BLOG ESPIRITUALIZADO


VEIO AO MUNDO PARA SERVIR

Na noite de 27 de dezembro de 1861, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Allan Kardec e seus colaboradores obtiveram uma interessante comunicação do espírito Adélaide Marguerite Gosse, que fora uma simples e pobre serva da Normandia, perto de Harfleur.

Com onze anos ingressou no serviço de ricos pecuaristas de sua cidade. Pouco tempo depois, um transbordamento do Seine carregou e afogou todos os animais. Além disso, outras adversidades fizeram com que seus senhores caíssem na mais completa miséria.

Revelando grandeza de espírito, Adélaide voluntariamente encadeou a sua sorte à deles, abafou a voz do egoísmo e os convenceu a aceitarem quinhentos francos poupados por ela, continuando a servi-los mesmo sem salário.

Com a morte de seus senhores, ligou-se à uma filha deles, que se tornara viúva e sem recursos. Trabalhando no campo, passa a compartilhar todo o seu ganho e sua moradia. Casa-se, e seu marido comunga sua decisão e ambos sustentam a pobre mulher a quem ela sempre chama a “sua senhora”. Este sublime sacrifício durou quase meio século.

Essa senhora, digna de tanto respeito e de admiração, foi reconhecida em vida, recebendo uma medalha de honra da Sociedade de emulação de Rouen e uma recompensa em dinheiro. As lojas maçônicas do Havre associaram-se a esse testemunho de estima e lhe ofereceram uma pequena soma para acrescentar ao seu bem-estar. A administração local também reconheceu sua nobreza.

Um ataque de paralisia levou, num instante e sem sofrimento, este ser benfazejo. Os últimos deveres foram-lhe prestados de maneira simples, mas decente. O secretário do conselho municipal foi à frente do cortejo fúnebre.

A comunicação obtida, com finalidade de acrescentar informações sobre os bastidores espirituais da experiência física, resultou no seguinte artigo, conforme consta na obra O Céu e o Inferno, de Allan Kardec (cap VIII, Expiações Terrestres).

EVOCAÇÃO FEITA POR ALLAN KARDEC: Ao Deus onipotente rogamos nós permita a comunicação do espírito de Marguerite Gosse.

PERGUNTA: Felizes nos consideramos em poder testemunhar-vos a nossa admiração pela vossa conduta na Terra, e esperamos que tanta abnegação tenha recebido a sua recompensa.

RESPOSTA: Sim, Deus foi bom e misericordioso para com a sua serva. Tudo quanto fiz, é louvável vos parece, era natural.

PERGUNTA: Podereis dizer-nos, para edificação nossa, qual a causa da humildade de vossa condição terrena?

RESPOSTA: Em duas encarnações sucessivas ocupei posição assaz elevada, sendo me fácil a prática do bem, que fazia sem sacrifício, sendo, como era, rica. Pareceu-me, porém, que me adiantava lentamente, e por isso pedi para voltar em condições mesquinhas, nas quais houvesse o mesmo de lutar com as privações. Para isso me preparei durante longo tempo, e Deus manteve-me a coragem, de modo a poder de atingir o fim a que me propuseram.

PERGUNTA: Já tornastes a ver os antigos patrões? Dizei-nos qual a vossa posição perante eles, e se assim vós considerais subalterna?

RESPOSTA: Vi-os, pois, quando cheguei a este mundo, já aqui estavam. Humildemente vos confesso que me consideram como lhes sendo superior.

PERGUNTA: Tinheis qualquer motivo de afeição para com eles, de preferência a outros quaisquer?

RESPOSTA: Obrigatório, nenhum, visto que em qualquer parte conseguiria meu objetivo. Escolhi-os, no entanto, para retribuir uma dívida de reconhecimento. É que outrora haviam sido benévolos para comigo, prestando-me serviços.

PERGUNTA: Que futuro julgais que vos aguarde?

RESPOSTA: Espero a reencarnação em um mundo onde se não conheçam dores. Talvez me julgueis muito presunçosa, porém, eu vos falo com a vivacidade própria do meu caráter. Além disso, submeto-me a vontade de Deus.

PERGUNTA: Gratos a vossa presença, não duvidamos que Deus vos cumule de benefícios.

RESPOSTA: Obrigada. Assim Deus vos abençoe a todos, para que possais quando desencarnados, gozar das puras alegrias que a mim foram concedidas.

Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h11
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A RAIZ DE TODOS OS MALES

Allan Kardec, durante a codificação da doutrina espírita, ao questionar os bons espíritos que o assessoravam neste propósito, indagou sobre qual seria o vício mais radical de todos, a raiz de todos os males, obtendo deles a seguinte resposta:

“Já o dissemos muitas vezes: o egoísmo. Dele se deriva todo o mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos existe o egoísmo. Por mais que luteis contra eles, não chegareis a extirpá-los enquanto não os atacardes na raiz, enquanto não lhes houverdes destruído a causa. Que todos os vossos esforços tendam para esse fim, porque nele se encontra a verdadeira chaga da sociedade. Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar do seu coração todo sentimento de egoísmo, porque o egoísmo é incompatível com a justiça, o amor e a caridade: ele neutraliza todas as outras qualidades.”

Uma questão de educação espiritual O codificador, então, argumenta que, uma vez estando o egoísmo fundado no interesse pessoal, parece difícil extirpa-lo inteiramente do coração do homem. Seria possível erradicá-lo da natureza humana?

Respondem os espíritos benfeitores: “à medida que os homens se esclarecem sobre as coisas espirituais, dão menos valor às materiais; em seguida, é necessário reformar as instituições humanas, que o entretêm e o excitam. Isso depende de educação”.

O egoísmo é uma condição primária mas transitória na essência da natureza humana

Mas Allan Kardec ainda insiste e pergunta novamente: “sendo o egoísmo inerente à espécie humana, não será um obstáculo permanente ao reino do bem absoluto sobre a Terra?”

Respondem eles: “é certo que o egoísmo é o vosso mal maior, mas ele se liga à inferioridade dos espíritos encarnados na Terra e não à Humanidade em si mesma. Ora, os espíritos se purificam nas encarnações sucessivas, perdendo o egoísmo assim como perdem as outras impurezas. Não tendes na Terra algum homem destituído de egoísmo e praticante da caridade? Existem em maior número do que julgais, mas conheceis poucos porque a virtude não se procura fazer notar. E se há um, por que não haverá dez? Se há dez, por que não haverá mil e assim por diante?”

Com isso, querem os espíritos dizer que o egoísmo é uma condição primária mas transitória na essência da natureza humana.

O reino do bem que os Espíritos estão encarregados de preparar

Nova pergunta do Codificador, que parece sintetizar a pergunta que todos fazemos para essa mesma questão, sobretudo nos dias violentos de hoje. Argumenta ele que o egoísmo, longe de diminuir, cresce com a civilização, que parece excitá-lo e entretê-lo. “Como poderá a causa destruir o efeito?”

Dura é a explicação dos benfeitores ao responderem: “Quanto maior é o mal mais horrível se torna. Era necessário que o egoísmo produzisse muito mal para fazer compreender a necessidade de sua extirpação. Quando os homens se tiverem despido do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, não se fazendo o mal e se ajudando reciprocamente pelo sentimento fraterno de solidariedade. Então o forte será o apoio e não o opressor do fraco, e não mais se verão homens desprovidos do necessário, porque todos praticarão a lei de justiça. Esse é o reino do bem que os Espíritos estão encarregados de preparar”.

Qual é o meio de destruir o egoísmo? Ao fazer essa pergunta o Codificador obtém de Fénelon uma das mais belas páginas de O Livro dos Espíritos e que mais de perto nos toca às nossas necessidades morais. Diz o espírito do grande pensador: “De todas as imperfeições humanas, a mais difícil de desenraizar é o egoísmo, porque se liga à influência da matéria, da qual o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pôde libertar-se. Tudo concorre para entreter essa influência: suas leis, sua organização social, sua educação. O egoísmo se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material, e sobretudo com a compreensão que o espiritismo vos dá quanto ao vosso estado futuro real e não desfigurado pelas ficções alegóricas. O espiritismo bem compreendido, quando estiver identificado com os costumes e as crenças, transformará os hábitos, as usanças e as relações sociais. O egoísmo se funda na importância da personalidade; ora, o espiritismo bem compreendido, repito-o, faz ver as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece de alguma forma perante a imensidade. Ao destruir essa importância, ou pelo menos ao fazer ver a personalidade naquilo que de fato ela é, combate necessariamente o egoísmo”.

A influência moralizadora do exemplo Segundo Fénelon “é o contato que o homem experimenta do egoísmo dos outros que o torna geralmente egoísta, porque sente a necessidade de se pôr na defensiva. Vendo que os outros pensam em si mesmos e não nele, é levado a se ocupar de si mesmo mais que dos outros. Que o princípio da caridade e da fraternidade seja a base das instituições sociais, das relações legais de povo para povo e de homem para homem, e este pensará menos em si mesmo quando vir que os outros o fazem; sofrerá, assim, a influência moralizadora do exemplo e do contato. Em face do atual desdobramento do egoísmo, é necessária uma verdadeira virtude para abdicar da própria personalidade em proveito dos outros que em geral não o reconhecem. É a esses, sobretudo, que possuem essa virtude, que está aberto o reino dos céus; a eles sobretudo está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que no dia do juízo quem quer que não tenha pensado senão em si mesmo será posto de lado e sofrerá no abandono.”

O verme devorador do egoísmo continua a ser a praga social

Comentando as instruções de Fénelon, o codificador do espiritismo reflete que, apesar de todos os esforços louváveis “o verme devorador do egoísmo continua a ser a praga social.” E acrescenta: “é necessário combatê-lo, portanto, como se combate uma epidemia. Para isso, deve-se proceder à maneira dos médicos: remontar à causa. Que se pesquisem em toda a estrutura da organização social desde a família até os povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências patentes ou ocultas que excitam, entretêm e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Uma vez conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo: só restará então combatê-las, senão a todas ao mesmo tempo, pelo menos por parte, e pouco a pouco o veneno será extirpado.”

 



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h08
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OBJETIVO MAIOR DA NOSSA EXISTÊNCIA

Em tempos confusos, assediados por diversidades ideológicas nem sempre moralizadoras que induzem milhões de consciências a singulares padrões de comportamento, a questão 918 de O Livro dos Espíritos será sempre motivo de meditação para todos os adeptos do espiritismo e simpatizantes.

Indaga o codificador: “Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita?” Ou seja, de que forma é possível reconhecer a verdadeira elevação de um espírito na escala evolutiva?

A resposta sintetiza horas de elucubrações filosóficas: “O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual”.

Pelo que podemos concluir: conduta moralmente equilibrada e absoluta convicção em sua realidade espiritual transcendente, são características que revelam o real progresso do homem superior.

Ora, já não é mais o aparentar, o verbalizar, o meramente intelectualizar. Trata-se de SER.

Conhecendo o verdadeiro homem de bem

Complementando a presente questão, Allan Kardec ainda comenta que verdadeiramente, homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade, na sua maior pureza. Se interrogar a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não transgrediu essa lei, se não fez o mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém tem motivos para dele se queixar, enfim se fez aos outros o que desejara que lhe fizessem.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à justiça.

É bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças.

Se Deus lhe outorgou o poder e a riqueza, considera essas coisas como UM DEPÓSITO, de que lhe cumpre usar para o bem. Delas não se envaidece, por saber que Deus, que lhas deu, também lhas pode retirar.

Se sob a sua dependência a ordem social colocou outros homens, trata-os com bondade e complacência, porque são seus iguais perante Deus. Usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com seu orgulho.

É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também precisa da indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.

Não é vingativo. A exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só se lembrar dos benefícios, pois não ignora que, como houver perdoado, assim perdoado lhe será.

Respeita, enfim, em seus semelhantes, todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como quer que os mesmos direitos lhe sejam respeitados.

Conclusão

Com referências tão claras, delineadas como metas para nossa redenção espiritual, podemos refletir de que forma estamos nos empenhando para conquistar o que, sem medo de errar, apresenta-se como o objetivo maior de nossa existência.

Estudo sobre a questão 918 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, Federação Espírita Brasileira, FEB - www.febnet.org.br



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h03
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JESUS, SEGUNDO ALLAN KARDEC

A partir das investigações da fenomenologia mediúnica que fundamentaram a codificação do espiritismo, naquele momento incomum do século XIX, Allan Kardec nos apresenta em suas obras uma nova e excepcional concepção a respeito da personalidade de Jesus, bem como uma releitura do significado de sua presença e finalidade missionária entre os homens.

O mais perfeito modelo

Dentro dessa nova concepção e desse significado “Jesus representa para o homem o mais elevado grau de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade da Terra”.

O codificador vê no Cristo o “mais perfeito modelo” oferecido por Deus e sua doutrina como a mais pura expressão da lei suprema, uma vez que ele “estava animado do espírito divino”, revelando-se, pela conduta e pelos ensinamentos sublimes, como “o ser mais puro que já apareceu na Terra”.

Também concluiu Kardec, pelas mesmas observações, que alguns dos altos emissários espirituais que pretenderam instruir os homens na lei de Deus algumas vezes se desviaram para falsos princípios, “pois se deixaram dominar por sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regem as condições da vida da alma com as que regem a vida do corpo. Muitos desses emissários apresentaram como leis divinas o que era apenas leis humanas, instruídas para servir às paixões e dominar os homens”.

Mas em Jesus não acontece assim. Toda sua doutrina é cristalina expressão da lei natural, que é a Lei de Deus, única necessária à felicidade do homem, capaz de norteá-lo com segurança no que deve fazer ou não fazer, e cuja infelicidade resulta unicamente quando ele dela se afasta por sua livre escolha.

A essência dos ensinamentos de Jesus

Com extraordinário bom-senso Allan Kardec dividiu as matérias contidas nos Evangelhos em cinco partes: 1) Os atos comuns da vida do Cristo; 2) Os milagres; 3) As profecias; 4) As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja; 5) O ensino moral.

Com essa divisão do conteúdo do Evangelho, sabiamente postulou: “Se as quatro primeiras partes têm sido objeto de discussões, a última permanece inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. É o terreno em que todos os cultos podem encontrar-se, a bandeira sob a qual todos podem abrigar-se, por mais diferentes que sejam as suas crenças, porque nunca foi objeto de disputas religiosas, sempre e por toda parte provocadas pelos dogmas”.

E enfatiza: “Se o ensino moral de Jesus fosse discutido, as seitas teriam, aliás, encontrado nele a sua própria condenação, porque a maioria delas se apegou mais à parte mística do que à parte moral, que exige a reforma de cada um”.

Jesus faz claras referências sobre a imortalidade

O codificador nos chama a atenção para o fato de que Jesus se refere à vida futura claramente, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a humanidade, e como devendo ser o objeto das principais preocupações sobre a terra.

E afirma “o dogma da vida futura pode ser considerado como o ponto central do ensinamento do Cristo” e, nesse ponto central, toda sua doutrina consoladora encontra sentindo, pois, em singelas histórias e parábolas campônias sua voz ergue os véus da própria imortalidade.

O guia mais seguro

Allan Kardec vê na máxima “amar ao próximo como a si mesmo; fazer aos outros como quereríamos que nos fizessem” a expressão mais completa da caridade, por resumir todos os deveres para com o próximo, sintetizando o guia mais seguro, medindo-se o que deve se fazer aos outros, pelo que se deseja para si mesmo.

Se o amor ao próximo é o princípio da caridade, argumenta o célebre discípulo de Pestalozzi, “amar e perdoar os inimigos é a sua aplicação sublime, porque essa virtude constitui uma das maiores vitórias conquistadas sobre o egoísmo e o orgulho”.

Jesus, ponte entre as realidades físicas e espirituais

Como espírito de grandeza superior, da ordem da mais elevada, Allan Kardec o compreende, por suas virtudes, bem acima da humanidade terrestre. “Pelos resultados que produziu, sua encarnação neste mundo não podia deixar de ser uma das missões que somente são confiadas aos mensageiros diletos da Divindade, para a realização de seus desígnios”.

Assim, ele foi um canal de comunhão e contato entre as realidades física e espiritual, como atestam os diferentes relatos de suas inúmeras curas, intimidade com as forças da natureza, além de seus constantes diálogos com os chamados “espíritos impuros” e conseqüente libertação de muitos “lunáticos”.

Segundo o codificador, como homem, “Jesus tinha a organização dos seres carnais, mas como espírito puro, destacado da matéria, devia viver na vida espiritual mais do que na vida corporal, da qual não tinha as fraquezas”.

E aqui faz um importante apontamento sobre essa sua natureza humana e divina: “A superioridade de Jesus sobre os homens não era relativa às qualidades particulares de seu corpo, mas às de seu Espírito, que dominava a matéria de maneira absoluta, e ao seu perispírito alimentado pela parte a mais quintessenciada dos fluidos terrestres”.

Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h05
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RAZÃO ESPÍRITA PELA ESCOLHA DAS PROVAS DOLOROSAS

Assim como já fizemos essa mesma pergunta, também Allan Kardec a fez aos espíritos benfeitores da Terceira Revelação: "Não parece natural que os espíritos escolham as provas menos dolorosas?"

E a resposta, bem interessante para nós, ainda tão dissociados da realidade espiritual transcendente é bem categórica: – Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando ele está liberto da matéria, a ilusão cessa e a sua maneira de pensar é diferente.

Com o objetivo de elucidar esse paradoxal conceito de livre escolha do espírito, a partir de suas realidades de consciência material e espiritual, o codificador nos oferece um de seus lúcidos comentários sobre a essência da filosofia espírita:

O homem, submetido na Terra à influência das idéias carnais, só vê nas provas o lado penoso

É por isso que lhe parece natural escolher as provas que, do seu ponto de vista, podem subsistir com os prazeres materiais. Mas na vida espiritual ele compara os prazeres fugitivos e grosseiros com a felicidade inalterável que entrevê, e então, que lhe importam alguns sofrimentos passageiros? O espírito pode escolher a prova mais rude, e em conseqüência a existência mais penosa, com a esperança de chegar mais depressa a um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável, para se curar mais rapidamente. Aquele que deseja ligar o seu nome à descoberta de um país desconhecido, não escolhe um caminho coberto de flores, pois sabe os perigos que corre, mas sabe também a glória que o espera, se for feliz.

A doutrina da liberdade de escolha das nossas existências, e das provas que devemos sofrer, deixa de parecer extraordinária, quando se considera que os espíritos, libertos da matéria, apreciam as coisas de maneira diferente da nossa

Os espíritos libertos da matéria antevêem o fim, e esse fim lhe parece muito mais importante que os prazeres fugidios do mundo. Depois de cada existência, vêem o progresso que fizeram e compreendem quanto ainda lhes falta em pureza, para a atingirem. Eis porque se submetem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corpórea, pedindo eles mesmos aquelas que podem fazê-los chegar mais depressa. Não há pois motivo para nos admirarmos de que o espírito não dê preferência à existência mais suave. No seu estado de imperfeição, ele não pode desfrutar a vida sem amarguras, que apenas entrevê. E é para atingi-la que procura melhorar-se.

Não vemos diariamente exemplos de coisas parecidas? O homem que trabalha uma parte de sua vida, sem tréguas nem descanso, a fim de ajuntar o necessário para o seu bem-estar, não desempenha uma tarefa que se impôs, com vistas a um futuro melhor?

O militar que se oferece para uma missão perigosa, o viajante que não enfrenta menores perigos, no interesse da ciência ou de sua própria fortuna, não se submetem a provas voluntárias, que devem proporcionar-lhe honra e proveito, se as vencerem? A que o homem não se submete e não se expôe, pelo seu interesse ou pela sua glória? Todos os concursos não são provas voluntárias para melhorar na carreira escolhida? Não se chega a nenhuma posição social de elevada importância, nas ciências, nas artes, na indústria, sem passar pela série de posições inferiores, que são tantas outras provas. A vida humana é assim o decalque da vida espiritual. Nela encontramos, em menor escala, todas as peripécias daquela.

Se na vida terrena escolhemos muitas vezes as provas mais difíceis, com vistas a um fim mais elevado, por que o Espírito, que vê mais longe, e para quem a vida no corpo é apenas um incidente fugaz, não escolherá uma existência penosa e laboriosa, se ela o deve conduzir a uma felicidade eterna?

Aqueles que dizem que, se pudessem escolher a sua existência, teriam pedido a de príncipes ou milionários, são como os míopes que não vêem o que tocam, ou como as crianças gulosas, que respondem, quando perguntamos que profissão preferem: pasteleiros ou confeteiros.

Da mesma maneira, o viajante, no fundo de um vale nevoento, não vê a extensão nem os pontos extremos da sua rota; mas, chegando ao cume da montanha, seu olhar abrange o caminho percorrido e o que falta a percorrer, vê o final de sua viagem, os obstáculos que ainda tem de vencer, e pode então escolher com mais segurança os meios de o atingir. O espírito encarnado é como o viajante no fundo do vale; desembaraçado dos liames terrestres, é como o que atingiu o cume. Para o viajante, o fim é o repouso após a fadiga; para o espírito é a felicidade suprema, após as tribulações e as provas.

Todos os espíritos dizem que, no estado errante, buscam, estudam, observam, para fazerem suas escolhas. Não temos um exemplo disso na vida corpórea?

Não buscamos muitas vezes, através dos anos, a carreira que livremente acabamos por escolher, porque a achamos a mais apropriada a nossos objetivos? Se fracassamos numa, procuramos por outra. Cada carreira que abraçamos é uma fase, um período da vida. Não empregamos cada dia em escolher o que faremos no outro?

Ora, o que são as diferentes existências corpóreas para o espírito, senão fases, períodos, dias da sua vida espírita que, como sabemos, é a vida normal, não sendo a vida corpórea mais do que transitória, passageira?

Conclusão

Imerso nas vicissitudes da vida terrena, aparentemente relegado ao acaso, pode ainda assim o espírito esclarecido refletir sobre o bálsamo consolador da revelação espírita. Por vontade do Senhor, essa mensagem chega à Terra, nesses transitórios dias, a fim de levantar-lhe os ânimos abatidos, do mesmo modo como outrora fez o próprio Cristo, confortando seus discípulos, entregues ao desalento e ao temor presentes na última noite que antecedeu o drama do calvário: "No mundo passareis tribulações. Mas tende confiança, eu venci o mundo".

Obra consultada e recomendada O Livro dos Espíritos, livro II, Mundo Espírita ou dos Espíritos, tradução de J. Herculano Pires, editado pela Editora LAKE.
Comentário de Allan Kardec sobre a questão 266:
"Não parece natural que os espíritos escolham as provas menos penosas?"

Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h04
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O SIGNIFICADO DA VIDA NA TERRA

Nós, espíritos, temos uma resposta a nível de finalidade, para que os encarnados entendam o processo reencarnatório e o significado da vida na Terra.
Todos os dias as pessoas se indagam acerca da crise existencial chamada morte, doença, guerra, lutas, provações, enfim a miserabilidade do homem.
A Doutrina dos Espíritos, nesta linguagem franca, aberta, trabalha as questões tidas, havidas, sofridas e existenciadas pelo homem. E o médium espírita tem o dever de compor um currículo construtivista que responda à expectativa do mundo emergente, predisponente, portanto, no conjuntural, no estrutural, de toda linha de pensamento crítico e as contingências que fazem com que o homem tenha esse tipo de pensamento.

Quando levantamos o conteúdo da finalidade da vida na terra, podemos dizer que os espíritos reencarnam para aperfeiçoamento. Os livros espíritas e as próprias deduções dos filósofos são em torno do aperfeiçoamento do espírito. No entanto, o que significa esse aperfeiçoamento senão que as pessoas devem em primeiro lugar, se autoconhecerem? Ninguém se aperfeiçoa e nem coloca o seu potencial energético, a sua luz, a sua dimensão pessoal, a sua característica de latência, a título indagativo, senão pelo autoconhecimento. Como eu posso indagar alguma coisa se não me conheço? Preciso me conhecer profundamente. Preciso descer ao recôndito do meu ser e perguntar: “Quem sou?”, “de onde vim?”, “para onde vou?”
Essas indagações todas – que são múltiplas porque são existenciais (e o existencial é múltiplo) – trazem, todos os dias, a finalidade ao homem. A finalidade de ter paciência, paciência de existir, de dialogar, de compreender, de aprender, de lembrar, de evoluir. E a finalidade evolutiva do homem é de procurar conhecer para evoluir em direção ao saber. Essa dimensão, tão precária, encontrada diariamente nas calçadas das cidades – a miséria, a fome, os desajustes, a angústia – é sempre a interposição do próprio pensamento do homem.
A ganância, a usura, a má qualificação no que diz respeito à organização social, política, econômica e cultural, a desorganização da sociedade, a patologia social... O que é que a Doutrina dos Espíritos faz para ajudar a sociedade a criar um estágio novo?
Para criar um estágio novo é preciso um pensamento novo. Sem um pensamento novo não há estágio novo. E a Doutrina, através das mensagens de causa e de efeito, produz, nos centros espíritas, um grande chamamento: o chamamento para que se componha um novo sistema de idéias. Temos certeza absoluta que alcançaremos a finalidade maior das manifestações dos espíritos na Terra: a educação – além de, evidentemente, provarmos que continuamos existindo, num grau inteligente, participativo e responsável.
Queremos que as pessoas comecem a compreender a sua presença na Terra e, conseqüentemente, a necessidade do seu compromisso com a mudança.
O centro espírita é comprometido com a mudança – por isso, é uma casa aberta.
Casa aberta significa criação aberta, pensamento aberto; significa estudo, pesquisa, divulgação; significa propagação do estudo, da pesquisa, significa que as pessoas devem formalizar, existencializar e conviver com o diálogo.
A finalidade do homem na Terra é o bem. Porém, como o homem tem livre-arbítrio, pode pensar em tudo o que faz e em todos os instrumentos de que precisa para seu aperfeiçoamento. Alguns pensam no sentimento de ter mais. “Eu tenho um carro, mas preciso ter dois, três, cinco carros! Eu tenho uma casa, mas preciso ter dez, doze casas!”, esses homens ainda não alcançaram o sentido do nós. Eles não preservam as relações humanas, porque não conhecem a si mesmos. Ainda não alcançaram o conceito maior de que prejudicando o próximo eles se prejudicam; empobrecendo o próximo, eles empobrecem. Eles ainda não respondem às expectativas de um ajustamento social de compreensão daqueles que estão do seu lado, numa linha de pensamento mediato e imediato. Portanto, se desgastam. Se desfazem; rompem o seu equilíbrio pessoal interno, tão necessário para que possam ver o Universo.
O que queremos, nós espíritos, é que os espíritas nos ajudem a manter o centro espírita como universidade do povo – uma casa aberta, franca, sem ilusões, absolutamente desprovida de misticismo, de dogmatismo, de fantasias, mas com um pensamento, dimensão e proposta de uma critica absolutamente voltada para o interior de cada um, para o comportamento de cada um. Cada espírita tem que ter a sua dimensão pessoal crítica de saber o que faz e o que deixa de fazer, bem como suas conseqüências.
Queremos nós, espíritos, que os espíritas sejam mais ativos, que não demonstrem fraqueza nem covardia diante das situações contraditórias que se lhes possam apresentar. Queremos que os espíritas agenciem esse pensamento crítico de um novo sistema de idéias, conseqüentemente de um novo sistema social – onde a paz seja um núcleo de latência comum da humanidade e de exercício pleno de vida. Queremos que os espíritas tenham como lema de participação, no seu existir social e cotidiano, a defesa integral da vida. Queremos, portanto, um estado moral onde a vida seja entendida a título de finalidade, de evolução do espírito. Assim, cada um saberá os seus direitos e os seus deveres numa escala de responsabilidade, de compromisso com o próximo.
Desta feita, não teremos guerra, sofrimentos, misérias – e a Terra, o planeta como um todo, terá evoluído, porque incorporada à totalidade do bem, que, necessariamente, terá de acontecer um dia.
Vamos acelerar um pouco, através daqueles que acreditam muito mais na possibilidade de o bem crescer do que o mal. O mal nunca cresce. Ele existe porque alguns homens, desavisadamente, algumas vezes o utilizam para a locupletação pessoal – sem saber, contudo, que, ganhando, perdem.
Quem ganha pelo mal, perde sempre. Quem perde pelo mal, ganha sempre. Os espíritas estão sempre ganhando, porque algumas vezes sofrem ingratidões, injustiças, mentiras, misérias, mas nunca são atingidos pelo mal – pois o mal é muito pequeno diante da força construtiva do bem.
Que Deus, a plenipotência do amor, da verdade e da justiça, que existe em nossa existência – que é a nossa existência – seja reconhecido por todos. Que possamos nunca negá-lo, porque somos; possamos nunca desconhecê-lo, porque existimos; possamos nunca em hipótese nenhuma deixar de percebê-lo, porque pela percepção alcançamos um devir. Sem este devir não fazemos nada.



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h13
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NO COMPASSO MAIS ACERTADO

Pesquisas buscam evidências para incorporar espiritualidade à prática
clínica no tratamento de doenças cardiovasculares, principal causa de
morte no Brasil e no mundo.

Comprovar cientificamente que a religiosidade pode contribuir de maneira
positiva no tratamento de pacientes acometidos por doença cardiovascular é
um desafio para os profissionais de medicina que apostam na vertente
espiritualista, conforme explicou o cardiologista Álvaro Avezum, diretor da
divisão de pesquisa do Instituto Dante Pazanezzi e um dos precursores
da Medicina Baseada em Evidência no Brasil, durante a palestra
Espiritualidade e Associação com doença cardiovascular.

Avezum apresentou alguns estudos demonstrando que a religiosidade está
diretamente ligada aos fatores de risco psicossociais, associados à doença
cardiovascular, principal causa de morte no Brasil e no mundo.

As pesquisas apontaram, por exemplo, que, quando controlado o estresse,
o índice de morte pode ser reduzido a 29% e há um aumento de 20% de
doença cardiovascular entre pacientes depressivos. Em uma compilação de cinco estudos com mais de 2.700 pacientes que recebem prece intercessória,
foi observada melhora em 2.123 pacientes.

Embora a relação entre espiritualidade e fatores de risco da doença
cardiovascular esteja cada vez mais evidente, o cardiologista acredita
que o caminho para sua incorporação à prática clínica é longo. “Estamos,
ainda, na fase da promessa. Em ciência, temos que passar pela comprovação e
aplicabilidade”, disse Azevum com otimismo.

As múltiplas fases da depressão O psiquiatra e vice-presidente da AME
Brasil, dr. Roberto Lúcio de Souza, abordou os aspectos clínicos da
depressão e o médico Jaider Rodrigues de Paulo analisou os aspectos
espirituais. A palestra mostrou casos que a aplicação dos ensinamentos
da doutrina foram essenciais para conseguir a cura para o paciente.

Aspectos Clínicos: foram analisadas as diferenças diagnósticas da
depressão: tristeza é emoção e tem função de levar o indivíduo a buscar o
entendimento da realidade e da vivência; a depressão é tristeza estagnada e
melancolia é a depressão grave, com sintomas somáticos e características psicóticas.

É importante ressaltar que 90% dos depressivos têm transtorno bipolar
(intercalam fases de euforia e depressão).

Aspectos espirituais: cada pessoa tem uma missão e um chamado
específico. A conscientização no plano espiritual motiva o indivíduo a buscar a
essência de sua reencarnação. Nesta busca, a depressão gera culpa e desânimo,
mas a fé é imprescindível para superar a angústia. No evangelho está escrito:
“vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos
aliviarei”. O deprimido precisa de tratamento espiritual aliado ao
tratamento medicamentoso.



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h49
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