PENA DE MORTE
A pena de morte desaparecerá um dia da legislação humana? — A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida da Terra. Os homens não terão mais necessidade de ser julgados pelos homens. Falo de uma época que ainda está muito longe de vós. (Questão 760 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, EME Editora).
Todos os fundadores das grandes instituições religiosas, que ainda hoje influenciam ativamente a comunidade humana, partiram da Terra com a segurança do trabalhador ao fim do dia.
Moisés, ancião, expira na eminência do Nebo, contemplando a Canaã prometida.
Sidarta, o iluminado construtor do Budismo, depois de abençoada peregrinação entre os homens, abandona o corpo físico, num horto florido de Kucinagara.
Confúcio, o sábio que plasmou todo um sistema de princípios morais para a vida chinesa, encontra a morte num leito pacífico, sob a vigilância de um neto afetuoso.
E, mais tarde, Mamomet, o criador do Islamismo, que consentiu em ser adorado pelos discípulos, na categoria de imortal, sucumbe em Medina, dentro de sólida madureza, atacado pela febre maligna.
Com Jesus, entretanto, a despedida é diferente.
O divino fundador do Cristianismo, que define a Religião Universal do Amor e da Sabedoria, em plena vitalidade juvenil, é detido pela perseguição gratuita e trancafiado no cárcere.
Ninguém lhe examina os antecedentes, nem lhe promove recursos à defensiva.
Negado pelos melhores amigos, encontra-se sozinho, entre juízes astuciosos, qual ovelha esquecida em meio de chacais.
Aliam-se o egoísmo e a crueldade para sentenciá-lo ao sacrifício supremo.
Herodes, patrono da ordem pública, chamado a pronunciar-se em seu caso, determina se lhe dê o tratamento cabível aos histriões.
Pilatos, responsável pela justiça, abstém-se de conferir-lhe o direito natural.
E entregue à multidão amotinada na cegueira de espírito, é preferido a Barrabás, o malfeitor, para sofrer a condenação insólita.
Decerto, para induzir-nos à compaixão, aceitou Jesus padecer em silêncio os erros da justiça terrestre, alinhando-se, na cruz, entre os injuriados e as vítimas sem razão, de todos os tempos da Humanidade.
*****
Cristãos de todas as interpretações do Evangelho e de todos os quadrantes do mundo, atentos à exemplificação do Eterno Benfeitor, apartai o criminoso do crime, como aprendestes a separar o enfermo da enfermidade!
Educai o irmão transviado, quanto curais o companheiro doente!
Desterrai, em definitivo, a espada e o cutelo, o garrote e a forca, a guilhotina e o fuzil, a cadeira elétrica e a câmara de gás dos quadros de vossa penologia, e oremos, todos juntos, suplicando a Deus nos inspire paciência e misericórdia, uns para com os outros, porque, ainda hoje, em todos os nossos julgamentos, será possível ouvir, no adito da consciência, o aviso celestial do nosso Divino Mestre, condenado à morte sem culpa:
— “Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra!”
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h17
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FELICIDADE E DEVER
A felicidade terrena é relativa à posição de cada um; o que é suficiente para a felicidade de um faz a desgraça de outro. Há, entretanto, uma medida comum de felicidade para todos os homens? — Para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro. (Questão 922 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, EME Editora).
A procura da felicidade assemelha-se, no fundo, a uma caçada difícil.
Taxando-a por dom facilmente apresável, há quem a procure entre os mitos do ouro, enferrujando as mais belas faculdades da alma, na fossa da usura; quem a dispute no prazer dos sentidos, acordando no catre a da enfermidade; quem lhe suponha a presença na exaltação do poder terrestre, acolhendo-se à dor de extrema desilusão, e quem a busque na retenção do supérfluo, apodrecendo de tédio, em câmaras de preguiça.
Não há felicidade, contudo, sem dever corretamente cumprido.
Observa, pois, o dever de que a vida te incumbe.
Vê-lo-ás, hora a hora, no quadro das circunstâncias.
Na fé que te pede serviço.
No serviço que te roga compreensão.
No ideal que te pede caráter.
No caráter que te roga firmeza.
No exemplo que te pede disciplina.
Na disciplina que te roga humildade.
No lar que te pede renúncia.
Na renúncia que te roga perseverança.
No caminho que te pede cooperação.
Na cooperação que te roga discernimento.
Por mais agressivos se façam os empeços da marcha, não te desvies da obrigação que te recomenda o bem de todos, sempre que puderes e quanto puderes, seja onde for.
Porque te mostres leal a ti mesmo, é possível que a maioria, te categorize à conta de ingrato e rebelde, fanático e louco.
A maioria, no entanto, nem sempre abraça o direito.
Não podemos esquecer que no instante supremo da Humanidade, ela, a maioria, estava com Barrabás e contra o Cristo.
Cumpre, assim, teu dever, e, tomando da Terra somente o necessário à própria manutenção, de modo a que te não apropries da felicidade dos outros, estarás atingindo a verdadeira felicidade, que fulge sempre, como bênção de Deus, na consciência tranqüila.
Escrito por EDUARDO BARROS às 00h10
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VIAJANTES ...
De muitos deles tiveste notícia da glória que ostentavam na Terra. Pompeavam adornos de alto preço e chamavam-se Príncipes.
Brandiam armas sangüinolentas e faziam-se chefes...
Mostravam brasões e manejavam a autoridade. Eram mulheres ricamente vestidas e atuavam no pensamento dos ditadores, alterando a sorte das multidões.
Entretanto, apenas viajavam no caminho dos homens...
Outros muitos conheceste de perto;
Urdiam golpes de inteligência e dirigiam enormes comunidades.
Sobraçavam livros famosos e tornavam-se mestres.
Amontoavam dinheiro e erguiam-se poderosos.
Exibiam louros da mocidade e articulavam aventuras e sonhos...
Contudo, viajavam também ...
Se eram bons ou maus, justos ou injustos, realmente não sabes, porque as verdadeiras contas de cada um são examinadas além...
No entanto, não ignoras que nem o poder, nem a juventude e nem o ouro, nem a fama e nem a Ciência lhes conferiram qualquer privilégio de fixação na Terra.
Todos passaram, uns após outros... Pensa nisso e recorda que te encontras no mundo igualmente em viagem.
No último dia da grande Romagem; nada carregarás contigo do que temporariamente desfrutas, a não ser aquilo que fizeste e colocaste em ti mesmo.
Ninguém te aconselha a fazer da existência o culto inveterado da morte, mas é imperioso!
Caminha na convicção de que a vida prossegue...
Vive, pois, de tal modo que todos aqueles que convivem contigo possam, mais tarde, lembrar-te o nome, como quem abençoa a presença da fonte ou agradece a passagem da LUZ...
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h19
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EMMANUEL, O MAIOR CRISTIANIZADOR DA LÍNGUA PORTUGUESA
Durante todo o tempo em que exerceu sua mediunidade, Francisco Cândido Xavier teve no espírito de Emmanuel o mentor bondoso e austero, o coordenador responsável por sua produção mediúnica até seus últimos momentos entre nós.
Esse generoso espírito, já considerado por estudiosos o maior cristianizador da língua portuguesa, exterioriza humildemente por toda sua obra literária monumental, a essência da moral superior, do amor incondicional e da sabedoria cósmica, frutos adquiridos pelas duras experiências nas oficinas da evolução.
É o próprio Chico, seu fiel intérprete, quem relata seu encontro com esse divulgador do evangelho à luz do espiritismo em nossos dias:
"Lembro-me de que, em 1931, numa de nossas reuniões habituais, vi a meu lado, pela primeira vez, o bondoso Espírito Emmanuel.
Eu psicografava, naquela época, as produções do primeiro livro mediúnico, Paranaso de Além Túmulo, recebido através de minhas humildes faculdades e experimentava os sintomas de grave moléstia dos olhos.
Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz. Às minhas perguntas naturais, responde o bondoso guia: — "Descansa! Quando te sentires mais forte, pretendo colaborar igualmente na difusão da filosofia espiritualista. Tenho seguido sempre os teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas os nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e o sentimento afetivo que me impele para o teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos..."
Chico conta que essa afirmativa foi para ele imenso consolo e, desde essa época, sente constantemente a presença desse amigo invisível que, dirigindo suas atividades mediúnicas, está sempre ao seu lado, em todas as horas difíceis, ajudando-lhe a raciocinar melhor, no caminho da existência terrestre.
Segundo o médium de Uberaba, a sua promessa de colaborar na difusão consoladora da Doutrina dos Espíritos sempre foi cumprida fielmente. Diz Chico: "Desde 1933, Emmanuel tem produzido, por meu intermédio, as mais variadas páginas sobre os mais variados assuntos. Solicitado por confrades nossos para se pronunciar sobre esta ou aquela questão, noto-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, tratando sempre todos os problemas com o máximo respeito pela liberdade e pelas idéias dos outros. Convidado a identificar-se, várias vezes, esquivou-se delicadamente, afirmando, porém, ter sido, na última passagem pelo planeta, padre católico, desencarnado no Brasil. Levando as suas dissertações ao passado longínquo, afirma ter vivido ao tempo de Jesus, quando este se chamou Públio Lêntulus. E de fato, Emmanuel, em todas as circunstâncias, tem dado a quantos o procuram o testemunho de grande experiência e de grande cultura."
Escrito por EDUARDO BARROS às 00h17
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RESGATANDO A PUREZA DO CRISTIANISMO PRIMITIVO À LUZ DO ESPIRITISMO
Emmanuel sempre ensinou seus companheiros encarnados a necessidade de nossa ligação espiritual com Jesus, no desempenho de todos os trabalhos.
Ilustra-nos, com grande pedagogia, a visão distorcida do homem terreno, desfocado transitoriamente das realidades e dos valores imperecíveis do Espírito imortal.
No dia 4 de janeiro de 1939, grafava ele estas palavras revestidas de sinceridade e comovedora humildade, reportando-se às memórias do passado remoto em sua romagem terrena, na personalidade de Públio Lêntulus, quando não soube aproveitar seu inesquecível encontro com o Divino Mestre, cujas narrativas se encontram transcritas no livro "Há 2000 Anos...":
"Jesus, Cordeiro Misericordioso do Pai de todas as graças, são passados dois mil anos e minha pobre alma ainda revive os seus dias amargurados e tristes!...
"Que são dois milênios, Senhor, no relógio da Eternidade?
"Sinto que a tua misericórdia nos responde em suas ignotas profundezas... Sim, o tempo é o grande tesouro do homem e vinte séculos, como vinte existências diversas, podem ser vinte dias de provas, de experiências e de lutas redentoras.
"Só a tua bondade é infinita! Somente tua misericórdia pode abranger todos os séculos e todos os seres, porque em Ti vive a gloriosa síntese de toda a evolução terrestre, fermento divino de todas as culturas, alma sublime de todos os pensamentos.
"Diante de meus pobres olhos, desenha-se a velha Roma dos meus pesares e das minhas quedas dolorosas... Sinto-me ainda envolto na miséria de minhas fraquezas e contemplo os monumentos das vaidades humanas... Expressões políticas, variando nas suas características de liberdade e de força, detentores da autoridade e do poder, senhores da fortuna e da inteligência, grandezas efêmeras que perduram apenas por um dia fugaz!...
Tronos e púrpuras, mantos preciosos das honrarias terrestres, togas da falha justiça humana, parlamentos e decretos supostos irrevogáveis!... Em silêncio, Senhor, viste a confusão que se estabelecera entre os homens inquietos e, com o mesmo desvelado amor, salvaste sempre as criaturas no instante doloroso das ruínas supremas... Deste a mão misericordiosa e imaculada aos povos mais humildes e mais frágeis, confundiste a ciência mentirosa de todos os tempos, humilhaste os que se consideravam grandes e poderosos!...
"Sob o teu olhar compassivo, a morte abriu suas portas de sombra e as falsas glórias do mundo foram derruídas no torvelinho das ambições, reduzindo-se todas as vaidades a um acervo de cinzas!...
"Ante minhalma surgem as reminiscências das construções elegantes das colinas célebres; vejo o Tibre que passa, recolhendo os detritos da grande Babilônia imperial, os aquedutos, os mármores preciosos, as termas que pareciam indestrutíveis... Vejo ainda as ruas movimentadas, onde uma plebe miserável espera as graças dos grandes senhores, as esmolas de trigo, os fragmentos de pano para resguardarem do frio a nudez da carne.
"Regurgitam os circos... Há uma aristocracia do patriciado observando as provas elegantes do Campo de Marte e, em tudo, das vias mais humildes até os palácios mais suntuosos, fala-se de César, o Augusto!...
"Dentro dessas recordações, eu passo, Senhor, entre farraparias e esplendores, com o meu orgulho miserável! Dos véus espessos de minhas sombras, também eu não te podia ver, no Alto, onde guardas o teu sólio de graças inesgotáveis...
"Enquanto o grande Império se desfazia em suas lutas inquietantes, trazias o teu coração no silêncio e, como os outros, eu não percebia que vigiavas!
"Permitiste que a Babel romana se levantasse muito alto, mas, quando viste que se ameaçava a própria estabilidade da vida no planeta, disseste:
- "Basta! São vindos os tempos de operar-se na seara da Verdade!" E os grandes monumentos, com as estátuas dos deuses antigos, rolaram de seus pedestais maravilhosos! Um sopro de morte varreu as regiões infestadas pelo vírus da ambição e do egoísmo desenfreado, despovoando-se, então, a grande metrópole do pecado. Ruíram os circos formidandos, caíram os palácios, enegreceram-se os mármores luxuosos...
"Bastou uma palavra tua, Senhor, para que os grandes senhores voltassem às margens do Tibre, como escravos misérrimos!... Perambulamos, assim, dentro da nossa noite, até o dia em que nova luz brotara em nossa consciência. Foi preciso que os séculos passassem, para aprendermos as primeiras letras de tua ciência infinita, de perdão e de amor!
"E aqui estamos, Jesus, para louvar-te a grandeza! Dá que possamos recordar-te em cada passo, ouvir-te a voz em cada som distraído do caminho, para fugirmos da sombra dolorosa!... Estende-nos tuas mãos e fala-nos ainda do teu ....... Temos sede imensa daquela água eterna da vida, que figuraste no ensinamento à Samaritana...
"Exército de operários do teu Evangelho, nós nos movemos sob as tuas determinações suaves e sacrossantas! Ampara-nos, Senhor, e não nos retires dos ombros a cruz luminosa e redentora, mas ajuda-nos a sentir, nos trabalhos de cada dia, a luz eterna e imensa do teu Reino de paz, de concórdia e de sabedoria, em nossa estrada de luta, de solidariedade e de esperança!..."
Emmanuel, pelas vias da mediunidade de Chico Xavier, tem sido capaz de expressar com profundidade e incomum capacidade de consolo a grandeza da mensagem do Cristo, assim como a excelência da Doutrina Espírita, resgatando-a magistralmente, pela humildade e o exemplo, à sua primitiva pureza dos primeiros tempos.
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h47
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O PRIMEIRO ENCONTRO COM EMMANUEL
A primeira vez que o espírito Emmanuel se manifestou não foi pela mediunidade de Chico Xavier, mas através das faculdades mediúnicas de D. Carmem Perácio.
Convidada pelo pai do médium para socorrer uma de suas filhas que, na época, em 1927, sofria violenta obsessão, D. Carmem juntamente com seu esposo, José Hermínio Perácio, residentes na Fazenda Maquiné, município de Curvelo, MG, se dirigiram até a casa da família de Chico.
Após o tratamento da irmã, Chico foi passar alguns dias com eles, na fazenda. E foi ali, na primeira reunião mediúnica que fizera, que D. Carmem viu e ouviu o espírito responsável pela mediunidade daquele que seria o mais notável médium de todos os tempos.
D. Carmem descreve:
"Ouvi uma voz suave, doce, tão cativante, que logo reconheci não pertencer a qualquer criatura encarnada. A voz declarava ser "Emmanuel", amigo espiritual de Chico".
Em seguida ao que ouviu, surgiu à sua visão mediúnica uma bela entidade, com vestes sacerdotais, apresentando, segundo a médium, uma aura muito brilhante. Através daquela luz que ele irradiava, ela podia ver seu rosto "calmo, tranqüilo e sorridente".
Após ter-se identificado, Emmanuel pediu que dessem lápis e papel a Chico, o que se fez de imediato. E Chico passou a receber sua primeira mensagem, que foi assinada por D. Maria João de Deus, sua mãezinha desencarnada.
AFEIÇÃO QUE REMONTA A SÉCULOS
Somente quatro anos depois, em 1931, em sua cidade natal de Pedro Leopoldo, MG, que Francisco Cândido Xavier começou a perceber a presença de uma entidade que lhe dizia estar, desde há muito, acompanhando seus passos e vinculada à sua alma por laços de afetividade que remontavam a séculos. Isso se deu quando o médium psicografava o seu primeiro livro, "Parnaso de Além Túmulo".
Chico percebia sua presença com os traços fisionômicos de um homem já idoso. Emocionava-se, porque a bondosa entidade se apresentava, à sua mediunidade, dentro de reflexos luminosos que traziam a forma de uma cruz.
Sobre o primeiro encontro entre Chico e seu guia espiritual, o médium respondeu:
"- Não me recordo a data precisa. Lembro-me de que foi numa tarde de domingo, em 1931, durante uma pequena reunião de preces, ao ar livre, que eu costumava fazer, em companhia de duas senhoras, irmãs de seara espírita, D. Joaninha Gomes e D. Ornélia Gomes de Paula, num local de nome "Açude", ao lado da linha de Estrada de Ferro Central do Brasil, em Pedro Leopoldo".
O SENTIDO PARA A CONEXÃO MEDIÚNICA
Contrariando a distorcida visão de "anjo de guarda", ainda tão contaminada por lendas e pelo misticismo, os espíritos benfeitores não se manifestam apenas para atender expectativas pueris de seus tutelados. Na verdade, como emissários da vontade de Deus, estão eles profundamente comprometidos com o Cristo, num plano de serviço superior.
Assim, com relação a Emmanuel, é o próprio Chico quem comenta as primeiras advertências feitas por seu guia espiritual, logo no primeiro encontro:
"- Quando nosso caro Emmanuel me apareceu pela primeira vez, em 1931, ele me disse que, se eu não desejasse trabalhar compartilhando-lhe, de algum modo, as tarefas, não conseguiria permanecer em conexão comigo, de vez que a nossa amizade seria um ornamento sem qualquer significação no campo evolutivo, em que o aperfeiçoamento e a felicidade do ponto de vista espiritual profundamente nos interessam."
DIRETRIZ DA SEGURANÇA
Um espírito protetor, por mais que seja superior a nós mesmos, não deixa de ser um espírito em evolução e suas opiniões, embora bem-intencionadas, não deixam de ser sempre uma opinião pessoal. Por isso, não deixa de haver risco quando o médium passa a seguir orientações de um único espírito.
Para resguardar seu pupilo dos riscos a que estaria exposto, ofereceu-lhe Emmanuel um recurso de segurança.
Chico assim se refere a essa orientação:
"Lembro-me de que, num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, que eu deveria permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquece-lo".
CONCLUSÃO
Durante toda a elaboração da extensa obra mediúnica de Chico Xavier, Emmanuel deu incontestáveis provas de sua presença tutelar. Ao longo dos anos de incontáveis e intermináveis atendimentos, nas memoráveis reuniões psicográficas de consolo, atendendo a familiares deste e do outro mundo, durante os trabalhos assistenciais de todos os matizes, nas sessões de desobsessão e assistência aos espíritos sofredores, nas apresentações públicas do médium e, sobretudo, nos episódios em que foram desferidos os mais sarcásticos ataques ao seu tutelado e à causa espírita, jamais o amoroso mentor de Chico deixou de representar a presença marcante da proteção e da assistência Divina, atestando sua obra imbatível que frutifica e ainda muito frutificará, pois tem por alicerce a mensagem rediviva do próprio Cristo de Deus.
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h26
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SOLIDÃO APARENTE
Chico Xavier em comunhão com os domínios espirituais Uma reunião espírita, além dos benefícios que proporcionam a seus freqüentadores que se encontram aqui, na dimensão material, também dispensa bênçãos infinitas aos inúmeros espíritos, já libertos do corpo físico, que para ali acorrem em busca fraternal de esclarecimento e consolo. Afinal, “morrer” não significa deixar de ser humano.
O episódio a seguir, anotado por Ramiro Gama em seu livro “Lindos Casos de Chico Xavier” ilustra essa verdade e mostra toda a espiritualidade da aparente solidão do psicógrafo mineiro, nos primórdios de seu mediunato.
Em meados de 1932, o “Centro Espírita Luiz Gonzaga” estava reduzido a um quadro de cinco pessoas, José Hermínio Perácio, Dona Carmen Pena Perácio, José Xavier, Dona Geni Pena Xavier e o Chico.
Os doentes e obsidiados surgiram sempre, mas, logo depois das primeiras melhoras, desapareciam como por encanto.
Perácio e senhora, contudo, precisavam transferir-se para Belo Horizonte por impositivos da vida familiar.
O grupo ficou limitado a três companheiros.
Dona Geni, porém, a esposa de José Xavier, adoeceu e a casa passou a contar apenas com os dois irmãos.
José, no entanto, era seleiro e, naquela ocasião, foi procurado por um credor que lhe vendia couros, credor esse que insistia em receber-lhe os serviços noturnos, numa oficina de arreios, em forma de pagamento.
Por isso, apesar de sua boa vontade, necessitava interromper a freqüência ao grupo, pelo menos, por uns meses.
Vendo-se sozinho, o médium também quis ausentar-se.
Mas, na primeira noite, em que se achou a sós no centro, sem saber como agir, Emmanuel apareceu-lhe e disse:
— Você não pode afastar-se. Prossigamos em serviço.
— Continuar como? Não temos freqüentadores...
— E nós? — disse o espírito amigo. — Nós também precisamos ouvir o evangelho para reduzir nossos erros. E, além de nós, temos aqui numerosos desencarnados que precisam de esclarecimento e consolo. Abra a reunião na hora regulamentar, estudemos juntos a lição do Senhor, e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho.
Foi assim que, por muitos meses, de 1932 a 1934, o Chico abria o pequeno salão do centro e fazia a prece de abertura, às oito da noite em ponto.
Em seguida, abria o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, ao acaso e lia essa ou aquela instrução, comentando-a em voz alta.
Por essa ocasião, a vidência nele alcançou maior lucidez.
Via e ouvia dezenas de almas desencarnadas e sofredoras que iam até o grupo, à procura de paz e refazimento.
Escutava-lhes as perguntas e dava-lhes respostas sob a inspiração direta de Emmanuel.
Para os outros, no entanto, orava, conversava e gesticulava sozinho...
E essas reuniões de um médium a sós com os desencarnados, no centro, de portas iluminadas e abertas, se repetiram todas as noites de segundas e sextas-feiras.
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h11
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