BLOG ESPIRITUALIZADO


COMPREENDENDO A MEDIUNIDADE

Mediunidade é uma sensibilidade existente em todos os seres vivos,
tornando-os suscetíveis de receber influências das dimensões espirituais. No ser humano, apresenta-se mais complexa. Em alguns casos e em certas condições pode ser utilizada como elo de ligação entre o mundo físico e o mundo espiritual. Apresenta-se através de fenômenos de efeitos intelectuais (psicografia, psicofonia, clarividência, clariaudiência, etc) ou efeitos físicos (batidas, movimento de objetos, materializações, fenômenos de voz direta, etc). A mediunidade não é exclusivadade do espiritismo e existe desde todos os tempos. Essa faculdade humana, ainda ignorada e rejeitada, tem sido o alicerce de todas as religiões, através de revelações, visões, curas, precognições (profecias), e outras fenomenologias.

MÉDIUN

Allan Kardec apresenta a seguinte definição: "Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos Espíritos é por isso mesmo médium". Embora todos sejamos dotados de diferentes graus de sensibilidade mediúnica, o codificador definiu como médium somente a pessoa capaz de produzir fenômenos ostensivos através de suas faculdades.

CONTATO MEDIÚNICO

É perfeitamente natural que nos comuniquemos com os espíritos desencarnados e eles conosco, uma vez que também somos espíritos, embora estejamos encarnados. Essa comunicação se estabelece em níveis mental-emocional e dentro dos princípios da lei de sintonia.

COMO EDUCAR A MEDIUNIDADE E PARA QUÊ?

O espiritismo, cujos moldes são propostos por Allan Kardec, eleva a mediunidade à categoria de missão, uma importante forma de auxílio espiritual e crescimento interior. Portanto, implica na permanente reeducação dos sentimentos e na moralização do médium. Mediunidade não é uma
aventura psíquica e sua prática inadequada está sujeita a graves dissabores, caso não sejam observadas ou conhecidas suas leis.

A correta educação mediúnica se dá com segurança através do estudo das obras de Allan Kardec (sobretudo O Livro dos Médiuns), numa casa espírita idônea, devidamente preparada para tal, que possua um ou mais grupos de estudos mediúnicos compostos por pessoas sérias, desinteressadas e harmonizadas, tendo por orientadores instrutores preparados e experientes no assunto.

MEDIUNIDADE NÃO É PREVILÉGIO

Possuir sensibilidade mediúnica não implica em ser privilegiado nem ser mais evoluído, pois essa faculdade é independe das condições morais do indivíduo. Por essa razão, freqüentemente encontramos pessoas de moral duvidosa dotadas com expressivas possibilidades mediúnicas, enquanto outras, de conduta irrepreensível e dedicadas a Deus, mas incapazes de produzirem o menor fenômeno.

Conforme pesquisou e concluiu Allan Kardec, a faculdade mediúnica é proveniente de uma disposição orgânica existente entre as ligações do corpo físico com o perispírito.

OBSTÁCULOS QUE DIFICULTAM A PRÁTICA DA MEDIUNIDADE

O maior obstáculo é a ignorância ou o desconhecimento de suas leis. Disso resulta sua utilização incorreta e irresponsável, trazendo prejuízos e dissabores ao próprio médium e a quem lhe recorre às faculdades. Nessa categoria estão os pretensos resolvem tudo, pessoas de índole fanática, os adivinhadores ou ledores de sorte, os ideologicamente fascinados, etc.

Outro inconveniente é o fato de todo médium iniciante receber impressões desagradáveis de espíritos inferiores, em função de sua insegurança e inexperiência.

EDUCAÇÃO E MORALIZAÇÃO MEDIÚNICA

O correto exercício da mediunidade faculta o intercâmbio racional e produtivo entre a humanidade física e a espiritual, desdobrando amplamente os conceitos de fraternidade e solidariedade.

Assim, o médium educado e moralizado, consciente das reais finalidades de seus dons, torna-se precioso instrumento de auxílio e esclarecimento. Por seu intermédio, permite que os bons espíritos desencarnados enviem mensagens esclarecedoras, ao mesmo tempo em que auxilia e ameniza aflições de entidades espirituais em desequilíbrio e sofrimento.

Com sua percepção equilibrada pelo estudo e pelo esforço no Bem, o canal mediúnico passa a ser importante via de acesso e discernimento com o mundo invisível.

A educação mediúnica, orientada pela codificação kardequiana, adestra o médium a perceber, classificar e direcionar as impressões positivas ou negativas recebidas. Aproveitando as boas sugestões e refutando as más, põe-se, com segurança, a caminho do progresso.

Ao contrário, todo médium negligente, descuidado do labor de sua auto-edificação, torna-se presa fácil dos espíritos inferiores, causando prejuízos a quem lhe recorre às faculdades, além de perder significativa oportunidade de redenção e elevação, pois compromete-se com as leis divinas.



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h38
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RAZÃO ESPIRITUAL DAS DEFICIÊNCIAS MENTAIS

"Quem agora te chega ao regaço com deficiência e limitação, recupera-se no cárcere corporal das arbitrariedades que perpetrou."

Como explicar, além das combinações cromossômicas e perante a Justiça de Deus, que é nosso Pai infinitamente amoroso, a existência de deficientes mentais? Teria Deus preterido estas criaturas ao criar-lhes mentes incapazes de pensar por si?

Lembremos nosso Mestre Jesus quando disse: "Em verdade, em verdade vos digo: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo". Com esta frase e inúmeras outras, Jesus deixou à posteridade a crença velada da reencarnação, tal qual como entendemos hoje, uma vez que esta teoria, que aceitamos como uma lei Divina, somente foi devidamente explicada dezoito séculos depois, através dos Espíritos que se comunicaram com Allan Kardec, na codificação da Doutrina Espírita.

Ao considerarmos a lei da reencarnação, como sendo a explicação mais coerente das diferenças e misérias humanas, aprendemos sobre os deficientes mentais com o mestre lionês, que nos disse: "Aqueles que nascem em semelhantes condições, seguramente, nada fizeram nesta vida para merecer uma sorte tão triste, sem compensação, que não podiam evitar, impotentes para mudarem por si mesmos, e que os coloca à mercê da comiseração pública. Por que, pois, seres tão infelizes, ao passo que ao seu lado, sob o mesmo teto, na mesma família, outros são favorecidos sob todos os aspectos? Que dizer, enfim dessas crianças que morrem em tenra idade e não conheceram da vida senão o sofrimento? Problemas que nenhuma filosofia pôde resolver, anomalias que nenhuma religião pôde justificar, e que seriam a negação da bondade, da justiça e da providência de Deus, na hipótese de ser a alma criada ao mesmo tempo que o corpo, e sua sorte estar irrevogavelmente fixada após uma estada de alguns instantes na Terra."

TODO EFEITO TEM UMA CAUSA

Este conceito dá-nos o resumo que a Doutrina Espírita apresenta diante da justiça de Deus. Não existe o acaso, portanto. Sobre isso, Kardec complementa: "Entretanto, em virtude do axioma de que todo efeito tem uma causa, essas misérias são efeitos que devem ter uma causa e, desde que se admita Deus justo, essa causa deve ser justa. Ora, a causa precedendo sempre o efeito, uma vez que não está na vida atual, deve ser anterior a ela, quer dizer, pertencer a uma existência precedente. Por outro lado, Deus não podendo punir pelo bem que se fez, nem pelo mal que não se fez, se somos punidos, é porque fizemos o mal; se não fizemos o mal nesta vida, o fizemos numa outra." (O Evangelho Segundo o Espiritismo).

DEFICIENTES MENTAIS SÃO MAIS INTELIGENTES DO QUE SUPOMOS

Allan Kardec, ainda interpelando os espíritos superiores sobre a situação espiritual dos deficietes mentais, obteve as seguintes explicações: "Eles têm uma alma humana, freqüentemente mais inteligente do que pensais, e que sofre com a insuficiência dos meios de que dispõe para se comunicar, como o mudo sofre por não poder falar".

E acrescentam: "É uma expiação imposta ao abuso que tenham feito de certas faculdades. É um tempo de suspensão". Outra informação, referente aos deficientes mentais, é a de que eles tem, no estado de Espírito, consciência de seu estado mental e, muito freqüentemente compreendem que as cadeias que entravam seu desenvolvimento são uma prova e uma expiação.

Dessas afirmativas concluímos: um espírito que abusou de sua inteligência pode privar-se, temporariamente, no corpo físico, de suas faculdades mentais normais, valorizando assim, durante sua prisão num corpo limitado, os valores divinos de sua inteligência.

A FAMÍLIA, O DEFICIENTE E A OPORTUNIDADE DE TRIUNFO ESPIRITUAL

Para cada caso, o passado denuncia uma explicação que interliga os personagens familiares, pois na maioria dos casos, os pais são os responsáveis diretos pelo motivo daquela alma ter errado, prejudicando seu próprio corpo numa existência anterior. A misericórdia Divina, numa nova encarnação, vem unir aqueles que necessitam se amar e perdoar.

Neste sentido, Joanna de Ângelis, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, vem nos esclarecer: "Se te repousa no berço de sonhos desfeitos um filhinho deformado, amputado, dementado, deficiente de qualquer natureza, esquece-lhe a aparência e assiste-o com amor. Não te chega ao trono sentimentos por acaso. Antigo companheiro vencido, suplica ajuda ao desertor, só agora alcançado pela divina legislação. Dá-lhe ternura, canta-lhe um poema de esperança, ajuda-o. O filho deficiente no teu lar significa a tua oportunidade de triunfo e a ensancha que ele te roga para alcançar a felicidade. Seria terrivelmente criminoso negar-lhe, por vaidade ferida, o amparo que te pede, quando te concede a bênção do ensejo para a tua reparação em relação a ele."

Se hoje temos perto de nós um deficiente mental, é Deus que nos presenteia com uma rara chance de resgatarmos nosso passado cheio de enganos. Agradeçamos ao Pai por cada instante perto desta alma que, neste momento, necessita tanto de nosso amor.



Escrito por EDUARDO BARROS às 06h59
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RAZÃO ESPIRITUAL DAS DEFICIÊNCIAS FÍSICAS

"Os desregramentos de qualquer expressão impõem necessidades reparadoras, que gravam nos recessos do Espírito as matrizes que organizarão as futuras engrenagens de que se utilizará a vida para realizar as suas altas finalidades.

Muito mais penosa pode ser a existência para aquele que traz uma deficiência física sem compreender-lhe as verdadeiras razões. Timidez e revolta, sem dúvida, pesam-lhe no coração. E é também para estes que as vozes dos espíritos superiores se dirigem, trazendo o verdadeiro sentido das palavras do Cristo: "bem-aventurados os que sofrem, porque serão consolados".

Os espíritos superiores trazem no livro Céu e Inferno, compilado por Allan Kardec, uma revelação esclarecedora sobre a causa de nossos sofrimentos: "O Espírito sofre a pena das suas imperfeições, seja no mundo espiritual, seja no mundo corporal. Todas as misérias, todas as vicissitudes que suportamos na vida corporal, são conseqüências de nossas imperfeições, de expiações de faltas cometidas, seja na existência presente, seja nas precedentes".

Com tais esclarecimentos, começamos a entender que a pessoa nascida com uma deficiência física não é uma vítima da natureza ou do cego acaso. Pelo contrário, está recebendo a bendita oportunidade da misericórdia divina para ressarcir erros cometidos e corrigir deficiências morais arraigadas em sua alma.

PELA NATURAZA DOS SOFRIMENTOS PODE-SE DEDUZIR A GRAVIDADE DAS FALTAS COMETIDAS

Os espíritos ainda esclarecem: "Pela natureza dos sofrimentos e das vicissitudes que se experimentam na vida corporal, pode-se julgar da natureza das faltas cometidas, em uma precedente existência, e das imperfeições que lhe são causa". O que significa dizer que não estamos sofrendo à toa, nem muito menos além do que, pelas irrevogáveis leis de compensação, merecemos.

ARREPENDIMENTO, EXPIAÇÃO E REPARAÇÃO

Importante conceito sobre os mecanismos das leis divinas é o que os espíritos superiores nos transmitem, referindo-se às conseqüências de uma grave falta cometida: "o arrependimento é o primeiro passo para a melhoria; mas só ele não basta, é preciso, ainda, a expiação, a reparação. Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento abranda as dores da expiação, no que traz a esperança e prepara os caminhos da realibitação. Mas unicamente a reparação pode anular o efeito, em destruindo a causa. O perdão seria uma graça e não uma anulação. O arrependimento pode ocorrer em qualquer parte e em qualquer tempo. Se é tardio, o culpado sofre por mais tempo. A expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais, que são a conseqüência da falta cometida, seja desde a vida presente, seja, depois da morte, na vida espiritual, seja em nova existência corporal, até que os traços da falta tenham se apagado".

A NECESSIDADE DE REPARAÇÃO DO ERRO COMETIDO

Sobre essa questão de necessidade de reparação do erro cometido, por parte do espírito culpado, explica-nos Allan Kardec: "A necessidade de reparação é um princípio de rigorosa justiça, que se pode considerar como sendo a verdadeira lei de reablilitação moral dos espíritos. É uma doutrina que nenhuma religião ainda proclamou. Entretanto, algumas pessoas a repelem, porque achariam mais cômodo poder apagar as suas faltas pelo simples arrependimento, que não custa senão palavras, e com a ajuda de algumas fórmulas. Permita-lhes se crerem quites: verão mais tarde, se isso lhes basta. Poder-se-ia perguntar se esse princípio não é consagrado pela lei humana, e se a justiça de Deus pode ser inferior à dos homens".

Quanto a este conceito de reparação das faltas, conclui o codificador: "Quando essa perspectiva da reparação estiver inculcada na crença das massas, será um freio bem mais poderoso do que o do inferno e das penas eternas, porque diz respeito à atualidade da vida, e o homem compreenderá a razão de ser das circunstâncias penosas em que está colocado".

PORQUE ALGUMAS PESSOAS JÁ NASCEM COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS?

Freqüentemente há quem pergunte: Por que vemos tantas pessoas nascerem cegas, surdas, mudas ou afetadas de moléstias incuráveis, enquanto outras possuem todas as vantagens físicas? Será um efeito do acaso, ou um ato da Providência?

E o codificador do espiritismo reponde, embasado nas respostas dadas pelos espíritos superiores: "Se fosse do acaso, a Providência não existiria. Admitida, porém, a Providência, perguntamos como se conciliam esses fatos com a sua bondade e justiça? É por falta de compreensão da causa de tais males que muitos se arrojam a acusar Deus. Compreende-se que quem se torna miserável ou enfermo, por suas imprudências ou por excessos, seja punido por onde pecou: porém, se a alma é criada ao mesmo tempo do corpo, que fez ela para merecer tais aflições, desde o seu nascimento, ou para ficar isenta delas? Se admitimos a justiça de Deus, não podemos deixar de admitir que esse efeito tem uma causa; e se esta causa não se encontra na vida presente, deve achar-se antes desta, porque em todas as coisas a causa deve preceder ao efeito. Há, pois, necessidade de a alma já ter vivido, para que possa merecer uma expiação".

O EXPIRITISMO NOS DÁ FORÇA PARA SUPORTARMOS NOSSAS VICISSITUDES E EXPIAÇÕES

Explica-nos ainda o codificador que "nem sempre uma vida penosa é expiação. Muitas vezes é prova escolhida pelo Espírito, que vê um meio de avançar mais rapidamente, conforme a coragem com que saiba suportá-la".

Os estudos espíritas nos mostram, portanto, que ao adquirirmos a convicção dessas verdades, teremos força para suportarmos as vicissitudes da vida e aceitaremos a nossa sorte, sem invejar a dos outros.



Escrito por EDUARDO BARROS às 06h51
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ASPECTOS ESPIRITUAIS DA PENA DE MORTE

"Deveis aos infelizes e aos criminosos o socorro de vossas preces, é a verdadeira caridade. Não é preciso dizer de um criminoso: 'É um miserável; é preciso expurgá-lo da Terra; a morte que se lhe inflinge é muito suave para um ser desta espécie.' Não, não é assim que deveis falar. Olhai vosso modelo, Jesus; que diria ele se visse esse infeliz perto de si? Lamentá-lo-ia, o consideraria como um doente miserável e lhe estenderia a mão. Não podeis fazer isso em realidade, mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir seu Espírito durante alguns instantes que deve ainda passar sobre a vossa Terra. O arrependimento pode tocar-lhe o coração, se orardes com fé. Ele é vosso próximo como o melhor dentre os homens; sua alma transviada e revoltada foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar. Ajudai-o, pois, a sair desse lamaçal, e orai por ele".
—O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec

Em função da violência de nossos dias, muitos acreditam ver na pena de morte uma medida eficaz para a diminuição da criminalidade. A crueldade de certos criminosos exaspera sentimentos e reclama a busca de ações preventivas. Daí, a pena de morte, defendida por inúmeras pessoas, como uma forma de intimidar ou precaver a sociedade de seres tão perigosos.

A Doutrina Espírita nos ensina, no entanto, que em pessoas de índole criminosa, a matéria sobrepuja o espírito. São criaturas espiritualmente pouco evoluídas. Nelas, o senso moral ainda não se encontra desenvolvido e, no dizer dos espíritos superiores, "é esse senso moral que as transforma mais tarde em seres bons e humanos. Ele existe no selvagem como o princípio do aroma no botão de uma flor que ainda não se abriu".

Allan Kardec ainda vai mais fundo nesta questão, ao refletir sobre o ensinamento dado pelos mensageiros espirituais em O Livro dos Espíritos: "Todas as faculdades existem no homem em estado rudimentar ou latente e se desenvolvem segundo as circunstâncias mais ou menos favoráveis. O desenvolvimento excessivo de umas impede ou neutraliza o de outras. A superexcitação dos instintos materiais asfixia, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento deste arrefece pouco a pouco as faculdades puramente animais".

MATAR UM CRIMINOSO É O MESMO QUE DESTRUIR UMA SEMENTE QUE AINDA NÃO GERMINOU

Quando nos aprofundamos no ensinamento dado pelos espíritos superiores, através das obras de Allan Kardec, e outras complementares, compreendemos com profundidade o interrelacionamento e o desenvolvimento das várias etapas da vida no esquema divino, pelas insondáveis vias da evolução. A vida não está restrita ao plano da forma. Muito menos o plano da forma é o absoluto. As realidades imperecíveis do ser estão encerradas nas dimensões do plano do espírito.

Sabemos que o nosso mundo ainda é um mundo em que o mal predomina sobre o bem. Mas como entender que em civilizações mais adiantadas existam criaturas às vezes tão cruéis como os selvagens? Os espíritos superiores respondem: "Da mesma maneira que numa árvore carregada de bons frutos existem os temporãos. Elas são, se quiseres, selvagens que só têm da civilização a aparência, lobos extraviados em meio de cordeiros. Os espíritos de uma ordem inferior, muito atrasados, podem encarnar-se entre homens adiantados com a esperança de também se adiantarem. Mas, se a prova for muito pesada, a natureza primitiva reage".

Com este raciocínio, o que dizer dessas pobres crianças bastardas, nascidas nas favelas do crime e das vicissitudes mais deploráveis? Pois, se hoje são os filhos da falta de amor e do descaso, amanhã serão os adultos violentos, flores que não desabrocharam no canteiro da evolução moral. Eles agridem, sim, e agredirão a injusta sociedade que os repugna, sociedade esta que não perde seu tempo na tentativa de buscar soluções para o desenvolvimento dessas pobres almas... mas, ao contrário, decretam-lhes a morte como solução para tamanho desconforto por elas ocasionado.

NÃO SERIA UM DEVER DO HOMEM PRESERVAR A PRÓPRIA VIDA E DE SEUS FAMILIARES, ELIMINANDO SERES TÃO PERIGOSOS?

O espíritos superiores explicam que "há outros meios de se preservar de um perigo, sem matar. É necessário aliás, abrir ao criminoso a porta do arrependimento e não fechá-la". E assim, os espíritos nos apresentam um desafio de amor e de trabalho para a construção do bem que haverá de ser implantado, por nós mesmos, sobre a Terra. Desafio que requer coragem da fé, pois que é o mesmo proposto e exemplificado pelo Cristo, há dois mil anos: "aprendei de mim, que sou brando e humilde de coração".

O espiritismo, portanto, ensinando-nos que o espírito é imortal e que a vida física interage com a vida extrafísica, indica-nos o caminho a ser traçado, cujos primeiros passos consistem na implantação de uma educação moral-espiritual adequada em que fique explícito, de forma lógica e objetiva, o correto entendimento das leis divinas, atualmente tão esquecidas e deturpadas. E sobretudo, proclama a atitude resoluta dos que já compreendem melhor a extensão da máxima luminar do Cordeiro de Deus dirigida a todos os homens de boa-vontade da Terra: "amai-vos uns aos outros, como eu vos amei".



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h05
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DEPOIS DA MORTE - O REGRESSO AOS DOMÍNIOS ESPIRITUAIS

"PARA MORRER BEM É PRECISO VIVER BEM".
Confúcio

A maioria das pessoas, apesar de acreditar na imortalidade da alma, sente muito medo da morte. Esse medo ocorre pelo desconhecimento do que acontece durante a morte, do que vem depois ou para onde vão assim como do receio de perder afeições. As religiões pouco fazem para esclarecer os fiéis sobre a vida além-túmulo, assustando-os ainda mais.

A Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec é o Consolador prometido por Jesus, que vem eliminar esse medo, preparando-nos para enfrentá-lo serenamente, pois todos morreremos um dia. Orienta-nos sobre a vida e a morte. A vida é uma propriedade da alma, do nosso Espírito. a vida é eterna porque somos eternos. Informa que toda pessoa é formada por três partes essenciais:

- o corpo físico ou ser material, animado pelo princípio ou fluido vital;

- a alma, que é o espírito encarnado, habitando o corpo;

- o perispírito ou corpo espiritual que une a alma ao corpo.

ENTÃO, O QU ACONTECE DURANTE A MORTE, TAMBÉM CHAMADA DESENCARNAÇÃO?

O que acontece é uma mudança do lado material para o lado espiritual. Você que está lendo tem um corpo físico, adaptado à vida material, utilizado pelo seu espírito que está unido a ele através do perispírito. Isto é necessário para que você possa cumprir a sua finalidade na Terra, que é progredir em conhecimentos e sentimentos, através do esforço pessoal e do relacionamento com o próximo. O organismo funcionando ao longo do tempo e segundo as circunstâncias vai se desgastando, diminuindo o fluido vital e a morte acontece. Você deixa o corpo físico mas a sua alma (ou espírito) que é imaterial e imortal muda-se para o lado espiritual continuando a viver com o corpo espiritual (perispírito). Acontece um desligamento dos laços que uniam o perispírito ao corpo físico.

Quando mudamos de um lugar para outro continuamos a ser o que somos, apenas nos desfazemos do que não é necessário. Assim, também, quando desencarnamos, continuamos a ser a mesma pessoa, mas, nos desfazemos do corpo físico, pois não é necessário no mundo espiritual.

Agora que você já sabe que a morte é mudança, pense no seguinte, para perder o medo:

- Aqui na Terra temos hospitais, escolas, instituições beneficentes, etc. Quantas pessoas dedicadas ao bem em todos os níveis sociais! Só não é auxiliado quem não quer. Imagine agora no Plano Espiritual. Nele está também a Bondade Divina, através dos Espíritos Protetores, dos Anjos de Guarda, dos Grupos de Socorro e Esclarecimento.

Aqui é uma cópia do que tem lá e sendo assim a assistência, o amparo, o esclarecimento no mundo espiritual são maiores. Há também técnicos em auxílio aos que desencarnam.

- Também fique sabendo que a família terrena continua fazendo parte do nosso relacionamento juntamente com a família espiritual.

A TRÊS TIPOS DE DESENCARNAÇÃO

a-) A desencarnação lenta, a mais usual e ideal. A pessoa adoece por um prazo mais ou menos longo. Tem tempo para meditar, reformular pontos de vista, fazer acertos, modificar-se.

Pode ser por velhice também, o fluido vital vai se esgotando. Não é uma desgraça como pensam, é um fator de equilíbrio.

b-) A desencarnação súbita, o espírito é apanhado de surpresa, despreparado e se não praticou o bem fica apegado à vida material e sensações físicas. As pessoas dedicadas ao bem com sinceridade não sofrem neste tipo de desencarnação.

c-) A desencarnação coletiva, semelhante à súbita, mas em conjunto com outras pessoas, por meio de desastres variados. Não se dá acaso. Espíritos com débitos semelhantes reúnem-se para uma expiação coletiva.

A PERTURBAÇÃO DA PASSAGEM

Na passagem da vida corporal para a espiritual acontece também um outro fenômeno: a perturbação. A alma experimenta um torpor, espécie de sono ou desmaio e por isso quase nunca testemunha conscientemente o último suspiro. A perturbação pode ser considerada o estado normal no instante da morte e pode durar de algumas horas a muitos anos, dependendo do estado moral e dos atos praticados.

O despertar do torpor ou sono apresenta variantes:

1.-) O espírito acorda ounvido choro, lamentações, etc, de entes queridos que não se conformam. Isto dificulta a sua adaptação à nova vida. Essa situação só melhora com a mudança do comportamento de tristeza dessas pessoas, substituindo-o por equilíbrio, preces e conformação. O espírito desencarnante também pode expressar os mesmos sentimentos chorando muito pela separação, necessitando também se esforçar para superar a crise e conosolar os que ficaram.

2.-) O despertar se dá em hospital ou casa de repouso. Devido ao atendimento médico e aos cuidados que recebe, o espírito pensa que permanece no mundo material. É esclarecido, pode receber a visita de alguém que já desencarnou ou, então, perceber, à distância, o que se passa no antigo lar, sentindo que já não vive mais lá.

3.-) Há espíritos que acordam surpresos porque se sentem vivos, sabendo que passaram por situações em que iriam deixar a vida física, como doenças terminais, acidentes, etc.

Há também um fenômeno que se verifica com alguns espíritos antes ou após o desencarne. É a revisão total ou parcial dos acontecimentos que vivenciaram ao longo da existência material que se finda. Seria como a exibição de um "vídeo-tape" guardado nos arquivos do pretárito, documentando fatos importantes da última existência. Assim revela uma comunicação do espírito Germano Sestini, extraída do livro "Vida no Além", psicografado por Chico Xavier:

"Meu espanto foi enorme. Parecia que estava retornando aos tempos de menino... Na mente apareceru a paisagem de Cravinhos e tornei a ver meu pai João e minha mãe, acariciando-me e ensinando-me a rezar. Mariquinha, revi tudo... a nossa felicidade, o nascimento dos filhos... Os dias difíceis, o duro trabalho para melhorar..."

Os espíritos que já alcançaram determinados graus de superioridade se reúnem nas esferas superiores, onde reinam a paz, a harmonia e o trabalho.

"Nos planos imediatos à experiência física, os felizes estão sempre dispostos ao trabalho em favor dos infelizes, os mais fortes em benefício dos mais fracos, os bons em socorro dos desequilibrados e os mais sábios em apoio aos desorientados e ignorantes", conforme explica-nos André Luiz no livro "Cidade no Além".

"Para morrer bem é preciso viver bem", ensinava Confúcio. Para viver bem basta seguir o ensinamento de Jesus: "Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo".



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h26
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O MEDO DA MORTE

"À medida que o homem compreende melhor a vida futura, o medo da morte diminui. Mas, ao mesmo tempo, compreendendo melhor a sua missão na Terra, ele espera seu fim com mais calma, resignação e sem medo. A certeza da vida futura imprime um outro curso às suas idéias, um outro objetivo aos seus trabalhos. Antes de ter essa certeza, ele não trabalha senão para a vida atual. Com esta certeza, trabalha tendo em vista o futuro sem negligenciar o presente, porque sabe que o futuro depende da direção, mais ou menos boa, que dê ao presente.

Allan Kardec, em "O Céu e o Inferno"

Há várias formas de reagirmos psicologicamente mediante a evidência da única certeza do ser humano: sua incontível e inevitável caminhada para a morte. E como ninguém sabe o que é a morte, surge o medo do desconhecido.

Também a forma como lidamos com esse medo varia de pessoa para pessoa. Desde o pânico depressivo à atitudes desafiadoras, tais como o gosto por práticas perigosas.

Costuma-se dizer que os espíritas se preocupam muito com a morte. Não fazem outra coisa a não ser falar sobre assuntos referentes a ela. O próprio Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita dizia: "Qualquer que seja a importância dada à vida presente, o homem não pode deixar de considerar quanto é curta e sobretudo precária, pois pode ser interrompida a cada instante e jamais ele se acha seguro do dia de amanhã. Em que se tornará depois do instante fatal? A pergunta é grave, pois não se trata de alguns anos mas da eternidade".

PORQUE O HOMEM REPELE INSTINTIVAMENTE O NADA?

Essa pergunta fez o codificador aos espíritos superiores em O Livro dos Espíritos. Ao que eles responderam prontamente: "O homem repele instintivamente o nada porque o nada não existe".

Na verdade, a origem para o sentimento instintivo da vida futura, tão presente em todas as culturas, desde eras imemoráveis, está implícita na alma do ser humano. Assim dizem os espíritos: "Antes da encarnação o espírito conhece todas essas coisas e a alma guarda uma vaga lembrança do que sabe e do que viu no estado espiritual".

Mas em muitas pessoas, incultas espiritualmente, a frieza e a violência do mundo despertam-lhes o desgosto e o pessimismo. Assim surgem os niilistas, ou seja, os que cultuam o nada como filosofia de vida.

NO MOMENTO DA MORTE

Os espíritos bemfeitores também ensinam que o sentimento dominante na maioria dos homens, por ocasião do momento da morte, são os seguintes: "A dúvida para os céticos endurecidos; o medo para os culpados; a esperança para os homens de bem".

Por outro lado, essas derradeiras impressões, nos últimos momentos da alma no corpo físico, acabam por criar-lhe um tipo de freqüência vibratória específica, ou padrão mental-emocional-espiritual, que irá acondicionar o espírito desencarnante a uma dimensão espiritual correspondente. Ou seja, esperança, serenidade e consciência de dever cumprido são características próprias para ingresso a uma dimensão espiritual elevada. Ocorre, no entanto, devido às limitações resultantes de nosso precário status evolutivo e acentuada incultura espiritual, vibrarmos sentimentos desarmonizados e infelizes, os quais aprisionam, temporariamente, o espírito em regiões inferiores para a devida adaptação às novas realidades ultrafísicas.

PENAS E RECOMPENSAS NA VIDA FUTURA

Também é evidente que o homem traz em seu íntimo a noção de penas e recompenas na vida futura. Algo como uma prestação de contas a um poder superior. Isto é ponto fundamental ao ensinamento de todas as religiões do mundo.

"Todas as nossas ações, explica Allan Kardec com base no ensinamento dos espíritos, são submetidas às leis de Deus. Não há nenhuma dessas ações, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação de suas leis. Se sofremos as conseqüências dessa violação, não nos devemos queixar senão de nós mesmos, que nos fazemos, assim, os artífices de nossa felicidade ou de nossa infelicidade futura".

Portanto, penas ou recompensas na vida futura serão sempre resultado de nossas ações deliberadamente praticadas.

A FELICIDADE DOS BONS ESPÍRITOS

Para os bons espíritos a felicidade compreende "em conhecer todas as coisas, não ter ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que fazem a infelicidade dos homens. O amor que os une é para eles a fonte de uma suprema felicidade. Não experimentam nem as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida material. São felizes com o bem que fazem. De resto, a felicidade dos espíritos é sempre proporcional à sua elevação. Somente os puros gozam, na verdade, da felicidade suprema, mas nem por isso os demais são infelizes. Entre os maus e os perfeitos, há uma infinidade de graus, nos quais os gozos são relativos ao estado moral. Os que são bastante adiantados compreendem a felicidade dos que avançaram mais que eles, e a ela aspiram, mas isso é para eles motivo de emulação e não de inveja. Sabem que deles depende alcançá-lo e trabalham com esse fito, mas com a calma da consciência pura. Sentem-se felizes de não ter de sofrer o que sofrem os maus".

O espiritismo contribuirá para a aproximação das religiões através das evidências que apresenta sobre as realidades do espírito

Allan Kardec, excepcionalmente soube antever a excelência da mensagem dos espíritos, asseverou: "O homem, tem, instintivamente, a crença no futuro; mas não tendo até hoje nenhuma base certa para defini-lo, sua imaginação produziu sistemas que o conduziram à diversidade de crenças. A Doutrina Espírita sobre o futuro, não sendo uma obra de imaginação mais ou menos engenhosamente concebida, mas o resultado da observação de fatos materiais que se desenrolam hoje sob os nossos olhos, ela unirá, como já faz agora, as opiniões divergentes ou superficiais e conduzirá, pouco a pouco, e pela força das coisas, à unidade na crença sobre esse ponto, crença que não estará mais baseada sobre uma hipótese, mas sobre uma certeza. A unificação, feita no que concerne à sorte futura das almas, será o primeiro ponto de aproximação entre os diferentes cultos, um passo imenso para a tolerância religiosa primeiro, e, mais tarde, a fusão".



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h20
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ENERGIAS ESPIRITUAIS DO SEXO

"O êxtase do santo foi, um dia, mero impulso, como o diamante lapidado gota celeste eleita para refletir a claridade divina viveu na aluvião, ignorado entre seixos brutos. Claro está que, assim como se submete o diamante ao disco do lapidário, para atingir o pedestal da beleza, assim também o instinto sexual, para coroar-se com as glórias do êxtase, há que dobrar-se aos imperativos da responsabilidade, às exigências da disciplina, aos ditames da renúncia.

Desde as mais antigas civilizações, o sexo foi considerado uma sagrada faculdade do homem e da mulher. Nele, sempre foi reverenciado o poder criador da vida e da natureza. Todas as culturas dão testemunho disso em seus ritos, mitologias, artes e tradições religiosas.

Se atentarmos para o significado de algumas palavras que expressam conotações referentes ao "sagrado" e ao espiritual, encontraremos nítidas relações com a sexualidade transcendente ou espiritual.: A palavra sacrossanto, (do latim sacrosanctu) expressão que significa "santo e sagrado", tem origem na palavra "sacro" (sacru), osso da coluna vertebral imediatamente inferior às vértebras lombares onde localiza-se o aparelho reprodutor.

A própria palavra criar, da raiz sânscrita kr significando "fazer", através do latim creare, implica produção, crescimento, dar vida. A estreita relação entre fecundidade sexual e originalidade mental fica evidente pelo uso que fazemos da palavra "criar", indicando tanto criação da vida como atividade artística. O nascimento de idéias tem analogia com o nascimento físico e empregamos a palavra "concebendo" e "concepção" em dois sentidos.

O mesmo se dá nas palavras gênesis (do latim genese e do grego genesis), ou gênio, que têm sua origem em genésico, ou genital — igualmente associados à criação e à criatividade, com raízes no sexo.

Orgasmo: vocábulo encontrado no português, através do latim, a partir de duas raízes gregas estreitamente relacionadas: orgio, um rito sagrado, sacrifício, cerimônia que fazia parte dos antigos mistérios greco-romanos realizados nos festejos de Dionisio ou Baco; o que derivou nossa expressão "orgia", e orgasio, que significa "crescer", "inchar" de ardente desejo, paixão, enlevo — superdimensionamento da sensação — culminando no êxtase interior.

Venerar: associado ao sânscrito van, amar ou honrar, porém tomado diretamente do latim vener, reverenciar, amar. "Venerável", "venéreo" e "Vênus" (a deusa romana do amor) também são palavras relacionadas, oriundas do latim. Venerar significaria reconhecer os órgãos sexuais como objetos verdadeiramente merecedores de nossa adoração e respeito.

Todas essas expressões eram usadas na linguagem mística dos mistérios das antigas religiões e tinham profundo significado espiritual para os seus adeptos e iniciados. Na verdade, a energia criadora do sexo faculta no homem e na mulher os mais elevados sentimentos e pensamentos, expande as percepções da alma ao amor incondicional, às dimensões do espírito, das ciências e das artes.

Obviamente, toda essa linguagem simbólica se degenerou, perdeu-se, banalizou-se. Com o tempo, esses elevados conceitos se perderam e o sexo passou a ser motivo de "perdição" e "pecado". As trevas da Idade Média reprimiram-no totalmente.

E hoje, sob o pretexto de liberação sexual tornou-se motivo de desequilíbrio e quedas morais escabrosas.

SEXO E CASAMENTO

Também o espiritismo reconhece na sexualidade seu caráter divino e espiritual. Compreende a importância de sua sagrada função de perpetuação da espécie, bem como a necessária complementação emocional que proporciona aos seres, constituindo-se, assim, essencial atributo do espírito imortal.

Allan Kardec, em sua obra, O Livro dos Espíritos, abordou a questão da sexualidade enfatizando o casamento, conforme orientação dos espíritos superiores, como a condição ideal de equilíbrio e sustentação para a sexualidade humana, considerando o seu aspecto físico-espiritual: "A união livre e fortuita dos sexos pertence ao estado da natureza. O casamento é um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos os povos, embora nas mais diversas condições. A abolição do casamento seria, portanto, o retorno à infância da humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de alguns animais que lhe dão o exemplo das uniões constantes".

PREDOMINANCIA DO CORPO SOBRE A ALMA

Uma pergunta interessante de Kardec aos espíritos superiores, muito oportuna aos nossos dias, encontra-se na questão 694, de O Livro dos Espíritos. Pergunta o codificador: "Que pensar dos usos que têm por fim deter a reprodução, com vistas à satisfação da sensualidade". Ao que eles respondem: "Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e o quanto o homem está imerso na matéria".

POLIGAMIA OU MONOGAMIA?

A inversão de valores de nossos dias confunde a muitas pessoas. Mas o espiritismo vem falar da lei divina, que é imutável e para a qual o homem deve aprender a conformar sua conduta, a fim de evitar o sofrimento desnecessário.

Mas, em se tratando de comportamento sexual, qual seria a atitude mais conforme à lei natural: a poligamia ou a monogamia? Para os espíritos "a poligamia é uma lei humana, cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há verdadeiramente afeição: não há mais do que sensualidade".

O codificador ainda enfatiza: "Se a poligamia estivesse de acordo com a lei natural devia ser universal, o que, entretanto, seria materialmente impossível em virtude da igualdade numérica dos sexos. A poligamia deve ser considerada como um uso ou uma legislação particular apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamento social fará desaparecer pouco a pouco".

E O CELIBATO VOLUNTÁRIO?

"Seria o celibato voluntário um estado de perfeição, meritório aos olhos de Deus?" pergunta o codificador aos espíritos. Respondem eles: "Não, e os que vivem assim, por egoísmo, desagradam a Deus e enganam a todos".

No entanto, é diferente quando o celibato é um ato de sacrifício para algumas pessoas que desejam devotar-se mais inteiramente ao serviço da humanidade. Afirmam os espíritos a este respeito: "Todo sacrifício pessoal é meritório, quando feito para o bem e sem egoísmo. Quanto maior o sacrifício, maior o mérito.

DIRECIONAMENTO CONSCIENTE DA ENERGIA FÍSICO-ESPIRITUAL DO SEXO

Nos difíceis dias de hoje, o espiritismo vem para nortear o sentimento e os valores morais do ser humano em prova na Terra, restituindo-lhe o bom senso, esclarecendo-lhe o raciocínio.

Portanto, ao compreender o homem a si mesmo como um ser espiritual, revestido das mais gloriosas potencialidades, com vistas à imortalidade, saberá entender e a sentir o valor, a responsabilidade perante si e ao próximo e, sobretudo, a orientação de luz ou de treva, para a qual direciona a energia físico-espiritual do sexo.



Escrito por EDUARDO BARROS às 07h33
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