BLOG ESPIRITUALIZADO


NÃO EXISTE APRENDIZADO SEM ESTRESSE

Com as frases “Vida é movimento” e “Viver é um constante desafio”,
Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME) iniciou o segundo dia do Mednesp 2005, apresentando a palestra Estresse sob a ótica do paradigma médico-espírita, destacando a importância do ser humano ter um projeto de paz interior para que possa reagir de forma positiva aos
fatores estressantes que o acompanharão por toda a vida.

“Sabemos que, hoje em dia, não são mais predadores, mas homens e mulheres
que afetam nossas resistências e nos conduzem ao estresse”, disse Marlene
observando que, desde os primórdios, o homem está diante de fatores que
ameaçam sua resistência orgânica e, a despeito de toda saga evolutiva, ainda
age impulsionado por instintos.

Recorrendo à teoria do médico que descobriu o estresse, Hans Seye, de
que as pessoas têm graus diferentes de energia biológica e ela determinará se
a reação aos fatores estressantes será um processo natural ou patológico,
Marlene enumerou as contribuições do espiritismo como oração,
meditação, treino do perdão e aproveitamento da dor, para a construção de um
sólido patrimônio moral, intelectual e espiritual. Inerente à vida humana, o
estresse pode ser natural ou patológico, dependendo do patrimônio moral,
intelectual e espiritual do indivíduo.

Para a presidente da AME, não existe aprendizado sem estresse e a fé é
fundamental para que o indivíduo saiba tirar proveito dessa experiência.
Reforçando esta premissa, Marlene citou João, capítulo 14, versículo
27: “A Paz vos deixo, a minha paz vos dou, não vô-la dou como o mundo a dá”.



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h44
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MEDICINA REDESCOBRE ESPIRITUALIDADE

Medicina e Espiritualidade devem andar juntas. Esse é o resultado dos estudos realizados pelo médico americano Harold Koenig, que participou co Seminário Internacional de Medicina e Espiritualidade e do V Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil (MEDNESP), cujo tema foi a “Espiritualidade no cuidado com o paciente”.

“O médico deve cuidar do paciente por inteiro”, declara o dr. Harold Koenig. Além do físico, deve levar em consideração o indivíduo como um ser social, psicológico e, principalmente, espiritual. A crença em um ser superior, a prática religiosa e a fé são elementos que elevam o bem-estar e a esperança dos pacientes. Dos 114 estudos realizados, 91 concluíram que os religiosos são mais felizes e têm bem-estar mais elevado que os não crentes.

A oração faz o indivíduo afastar da mente a dor e focalizar o pensamento em outras coisas. Um dos casos mencionados foi o de uma senhora, de 83 anos, que sofria de diabetes e artrite. Apesar de não conseguir andar e da forte dor que sentia, não era uma pessoa triste, nem deprimida. Indagada por seu médico de onde vinha sua alegria, dizia que rezava muito e tinha esperança de que tudo pudesse melhorar. Totalmente independente, ela ainda tinha forças para levar aos outros doentes o poder da oração.

Pesquisas mostram a diminuição de casos de depressão e suicídio em indivíduos que têm alguma prática religiosa. Ansiedade, medo e vícios também atingem menos as pessoas que acreditam em uma força superior. A recuperação dos doentes que sofrem desses males também é mais rápida.

Reação do corpo

Segundo o Dr. Harold Koenig, o corpo físico tem dentro de si o poder da cura. As crenças religiosas e as emoções influenciam em sua fisiologia. Por meio de fatores sociais, psicológicos e comportamentais, tenta-se entender a influência da religião na saúde física. O sistema imunológico de alguma forma é influenciado pela prática religiosa. Segundo pesquisa, as células das mulheres que não sofriam de stress aparentavam aspecto mais jovem.

Foi comprovada, por meio de estudos americanos, que a alimentação adequada somada a exercícios físicos e à prática religiosa levam à diminuição da mortalidade por câncer devido à presença de um volume maior de células que atacam as cancerosas. Por baixar a pressão sangüínea, casos de hipertensão também são menores. As infecções diminuem e o poder de cicatrização é maior. Pesquisas, ainda não publicadas, afirmam que idosos com forte crença religiosa apresentam o mesmo nível de atividade cardiovascular que os jovens.

Como abordar o paciente

“Apesar de 77% dos médicos pensarem que a crença religiosa pode trazer benefícios aos pacientes, a maioria deles não sabe como chegar ao doente e introduzir a espiritualidade na conversa. Prevalece ainda o desconhecimento dessa importância para o diagnóstico, prognóstico e tratamento de pacientes”, explica Harold Koenig. “Mas, a maioria dos pacientes quer que os médicos abordem a questão da religiosidade”.

Ao introduzir a conversa, o médico pode dizer ao doente que ambos moram em um país religioso e que pretende fazer as mesmas perguntas a todos os pacientes, independentemente do diagnóstico e do prognóstico de cada um. Koenig enfatiza que o profissional de saúde deve ter uma sensibilidade muito grande para tocar nesse assunto. Algumas recomendações são: apoiar a crença espiritual do paciente, sem discutir com ele; descobrir seu histórico espiritual; certificar-se de que as necessidades espirituais sejam atendidas e até rezar com o paciente. É importante não prescrever a religião a pessoas atéias, nem dar conselhos espirituais.



Escrito por EDUARDO BARROS às 06h41
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OS PRINCÍPIOS DA MORAL SÃO RELATIVOS?

Com a violenta inversão de valores das últimas décadas, costumes e comportamentos são bem outros e difícil se torna, para muitas pessoas e em determinados casos, estabelecer com precisão uma perfeita concepção da moral.

A sociologia moderna, lembra-nos o pensador espírita J. Herculano Pires, tratando apenas dos costumes, criou o falso conceito da “relatividade da moral”, já em declínio, no pensamento moderno.

Contudo, o espiritismo nos alerta que os princípios verdadeiros de moral são de natureza eterna e os costumes dos povos se modificam através da evolução.

À medida que progride, o ser humano intui cada vez de maneira mais clara as leis divinas da moral.

Assim, os costumes se depuram e sua moral se harmoniza com essas leis superiores.

“Somente as leis divinas são eternas. As leis humanas se modificam com o progresso. E se modificarão ainda, até que sejam colocadas em harmonia com as leis divinas.” (L. E., q. 763).

E no grande confronto moral que se opera atualmente, as criaturas se revelam, em grande parte, tais quais realmente são, desnudando publicamente os valores que sustentam. Nada mais é escondido, mascarado, disfarçado. O que era oculto, revelado está.

Se, por um lado, inúmeras criaturas equivocadas rendem-se aos impulsos remanescentes das fases anteriores de sua evolução, outras há que, ao contrário, equilibram-se e logram domínio sobre si mesmas unicamente pelo bom uso da razão e do livre-arbítrio, elevando-se, conscientemente, acima das exigências biológicas conflitantes e do véu espesso das ilusões sensoriais.

Por muito tempo ainda essa revolução de costumes se arrastará, até que, pela lei do progresso, o homem perceba o quanto lhe é compensador se harmonizar com as leis do Criador — que sintetizam a verdadeira moral eterna.



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h12
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LIBERDADE E DISCIPLINA

Foi este o tema recentemente desenvolvido pela escritora e oradora espírita Rita Foelker, na USE de Rio Preto. Estavam presentes pais e educadores que tiveram a oportunidade de também participar de um workshop.

Desenvolvimento do pensamento filosófico

Rita ressaltou a importância de se desenvolver em nossos filhos e nos educandos de nossas casas espíritas o cultivo do pensamento filosófico, atitude para a qual a doutrina espírita, em si mesma, quando bem compreendida e praticada, naturalmente conduz.

Equivocadas interpretações de liberdade

Esclareceu que, embora as palavras “liberdade” e “disciplina” pareçam, à primeira vista, quase antagônicas, elas são intrínsecas e não há como haver verdadeira liberdade sem a disciplina. O indivíduo, numa equivocada interpretação de liberdade, até pode romper e se furtar de responsabilidades e normas convencionais, adotando um modelo de comportamento rebelde e incomum, no entanto, fatalmente, se embrenhará em dilemas e complicações existenciais para as quais não encontrará solução. A doutrina espírita é clara ao enfatizar a necessidade do progresso para o espírito como lei divina inalienável.

O caminho da liberdade se conquista através do cultivo da disciplina

Rita lembrou que a doutrina espírita, em verdade, está nos dizendo que o caminho da liberdade se conquista através do cultivo da disciplina. Exemplificou: “um jovem, ao desejar tornar-se ginasta olímpico, músico ou bailarino não logrará êxito algum senão pelo caminho de esmerada dedicação em forma de disciplina diária, em rigorosa superação de limites próprios”.

O momento correto para falarmos em disciplina com nossos filhos ou educandos

A autora alertou para a falta de cuidado que pais e educadores têm ao tentarem despertar o senso de responsabilidade em crianças e adolescentes. “Não devemos querer impor a disciplina, nervosamente, em momentos inadequados, como por exemplo, no instante em que a criança vai brincar ou o jovem está saindo para encontrar seus amigos à noite, ao contrário, devemos mencioná-la nos instantes de convívio agradável, através do diálogo inteligente e de qualidade, buscando esclarecê-los sobre como o fato de habituar-se naturalmente à disciplina será determinante no sucesso de sua vida futura”.

Você pode conhecer mais o trabalho de Rita Foelker lendo seus livros e visitar o website da Editora Gil em www.edicoesgil.com.br



Escrito por EDUARDO BARROS às 06h50
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FILOSOFAR E SERVIR

É lamentável a distância existente entre a conduta filosófica de Jesus e a estreita visão teológica das religiões dominantes, acomodada no culto da mera adoração exterior de um mito, um “homem-deus” inacessível, constantemente à mercê de nossos caprichos infantis, e com essa atitude impermeabilizando seus adeptos ao trabalho de autotransformação real, frente aos imperativos do mundo e às realidades transcendentes do espírito imortal.

Emmanuel convida-nos a refletir: “O que diríamos de um Salvador que estatuísse regras para a Humanidade, sem partilhar-lhe as dificuldades e impedimentos?”

E acrescenta: “O Cristo iniciou a missão divina entre homens do campo, viveu entre doutores irritados e pecadores rebeldes, uniu-se a doentes e aflitos, comeu o pão duro dos pescadores humildes e terminou a tarefa santa martirizado entre dois ladrões”.

Jesus cumpriu sua missão divina destilando-a do exemplo e da conduta, vivenciando-a ao extremo, através de seus próprios ensinamentos revolucionários e transcendentes, deixando claro que há um abismo a ser transposto entre filosofar e servir.

Por isso mesmo enfatizava: “As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas testificam de mim” (João, 10:25).

E qual missão divina seria essa que Jesus iniciou entre os homens? A que obras se refere? que trabalho seria este? Não seria, justamente, o convite explícito para que igualmente nos lançássemos a braços no trabalho de edificação íntima, bem como na movimentação incondicional em favor de nossos irmãos em humanidade, na medida de nossas possibilidades e aptidões?

Enquanto não despertarmos nossa inteligência espiritual, encetando-nos corajosa e sacrificalmente pela sublime rota do Cristo, permaneceremos nas inferioridades da apatia mundana, com suas inconseqüentes buscas de prazer e alucinantes fugas à responsabilidade, vegetando moralmente entre deprimidos e escandalizados, toda vez que deparamos com a triste realidade do mundo à nossa volta.

Equipe Consciesp



Escrito por EDUARDO BARROS às 06h54
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A SEXUALIDADE DO PARALIZADO CEREBRAL

A maioria dos portadores de P.C. “Paralisia Cerebral” apresentam apenas dificuldades no movimento corporal, mantendo plenas suas capacidades mentais. Freqüentemente são superdotados na inteligência. O conhecimento disso tem prejudicado a plena inclusão a que ele tem direito.

Infelizmente, uma porcentagem grande de pessoas com deficiência física ainda vive isolada em sua prisão-pessoa; tentam em vão lutar para serem ouvidos, tentam mostrar que são pessoas normais, mas ninguém se convence, ficam olhando seus corpos diferentes, não entendem o que eles falam, não se interessam por seus problemas, sabem que eles vivem solitários e não querem mudas as coisas.

Falo aqui do número imenso de paralisados cerebrais, aqueles com inteligência normal, mas com inúmeros problemas de comunicação, coordenação e locomoção, em especial aqueles que nasceram portadores de lesões cerebrais ou que a adquiriram na infância, tendo de crescer no meio de centros de habilitação, convivendo semanalmente com médicos, enfermeiros e inúmeros cuidadores, famílias rejeitadoras ou superdotadas.

Vivência difícil e, às vezes, inconsciente, da sexualidade, abusos sexuais por parte de inimigos, e, na vida adulta, a condenação da sexualidade marginal, prostíbulos, casas de massagem, garotas de programa. Ou isto, ou a masturbação solitária, ou a rigidez ascética supervisionada pela família, um mundo de sonhos e fantasias presos em uma redoma de vidro, afogados em um aquário.

Sofrem porque sentem iguais aos “normais”, porém são tratados como diferentes de todo mundo, inclusive das outras pessoas com deficiência física. Como cresceram com a deficiência não se sentem diferentes, podem vir a manter uma atitude rígida, controlada e obsessiva, tendendo à agressividade contra tudo e contra todos, pais, familiares, outros parceiros e a sociedade como um todo.

Rejeitando a todos, fecham o ciclo do isolamento. Não podemos esquecer que a pessoa que se sente rejeitada é sempre aquele que primeiro rejeitou.

Os paralisados cerebrais que nunca viveram a sexualidade sofrem além dos males da virgindade obrigatória, o problema de não terem modelos de identificação. Pais normais, sociedade normal, revistas, vídeos e demais meios de comunicação mostram como deve ser para o sujeito normal. O sexo-show, o sexo da telinha, da foto estática, mas o paralisado cerebral treme, se descoordena, não consegue ficar de pé ou manter determinada posição sexual da moda, às vezes mal consegue se tocar, com gestos bruscos pode até se machucar ou machucar parceiros íntimos.

Alguns pouco conseguem ter relacionamentos afetivos sexuais equilibrados, mas esta situação é sempre o final de um processo de luta do paralisado cerebral e de sua família contra um montanha de barreiras e preconceitos invisíveis que dificultam que estes homens e mulheres possam viver sua sexualidade de forma plena.

Que deve então fazer o paralisado cerebral, desistir do sexo? Absolutamente, não.

Deve utilizar ainda mais a fantasia à criatividade sexual, para encontrar posições que não foram pensadas nem no Kama Sutra. Deve descobrir formas de conseguir ter prazer auto-erótico, partindo, em seguida, para a intimidade com outra pessoa.

Por Fabiano Puhlmann
Psicoterapeuta especializado em sexualidade humana Transcrito do Jornal Terra Azul n.º 36, abril a junho/2005, publicado pela Instituição Beneficente Nosso Lar – Editora e Distribuidora Terra Azul



Escrito por EDUARDO BARROS às 06h57
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OBSESSÃO, MAGNETISMO E MEDIUNIDADE

Muitos casos de distúrbios emocionais e psíquicos evidenciam a interação
existente entre o mundo espiritual e o físico, sobretudo no caso das obsessões (perturbações psíquicas ocasionadas por seres espirituais).

Essa afirmação espírita de que uma consciência fora da matéria (de um ser
desencarnado) pode interferir na consciência de uma pessoa encarnada, desde que
haja pensamentos de sintonia entre ambas, vem sendo cada vez mais examinada pela medicina moderna.

Na história das pesquisas psíquicas podemos encontrar, em seu vasto acervo,
inúmeros registros com fatos comprobatórios desses casos em que, através da aplicação do magnetismo e da mediunidade, constata-se:

a-) identificação do quadro obsessivo;
b-) identificação do motivo da obsessão;
c-) identificação do agressor psíquico;
d-) técnica de tratamento aplicado;
e-) resultados alcançados através da rápida e definitiva solução do problema
apresentado inicialmente pelo paciente (cura);
f-) checagem e comprovação de informações auferidas no contato com o espírito
agressor, durante o tratamento.

É o que podemos concluir deste artigo publicado em “Annales des Sciences
Psychiques”, de janeiro de 1911, e atestado pelo sr. E. Magnin, professor da Escola de Magnetismo.

Vejamos o que narra o dedicado professor:

“Uma senhora, ainda bem moça, que padecia dores de cabeça de origem
neurastênica, ao fim de alguns anos agravadas com uma obsessão de suicídio, me
veio consultar. O minucioso exame que lhe fiz revelou um organismo isento de qualquer tara física. O lado psíquico, ao contrário, deixava muito a desejar:

emotivo, extravagante, facilmente sugestionável. A enferma acusava com
insistência uma opressão ‘enlouquecedora’, dizia ela, sobre a nuca, acompanhada
de uma sensação de peso, às vezes incontrolável, sobre os ombros; nestas
ocasiões sentia-se assaltada de um desejo quase irresistível de matar-se.

“No curso de longa conversa me revelou ela que, antes de seu casamento, havia sido requestada por um oficial, a quem amava, mas com que fora, por motivos de família, impedida de casar-se. Falecera este algum tempo depois, e a breve trecho começara ela a sentir essa obsessão de acabar com a vida. Aí estava indubitavelmente a origem da idéia obsidente, e um tratamento psicoterápico se impunha. Várias sessões, em estado de vigília, foram efetuadas sem êxito; fiz em seguida experiências de reeducação na hipnose ‘magnética’, e não obtive melhora alguma; sugestões imperativas no sono ‘hipnótico’ também não produziram resultado apreciável.

“Decidi então, com anuência do marido, mas sem que o soubesse a enferma, operar com o concurso de uma médium que eu vinha estudando há algum tempo e que muitas vezes me surpreendera pela nitidez das percepções visuais que o seu dom de ‘vidente’ lhe permitia descrever-me. Não revelei à médium uma única palavra da situação e só depois de haver adormecido a enferma é que a coloquei em sua presença. Preveni-a de que lhe não faria pergunta alguma e que, por sua parte, se limitasse a descrever o mais simplesmente possível o que seu dom de vista psíquica lhe deixasse ver.

“Tão depressa foi trazida ao pé da enferma, adormecida numa poltrona, descreveu um ser que parecia ‘agarrado’ às costas da paciente. Sem deixar perceber minha surpresa, nem o interesse que despertava essa observação, pedi à vidente que indicasse a posição exata do ser invisível para mim. ‘Com a mão direita — disse — ele aperta a nuca da enferma e com a esquerda oculta a própria fronte.’
Depois, ofegante de comoção, exclamou: ‘É um suicida e quer que ela se lhe vá reunir.’ A meu pedido, lhe descreveu a fisionomia, a expressão: ‘um olhar
singularmente estranho.’ Pudemos em seguida, eu e a médium, conversar com essa personalidade. Longa e extenuante foi a minha conversação, até que vim a experimentar um alívio e uma verdadeira satisfação, ao saber pela médium que os meus argumentos haviam convencido o ‘expectro’ e que, tocado de compaixão, ele prometia deixar sua vítima em paz.

“Só duas horas depois de ter a médium retirado, foi que despertei a  paciente.
Não lhe revelei uma única palavra da experiência, que ela devia sempre ignorar.
Ao despedir-se, me disse ela: ‘Sinto-me hoje muito aliviada’.

“Dois dias depois voltou a visitar-me: a transformação era visível. Sua atitude, expressão fisionômica, maneira de vestir-se, tudo denotava completa mudança em seus pensamentos; suas naturais disposições, sua jovialidade e gosto pelas artes lhe tinham voltado de um dia para o outro. Seu marido já não a reconhecia, tão brusca fora a transição.

“Depois da aludida experiência, a jovem senhora não mais tornou a sentir a
opressão na nuca, nem a sensação física de peso nos ombros, nem a obsessão psíquica de suicídio; sua saúde, em todos os sentidos, se tornou até hoje perfeita.

“Uma discreta pesquisa me permitiu saber que o oficial em questão não morrera de febre infecciosa, como o acreditavam as pessoas de suas relações, mas que ele se tinha realmente suicidado com um tiro na cabeça. Também o seu caráter ficou averiguado ser exatamente o que descrevera a médium, bem como o olhar ‘estranho’, explicado por um ligeiro estrabismo.”

Até aqui narra o professor Magnin em “Annales des Sciences Psychiques”.

Conclusão

A obsessão é a mediunidade atormentada, deseducada, ainda improdutiva pela falta de autoconhecimento, estudo e observação das leis espirituais.

De nossa parte, uma vez familiarizados com a terapêutica espírita, aplicada em tantos e tantos centros espiritistas pelo Brasil e o mundo, incontáveis vezes observamos ocorrências semelhantes — até mesmo muito mais graves do que a descrita acima pelo professor — com resultados excelentes, quando observadas as condições ideais para o tratamento, sobretudo, no que diz respeito ao interesse e à colaboração do paciente.

Assim, podemos concluir que os fatos, pouco a pouco e naturalmente, calarão as algaravias infundadas da ignorância e do preconceito que continuam sendo lançadas injustamente sobre a mediunidade.

Exatamente por compreender a mediunidade como meio de comunicação entre os dois mundos e, precedendo o ato intercessor para o caso específico, indaga Jesus ao espírito que martirizava o possesso de Gérasa: “— Qual é o teu nome?” (Lc 8, 26-39).



Escrito por EDUARDO BARROS às 08h38
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ALLAN KARDEC


BEZERRA DE MENEZES


MÃE DE JESUS

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