentos eram-lhe inatos: - mas então por que se via condenado ao sofrimento, admitindo-se que Deus houvesse concomitantemente criado uma alma assim tão nobre e aquele mísero corpo instrumento dos suplícios?

É preciso negar a bondade de Deus, ou admitir a anterioridade de causa; isto é, a preexistência da alma e a pluralidade das existências.

Os últimos pensamentos desta criança, ao desencarnar, foram para Deus e para o caridoso médico que dela se condoeu. Decorrido algum tempo, foi o seu Espírito evocado na Sociedade de Paris, onde deu a seguinte comunicação (1863):

"A vosso chamado, vim fazer que a minha voz se estenda para além deste círculo, tocando todos os corações. Quem sabe seu eco se faça ouvir na solidão, lembrando-lhes que as agonias da Terra têm por premissas as alegrias do céu; que o martírio não é mais do que a casca de um fruto deleitável, dando coragem e resignação.

"Essa voz lhes dirá que, sobre o catre da miséria, estão os enviados do Senhor, cuja missão consiste na exemplificação de que não há dor insuperável, desde que tenhamos o auxílio do Onipotente e dos seus bons Espíritos. Essa voz lhes fará ouvir lamentações de mistura com preces, para que lhes compreendam a harmonia piedosa, bem diferente da de coros de lamentações mescladas com blasfêmias.

"Um dos vossos bons Espíritos, grande apóstolo do Espiritismo, cedeu-me o seu lugar por esta noite. (Santo Agostinho, pelo médium com o qual habitualmente se comunica na Sociedade). Por minha vez, também me compete dizer algo sobre o progresso da vossa Doutrina, que deve auxiliar em sua missão os que entre vós encarnam para aprender a sofrer. O Espiritismo será a pedra de toque; os padecentes terão o exemplo e a palavra, e então as imprecações se transformarão em gritos de alegria e lágrimas de contentamento.".

- P. Pelo que afirmais, parece que os vossos sofrimentos não eram expiação de faltas anteriores...

R. - Não seriam uma expiação direta, mas asseguro-vos que todo sofrimento tem uma causa justa. Aquele a quem conhecestes tão mísero foi belo, grande, rico e adulado. Eu tivera turiferários e cortesãos, fora fútil e orgulhoso. Anteriormente fui bem culpado; reneguei Deus, prejudiquei meu semelhante, mas expiei cruelmente, primeiro no mundo espiritual e depois na Terra. Os meus sofrimentos de alguns anos apenas, nesta última encarnação, suportei-os eu anteriormente por toda uma existência que ralou pela extrema velhice. Por meu arrependimento reconquistei a graça do Senhor, o qual me confiou muitas missões, inclusive a última, que bem conheceis. E fui eu quem as solicitou, para terminar a minha depuração.

Adeus, amigos; tornarei algumas vezes. A minha missão é de consolar, e não de instruir. Há, porém, aqui muitas pessoas cujas feridas jazem ocultas, e essas terão prazer com a minha presença. Marcel.

Instruções do guia do médium

Pobrezinho sofredor, definhado, ulceroso e disforme! Nesse asilo de misérias e lágrimas, quantos gemidos exalados! E como era resignado... e como a sua alma lobrigava já então o termo dos sofrimentos, apesar da tenra idade! No além-túmulo, pressentia a recompensa de tantos gemidos abafados, e esperava! E como orava também por aqueles que não tinham resignação no sofrimento, pelos que trocavam preces por blasfêmias!

Foi-lhe lenta a agonia, mas terrível não lhe foi a hora do trespasse; certo, os membros convulsos contorciam-se, oferecendo aos assistentes o espetáculo de um corpo disforme a revoltar-se contra a sorte, nessa lei da carne que a todo o custo quer viver; mas, um anjo bom lhe pairava por sobre o leito mortuário e cicatrizava-lhe o coração. Depois, esse anjo arrebatou nas asas brancas essa alma tão bela a escapar-se de tão horripilante corpo, e foram estas as palavras pronunciadas: "Glória a vós, Senhor, meu Deus!" E a alma subiu ao Todo-Poderoso, feliz, e exclamou: "Eis-me aqui, Senhor; destes-me por missão exemplificar o sofrimento... terei suportado dignamente a provação?"

Hoje, o Espírito da pobre criança avulta, paira no Espaço, vai do fraco ao humilde, e a todos diz: - Esperança e coragem. Livre de todas as impurezas da matéria, ele aí está junto de vós a falar-vos, a dizer-vos não mais com essa voz fraca e lastimosa, porém agora firme: "Todos que me observaram, viram que a criança não murmurava; hauriram nesse exemplo a calma para os seus males e seus corações se tonificaram na suave confiança em Deus, que outro não era o fim da minha curta passagem pela Terra." Santo Agostinho.

Allan Kardec



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h03
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FÉ, UMA FORÇA ATRATIVA

Todo o empenho da espiritualidade inferior está focado em semear a dúvida, a descrença, o sofisma da incerteza e do descrédito metafísico, explorando habilmente o leviano e arraigado orgulho humano em não admitir a evidência de um ser superior acima de si mesmo.

Por outro lado, a crença sincera e convicta, não meramente mística e convencional, mas estabelecida pelo esforço de sintonia com esse poder transcendente e benfeitor, tem-nos apresentado fatos surpreendentes ao longo dos séculos.

O ato de crer tem sido o desafio para o ser humano, em todas as épocas. Desejar voltar-se, através de uma convicção sincera e intimamente enaltecedora para sua fonte de origem e se permitir compartilhar, ainda que por breves momentos, na absorção da essência regeneradora da vida... esse o dilema das almas pouco evolvidas.

“Se eu conseguir ao menos lhe tocar nas vestes, ficarei curada”

“Então, uma mulher, que havia doze anos sofria de uma hemorragia; - que sofrera muito nas mãos dos médicos e que, tendo gasto todos os seus haveres, nenhum alívio conseguira, - como ouvisse falar de Jesus, veio com a multidão atrás dele e lhe tocou as vestes, porquanto, dizia: Se eu conseguir ao menos lhe tocar nas vestes, ficarei curada. - No mesmo instante o fluxo sangüíneo lhe cessou e ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade.

“Logo, Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, se voltou no meio da multidão e disse: Quem me tocou as vestes? - Seus discípulos lhe disseram: Vês que a multidão te aperta de todos os lados e perguntas quem te tocou? - Ele olhava em torno de si à procura daquela que o tocara.

“A mulher, que sabia o que se passara em si, tomada de medo e pavor, veio lançar-se-lhe aos pés e lhe declarou toda a verdade. - Disse-lhe Jesus: Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade.” (S. Marcos, cap. V, vv. 25 a 34.)

Irradiação fluídica e cura

Dentro do contexto espírita, esse interessante episódio do Evangelho ilustra com clareza a tão debatida questão da fé e, sobretudo, do movimento fluídico que nele se opera resultando a cura. Em sua obra A Gênese, no capítulo XV, intitulado As Curas do Evangelho, registra Allan Kardec as seguintes observações neste particular:

“Estas palavras: conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas. Exprimem o movimento fluídico que se operara de Jesus para a doente; ambos experimentaram a ação que acabara de produzir-se. É de notar-se que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; não houve magnetização, nem imposição das mãos. Bastou a irradiação fluídica normal para realizar a cura.”

As duas vias da corrente fluídica curadora

O codificador ainda observa: “Mas, por que essa irradiação se dirigiu para aquela mulher e não para outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e tinha a cercá-lo a multidão?”

Ao que o próprio Kardec elucida: “É bem simples a razão. Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente. Com relação à corrente fluídica, o primeiro age como uma bomba calcante e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. O segundo caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos.”

«Tua fé te salvou»

Assim, o binômio metafísico fé e cura ganha nítido sentido diante das leis naturais. Nesse sentido conclui o codificador: “Razão, pois, tinha Jesus para dizer: «Tua fé te salvou.» Compreende-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem, muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação. Assim sendo, também, se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não. É este um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural.” (Cap. XlV, nos 31, 32 e 33.)

Conclusão

Certamente, ao identificar em Jesus a presença viva de todas as suas esperanças, uma singular atitude interior apossou-se daquela humilde e sofrida mulher.

Um tipo de postura íntima em tal nível, experienciado em tamanhas convicção e singeleza, somente pode vivenciar aqueles que, pela nitidez de sua sintonia espiritual, conseguem alcançar as bênçãos abundantes e automáticas da fonte divina, as mesmas que nos chegam, ininterruptas, mas que pela nossa pequenez espiritual nos negamos incontáveis vezes em desfrutá-las.

Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h53
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ALLAN KARDEC


BEZERRA DE MENEZES


MÃE DE JESUS

BICENTENÁRIO DE ALLAN KARDEC

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NOSSA HISTÓRIA DE AMOR

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...Quero dedicar esse blog a minha doce e amada mulher Laura. Agendas e cadernos somem com o tempo... e aqui toda a luz do Espiritismo e o meu amor jamais morrerá para ela.



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