O DIVÓRCIO E A FAMÍLIA ESPIRITUAL
"Nem a lei civil, nem os compromissos que ela faz contrair, podem suprir a lei do amor se esta lei não preside a união de dois seres. Disso resulta que, freqüentemente, o que se une à força, se separa por si mesmo; que o juramento que se pronuncia ao pé do altar torna-se um perjúrio se dito como uma fórmula banal. Daí as uniões infelizes, que acabam por tornar-se criminosas. Dupla infelicidade que se evitaria se, nas condições do casamento, não se fizesse abstração da única lei que o sanciona aos olhos de Deus: a lei do amor".
Para podermos avaliar com profundidade a problemática do divórcio, é necessário analisarmos os aspectos espirituais da família. Afinal, o que significa a instituição da família dentro das leis do Criador?
E encontramos em O Evangelho segundo o Espiritismo um interessante ponto de vista a este respeito, compilado por Allan Kardec, conforme instruções recebidas pelos espíritos superiores que o assessoraram durante sua missão em codificar a Doutrina Espírita.
"Há duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais, e as famílias pelos laços corporais. As primeiras, duráveis, se fortalecem pela depuração, e se perpetuam no mundo dos espíritos, através de diversas migrações da alma. As segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e, freqüentemente, se dissolvem moralmente, desde a vida atual".
Com essa explicação dos espíritos, começamos a perceber a solidez ou a inconsistência dos relacionamentos familiares.
A LEI DIVINA E A LEI HUMANA
Presenciamos a cada dia o divórcio tornar-se a solução encontrada para casamentos realizados sem vínculos espirituais, concretizados à base de interesses mundanos —verdadeiros negócios— ou naqueles alicerçados nas ilusões dos sentidos.
Estes casais, naturalmente dão maior importância às transitórias leis humanas, pois desconhecem, na intimidade de seus corações, a imutável lei do amor. Esclarece o codificador: "Na união dos sexos, Deus quis que os seres estivessem unidos não somente pelos laços da carne, mas pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se transportasse para seus filhos, e que eles fossem dois, em lugar de um, a amá-los, a cuidar deles e fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, foi levada em conta essa lei de amor? De nenhum modo. O que se consulta não é a afeição de dois seres que um mútuo sentimento atrai um para o outro, uma vez que, o mais freqüentemente, se rompe essa afeição. O que se procura não é a satisfação do coração, mas a do orgulho, da vaidade e da cupidez, numa palavra, de todos os interesses materiais. Quando tudo está bem segundo esses interesses, diz-se que o casamento é conveniente, quando as bolsas estão bem combinadas diz-se que os esposos o estão igualmente, devem ser bem felizes."
O DIVÓRCIO SEPARA O QUE JAMAIS ESTEVE UNIDO
"O divórcio é uma lei humana", continua Kardec, "que tem por fim separar legalmente o que está separado de fato. Não é contrária à lei de Deus, uma vez que não reforma senão o que os homens fizeram e é aplicável senão nos casos em que não se levou em conta a lei divina".
Contudo, a espiritualidade superior insiste em dizer que a separação deve ser o último recurso, por ser uma medida extrema. Afinal, o casamento na Terra, na grande maioria das vezes, tem por finalidade atenuar desafetos, resgatar débitos mutuamente contraídos entre os cônjuges envolvidos.
Para os casais que não tiveram outra alternativa senão a separação e continuam se degladiando como se estivessem juntos, o perdão é de importância fundamental, pois além de atenuar o próprio débito cármico, minimiza o sofrimento dos filhos.
UM RELACIONAMENTO DE AMIZADE ENTRE O CASAL DIVORCIADO AMENIZA O SOFRIMENTO DOS FILHOS
Se não foi possível conviver bem dentro da união conjugal, o melhor caminho é construir um relacionamento de amizade, porque as crianças de pais separados continuam ansiando a harmonia do casal, ainda que fisicamente eles não estejam mais juntos.
Citações: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec Tradução: J. Herculano Pires Edição: EME Editora O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec Tradução: Salvador Gentile Edição: Instituto de Difusão Espírita
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h15
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SEPARAÇÃO
Quando as dificuldades de convivência do casal ficam insuportáveis, pode ocorrer uma decisão, combinada ou judicial, de separação. Consideremos a questão sob dois aspectos: o dos motivos e o das conseqüências.
Vários fatores concorrem para uma separação, desde os bem simples, filhos de uma notável futilidade, até os mais graves, como agressão física e tentativa de assassinato. Em qualquer caso as pessoas sempre relutam por um rompimento permanente, por medo de se arrependerem, sendo até bem comum o caso em que, após a separação, o casal continua a se ver como se pouco houvesse acontecido, prosseguem se relacionando, até sexualmente e podem terminar voltando a recompor o lar. Mas, quando há rancor demorado e curtido, quase sempre a separação é difícil e definitiva.
Podemos estabelecer dois casos para uma separação indubitável: quando há outro amor no permeio e quando aconteceu um esgotamento do matrimônio. No primeiro caso a decisão de ruptura pode ser do cônjuge vitimado, por sentir rejeição e humilhação. A instrução espírita, aqui, é a de que se agüente até o fim, sem rompimento. Cornélio Pires, no livro Diálogo dos Vivos, insiste com muita competência: "Se você suporta provas, / Nas lutas da parentela, / Em qualquer dificuldade / Mais vale agüentar com ela".
E se a mulher for suficientemente espiritualizada, irá suportar qualquer coisa, até maus tratos físicos, vencendo uma prova difícil, sim, mas que foi assumida anteriormente. É por isso que o nosso Cornélio Pires traça este jocoso desafio: "Caridade que conheço / E do mais alto sentido, / É a da esposa que apanha / Sem reclamar do marido". A idéia é a de dar ênfase no valor do sacrifício e na certeza da vida além deste plano.
Quando a decisão parte do cônjuge que achou outro par, não há nada que possamos e devamos fazer. O melhor mesmo é deixá-lo seguir, sem censura e sem mágoa. Sua escolha deve ser respeitada. Afinal, de que nos adiantaria reter uma pessoa que não nos quer? Isso, sim, seria autorejeição e desamor próprio. Sabe qual é a definição psicológica de amor? Uma pessoa está amando quando deixa a outra livre para fazer todas as suas escolhas, independentemente de nosso agrado ou não. O casamento não é uma providência capaz de obrigar os outros a fazerem o que não querem e nós jamais deveríamos tentá-lo, sem padecer enorme humilhação e falta de compostura e dignidade.
O esgotamento do matrimônio é mito mais comum do que se supõe e decorre, de um lado, da pequena capacidade das pessoas para suportarem dificuldades e, de outro, da grande incompetência para se comunicarem. Estes os dois grandes males. Não estão, é evidente, na união e, sim, no ser humano, muito pequeno e atrasado ainda... Por pouca coisa produzem desagrados desnecessários e inteiramente evitáveis que infelicitam e provocam, justamente a quem também não está preparado para suportar. Muitos casais afirmam que seus problemas são tão grandes que não há qualquer possibilidade de solução fora do rompimento. Só que isso não pode ser verdade. Jesus disse que o fardo nunca será mais pesado do que nossos ombros conseguem suportar. O que acontece é mesmo a falta de preparo.
Antes de se casarem as pessoas deveriam fazer um curso no qual pudessem aprender as normas indispensáveis de uma convivência necessária, que pode ser melhor ou pior, dependendo de cada um. Aí ficariam estabelecidas as responsabilidades, os direitos e os deveres recíprocos. Emmanuel bem o grava quando diz: "Se temos um cônjuge problema é a nossa oportunidade de aprendermos a ser tolerantes e pacientes. É a nossa oportunidade de redenção".
É natural que a convivência produza desgastes no afeto e na estima, reduz a atração física e promova facilidade para o aparecimento dos defeitos alheios. Se houvesse uma previsão para isso, com a firme decisão de não permitir a separação, a não ser em casos dramáticos e finais, seria muito mais fácil superarem-se as desinteligências e os dissabores naturais de cada dia. Mas sem estudo específico, as pessoas, infelizmente, a maioria, não pensa assim e por pouca coisa, toca a julgar-se vítima inocente, partindo para o acerto das contas.
Analisemos agora o campo das conseqüências. Separações por motivos fúteis geram percalços e dores muito maiores do que os da situação anterior. O plano traçado no Além não foi casual nem irresponsável. É certo que contém dificuldades, que fazem parte da purgação necessária para a nossa elevação, mas precisa ser cumprido por aqui.
Ao fugir-se da dor suposta, que o casamento trazia, cai-se numa dor maior - o desrespeito aos compromissos assumidos, a perda de oportunidade para uma evolução mais rápida e mais fácil. É por isso que a regra boa mesmo é agüentar, haja o que houver...
Muitas pessoas diante de infortúnios matrimoniais correm em busca de soluções artificiais, sobrenaturais, espirituais. Vão afoitas, desprotegidas e desinformadas, em busca de qualquer paliativo, pagando supostas soluções a peso de ouro, como sempre fizeram com as coisas materiais. Quando não esbarram com charlatães, que enrolam para extrair dinheiro fácil, costuma cair nas mãos de pessoas incultas, por vezes até bem intencionadas, que procuram ajudar com soluções mirabolantes e ineficazes, é claro.
Como poderiam burlar a lei divina de Causa e Efeito? Pois, se a pessoa planta incompreensão, colhe tormento, é claro. Quando os curadores não são bem intencionados, exploram, desavergonhadamente, enquanto podem. Com isso, as vítimas pagam o alto preço do aprendizado difícil, aquele feito por meio do sofrimento.
Não é garantido que os mal casados desistam, algum dia, de procurar soluções externas. Mas, depois de muito apanharem, por vezes, interrompem a procura, sem perder a esperança... A ajuda espírita é dada pelo entendimento da finalidade da vida na Terra e da importância da família. Além disso, existe o conhecimento sobre si mesmo, a descoberta da nossa imaturidade. Isso pode ajudar muito.
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h33
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ADULTÉRIO
Todos nós vivemos em uma sociedade organizada, sujeita a regras de procedimento, úteis e necessárias para facilitar a vida e permitir a coexistência agradável. São as NORMAS de conduta. Por serem havidas como indispensáveis, são ensinadas desde a infância e acabam absorvidas e interiorizadas para nortear o comportamento civilizado. De outro lado existem os IMPULSOS naturais, os instintos do ser humano, tais como a agressividade, a sexualidade, etc, que não conhecem, não aceitam e nem seguem normas.
Diante de uma situação antagônica o homem entra em conflito. Faz parte de sua essência viver dividido entre as normas e os impulsos, sendo muita ilusão pensar que só será feliz quando seus conflitos terminarem. Precisa é saber administrá-los e isso não consegue sem conhecimento e exercitamento, coisa que não faz sem ajuda.
Um dos problemas mais importantes no desajustamento comum do homem é que ele encara de forma patológica um impulso que é normal. Exemplo constante é o da agressividade que a cultura ensinou tratar-se de algo ruim, mas este impulso, que tem a finalidade de mobilizar o ser paralisado pelo medo, existe em nós para ajudar a estabelecer limites e para defender. Há necessidade de requalificá-lo, pois ele é apenas neutro. Seu resultado é que pode ser mau ou bom.
Com o impulso sexual é a mesma coisa, é neutro, podendo apresentar resultados bons e maus conforme a direção que lhe é imprimida. Conquanto já tenha tido uma boa requalificação em várias partes do mundo civilizado, ainda padece de má interpretação nos países de terceiro mundo onde é visto de três diferentes maneiras:
1) Emoção de segunda classe, um mal, portanto, mas necessário considerando a reprodução. O normal e correto é reprimi-lo.
2) Diferenciação entre mulher e homem, estabelecendo normas masculinas e normas femininas. Claro que a moral vigente diz que, em termos de direitos, homens e mulheres são iguais. Mas, os homens são muito mais iguais! Deles se espera uma vida sexual intensa e precoce, que começa aos doze, treze anos. Se não acontece nesta idade, a família fica ansiosíssima com a possibilidade de o garoto vir a tornar-se homossexual, pelo que, passam a tomar várias providências de provocação. E o que se espera da mulher? Que fique virgem e casta até o casamento e ai da moça que faz o contrário... Ela tem de ser assexuada até o casamento e, então, transformar-se numa messalina. Nesse contexto se tem um rapaz que aprendeu a não ter sexo com a pessoa que ama e uma garota que não aprendeu a ter sexo de jeito nenhum. Benze-se as alianças e jogam os dois numa aventura chamada lua-de-mel. Eles vão ter, a duras penas, de aprender a praticar uma ação altamente emocional, buscando o prazer a que ambos têm direito. Não pode dar certo.
3) Sexo tabu, ninguém pode falar, é vergonhoso, é proibido. O aprendizado é feito na rua, de modo errado e perverso. Talvez, um dia, alguém ensine alguma coisa porque a escola também não ensina. Com as moças é pior ainda. Um dia, talvez, uma tia tenha uma conversa com ela, na véspera do casamento, talvez...
Mas, as coisas já mudaram em várias partes do mundo e estão mudando por aqui. O que houve? Por que mudou? Não foi porque a humanidade tenha amadurecido ou adiantado espiritualmente. Mudou por uma razão econômica. Mudou porque aconteceu uma coisa chamada Revolução Industrial! Mas este é outro assunto.
Uma das características do impulso sexual é o fato de que requer novidade. Significa que, após algum tempo de vida sexual, tanto o homem quanto a mulher podem começar a sentir atração por pessoas diferentes de seu par. É natural do instinto e, portanto, não é patológico. Não pode e não deve ser mal avaliado. É como alguém que resolve fazer regime por motivo de saúde ou por estética. A decisão de entrar na dieta não anula a fome, não faz com que a pessoa não sinta vontade de comer.
Da mesma forma a fidelidade conjugal não anula o desejo por outrem. Acontece que em nossa cultura os casais fazem um contrato de fidelidade, não por escrito e nem, ao menos, verbalizado, mas elaboram uma expectativa de ambos que sejam fiéis, isto é, sexualmente exclusivos.
Mas, ao cumprirem o contrato frustram o instinto e entram em conflito. Por que, então, persiste a fidelidade? Pelas compensações que existem: - o prazer de ver o outro feliz; - o prazer de estar de acordo com os próprios princípios; - a fidelidade que recebe em troca; - a sensação de estar construindo um vínculo sólido e prazeroso; - a suposição de estar de acordo e agradando os bons espíritos assistentes, etc.
Mas, com tudo isso, ainda vão sentir desejo extraconjugal. E, se não se inculpam pela fome durante um regime, também não devem censurar-se por causa do desejo. Fidelidade não é obrigação, é escolha. Pode ser a causa de muita satisfação, mas também pode produzir muita frustração. Um autor comparou, pitorescamente, a fidelidade a algo menos estimulante do que uma salada de chuchu temperada com água.
No Brasil a prática sexual tem sido feita dos dois modos possíveis, o legal e o ilegal ou dentro do casamento, com a aprovação e beneplácito de todos ou fora dele, com a desaprovação, a censura e a condenação geral. Este sistema facilita a entronização da hipocrisia, pois, os mesmos que condenam são, muitas vezes, os próprios participantes ocultos da infração.
O adultério pode ser definido, segundo Millôr Fernandes, como a quebra do contrato vitalício, civil ou religioso, com substituição de sócio, sem aviso prévio. Além de curiosa essa interpretação é bem verdadeira. Haveria apenas uma pequena restrição à substituição de sócio. O que mais se vê não é isso e, sim, uma variante de utilização de sócio.
Eu próprio costumo conceituar o adultério como uma quebra do contrato de exclusividade sexual, porque o sócio indisciplinado, quando não descoberto, continua atuando na empresa como se nada houvesse ocorrido de anormal.
Quando descoberto e penalizado, costuma adotar vários tipos de medidas defensivas: - defesa com negação absoluta e acusação de excesso de desconfiança; defesa sem negação da ocorrência, mas com denúncia de insuficiência, defeito ou problema por parte do outro sócio; defesa com aceitação da crítica e auto-acusação de desvalor e inferioridade; defesa com acusação de que o casamento acabou e que é melhor a separação.
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h38
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CASAMENTO: PROGRESSO NA MARCHA EVOLUTIVA DA HUMANIDADE
"Os pais assumem desde antes do berço com aqueles que receberão na condição de filhos compromissos e deveres que devem ser exercidos, desde que serão, também, por sua vez, meios de redenção pessoal perante a consciência individual e a Cósmica que rege os fenômenos da vida, nos quais todos estamos mergulhados".
Ao codificar O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta aos espíritos superiores que o auxiliavam se o casamento, ou a união de dois seres, seria contrária à lei natural. Os espíritos respondem que não. Ao contrário, "é um progresso na marcha evolutiva da humanidade", afirmam. O codificador insiste: Qual seria o efeito da abolição do casamento na sociedade humana? "Seria o retorno à vida animal", esclarecem os espíritos.
OS CINCO TIPOS DE CASAMENTOS:
Em análise feita às comunicações dos espíritos, referentes a casamentos infelizes, Martins Peralva classifica em cinco os tipos de casamentos.
1.- CASAMENTOS ACIDENTAIS
É o encontro de almas inferiorizadas sem ascendentes espirituais. Caracterizam-se pela falta de ligação afetiva. A aproximação dá-se através dos impulsos inferiores do casal e o relacionamento é desprovido de simpatia ou antipatia. Esses casamentos ocorrem em grande número e, segundo Peralva, podem até dar certo, pois é possível os cônjuges se adaptarem um ao outro, consolidando a união no tempo.
2.- CASAMENTOS PROVACIONAIS
É o encontro de almas inferiorizadas com o objetivo de se reajustarem. É o tipo mais comum. Por haverem contraído débitos cármicos mútuos, a Providência Divina utiliza-se da união conjugal para o necessário ressarcimento.
3.- CASAMENTOS SACRIFICIAIS
São raros e caracterizam-se pelo encontro de uma alma iluminada com uma alma inferiorizada, tendo por fim reconduzi-la ao bem. Um exemplo desta categoria é o de Lívia com o senador Publio Lêntulus, transcrito no livro Há Dois Mil Anos. O senador, embora evoluído intelectualmente, era moralmente inferior à Lívia, devido ao seu orgulho.
4.- CASAMENTO DE ALMA AFINS
É o encontro de almas amigas com objetivo de consolidar afetos. Neste tipo de casamento não ocorrem separações e ambos buscam juntos aprimorar o amor que já nutrem um pelo outro.
5.- CASAMENTOS TRANSCENDENTES
Muito raros. É o encontro de almas iluminadas com objetivos elevados para trabalharem juntas com fins altamente construtivos. Um exemplo de casamento transcendente é o do próprio Allan Kardec com Amélie-Gabrielle Boudet, que embora seu nome não seja citado na Codificação, sua participação e apoio na vida de Kardec foram fundamentais para o cumprimento de sua missão.
O espiritismo nos esclarece, portanto, que a instituição do casamento é uma importante oportunidade concedida pela Misericórdia Divina para o aperfeiçoamento de nosso espírito —e também dos espíritos de nossos familiares— na jornada ascensional de nossa evolução.
* * *
José Luiz Vieira Centro Espírita Vicente de Paulo - CEVIP, Mirassol-SP
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h34
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RAZÃO ESPIRITUAL DAS DESIGUALDADES HUMANAS
"A tumba é lugar de encontro de todos os homens, nela se findam impiedosamente todas as distinções humanas. É em vão que o rico tenta perpetuar a sua memória por meio de faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como aos seus próprios corpos. Assim o quer a Natureza. A lembrança das suas boas e más ações será menos perecível do que seu túmulo. A pompa dos funerais não o lavará de suas torpezas e não o fará subir sequer um degrau na hierarquia espiritual." —Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos
É comum a maioria das pessoas interpretarem as grandes desigualdades morais e sociais da humanidade como uma enorme ironia do destino e do acaso. No entanto, nossa visão se aclara, quando estudamos os ensinamentos contidos na Doutrina Espírita.
"Todos os homens são iguais perante Deus e Suas leis. Todos tendem para o mesmo fim e o Criador fez as Suas leis iguais para todos". Assim enfatizam os espíritos superiores.
A EVOLUÇÃO É UMA LINHA ASCENDENTE QUE RESULTA DO LÍVRE-ARBÍTRIO DO ESPÍRITO E SE PROCESSA ATRAVÉS DA SOLIDARIEDADE DOS MUNDOS
Para entendermos as desigualdades de aptidões entre os homens é necessário compreendermos o conceito de evolução, ou seja, os diferentes níveis de maturidade espiritual entre os seres. A evolução é uma linha ascendente que resulta do livre arbítrio do espírito em jornada e se processa, multidimensionalmente, através da solidariedade dos mundos, o que ressalta a importância do tempo e do esforço de cada um.
Lemos em O Livro dos Espíritos que "os espíritos foram criados todos iguais, mas cada um deles viveu mais ou menos tempo, e por conseguinte realizou mais ou menos aquisições. A diferença está no grau de experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio: daí decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes dá aptidões diversas".
Para a nossa limitada capacidade de interpretar as grandes questões cósmicas, vemos nas desigualdades de aptidões motivo de revoltas, lutas e todo tipo de sofrimentos e frustrações. Mas com a ótica espírita, a realidade é bem outra, de acordo com o que ensinam os espíritos a Kardec: "A mistura de aptidões é necessária a fim de que cada um possa contribuir para os desígnios da Providência, nos limites do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, o outro faz, e é assim que cada um tem a sua função útil. Além disso, todos os mundos sendo solidários entre si, é necessário que os habitantes dos mundos superiores, na sua maioria criados antes do vosso, venham habitar aqui para vos dar exemplo".
A CARIDADE É O LAÇO QUE UNE OS DIFERENTES GRAUS DE DESENVOLVIMENTO
Allan Kardec, por sua vez, após meditar sobre essas importantes verdades, concluiu: "Deus não criou a desigualdade das faculdades do homem, mas permitiu que os diferentes graus de desenvolvimento se mantivessem em contato a fim de que os mais adiantados pudessem ajudar os mais atrasados a progredir. E também a fim de que os homens, necessitando uns dos outros, compreendam a lei de caridade que os deve unir."
Temos assim, mais um importante conceito espírita, o da excelência da caridade.
MAS, E AS DESIGUALDADES SOCIAIS E DAS RIQUEZAS?
Essas desigualdades não são decorrentes da lei natural. São obras dos homens e não de Deus. "Essas desigualdades desaparecerão juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando tão somente a desigualdade do mérito. Chegará um dia em que os membros da grande família dos filhos de Deus não mais se olharão como de sangue mais ou menos puro, pois somente o Espírito é mais puro ou menos puro, e isso não depende da posição social."
Kardec, questionando os espíritos sobre homens que abusam da superioridade de sua posição social para oprimir o fraco em seu proveito, obtém a seguinte resposta: "Infelizes deles!", lamentam os espíritos superiores, "serão oprimidos por sua vez e renascerão numa existência em que sofrerão tudo o que fizeram sofrer." Aí, na lei, está a "Pena de Talião".
PROVAS DA RIQUEZA E DA MISÉRIA
De acordo, ainda, com o ensinamento dos espíritos superiores, Deus concedeu a uns a riqueza e o poder e, a outros, a miséria, "para provar a cada um de maneira diferente". Esclarecem também que "essas provas são escolhidas pelos próprios espíritos, que muitas vezes sucumbem ao realizá-las".
Informam que tanto as provas da desgraça quanto as da riqueza são perigosas para o homem. "A miséria provoca a lamentação contra a Providência, a riqueza leva a todos os excessos".
Interessante colocação dos espíritos é a de que a igualdade absoluta das riquezas não é possível na Terra, pois a diversidade das faculdades e dos caracteres se opõe a isso. O que contraria alguns regimes sócio-político-econômicos, normalmente implantados à força e a preço de violência e sangue. Ao que alertam os espíritos: "Combatei o egoísmo, pois essa é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras".
PODE A SOCIEDADE SER RESPONSABILIZADA PELAS PESSOAS QUE CAEM NAS PRIVAÇÕES E NA MISÉRIA?
De acordo com os espíritos superiores, sim. "A sociedade é sempre a causa primeira dessas faltas, pois não lhe cabe velar pela educação moral de seus membros? É freqüentemente a má educação que falseia o critério dessas pessoas, em lugar de aniquilar-lhes as tendências perniciosas".
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h01
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PERDA DE ENTES QUERIDOS
"Entre os seres que se amam na Terra, o que parte primeiro foi o primeiro a se libertar e devemos felicitá-lo por isso, esperando com paciência o momento em que também nos libertaremos".
Referindo-se à perda de entes queridos, ocasionada pela morte do corpo físico, explica-nos Allan Kardec, o codificador do espiritismo:
"A Doutrina Espírita, pelas provas patentes que nos dá quanto à vida futura, à presença ao nosso redor dos seres aos quais amamos, à continuidade da sua afeição e da sua solicitude, pelas relações que nos permite entreter com eles, nos oferece uma suprema consolação, numa das causas mais legítimas de dor. Com o Espiritismo, não há mais abandono. O mais isolado dos homens tem sempre amigos ao seu redor, com os quais pode comunicar-se".
O ESPÍRITO É SENSÍVEL A LEMBRANÇA E AS LAMENTAÇÕES DAQUELES QUE AMOU
O Espiritismo nos ensina que as dores inconsoláveis dos que ficam na Terra afetam o espírito que partiu, uma vez que ele é sensível à lembrança e às lamentações daqueles que amou. "Uma dor incessante e desarrazoada o afeta penosamente, porque ele vê nesse excesso uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus, e por conseguinte um obstáculo ao progresso e talvez ao próprio encontro com os que deixou", explicam os espíritos superiores em O Livro dos Espíritos.
A PRECE AUXILIA OS QUE PARTIRAM
Conforme orientam todas as religiões, também o espiritismo recomenda a prece pelos nossos entes queridos que deixaram a Terra. Para os que acabaram de falecer não têm somente a finalidade de lhes dar um testemunho de simpatia, mas têm ainda por efeito ajudar o seu desligamento e, com isso, abreviar o despertar mais calmo. "Mas aí ainda", ensina-nos Allan Kardec, "como em outra circunstância, a eficácia da prece estará na sinceridade do pensamento e não na abundância de palavras ditas com mais ou menos pompa, nas quais freqüentemente, o coração não toma parte. As preces que partem do coração ressoam em torno do espírito, cujas idéias são ainda confusas, como as vozes amigas que vêm nos tirar do sono.
UMA PRECE
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos no cap XXVIII, item IV, em Preces por Aqueles que Não Estão Mais na Terra, exemplos de como nos dirigirmos, através da oração, àqueles a quem guardamos afeição:
N... vindes de reentrar no mundo dos espíritos, e entretanto estais aqui presente entre nós; vede-nos e nos ouvis, porque não há de menos entre nós e vós senão o corpo perecível que vindes de deixar e que logo será reduzido a pó. Deixaste o grosseiro envoltório sujeito às vicissitudes e à morte, e não conservastes senão o envoltório etéreo, imperecível e inacessível aos sofrimentos. Se não viveis mais pelo corpo, viveis da vida dos espíritos, e essa vida é isenta das misérias que afligem a humanidade. Não tendes mais o véu que oculta aos nossos olhos os esplendores da vida futura; podeis, de hoje em diante, contemplar novas maravilhas, ao passo que nós estamos ainda mergulhados nas trevas. Ides percorrer o espaço e visitar os mundos de inteira liberdade, ao passo que nós rastejamos pesadamente sobre a Terra, onde nos retém nosso corpo material, semelhante para nós a um pesado fardo. O horizonte do infinito vai se desenrolar diante de vós, e, em presença de tanta grandeza, compreendereis a vaidade dos nossos desejos terrestres, das nossas ambições mundanas e das alegrias fúteis das quais os homens fazem as suas delícias. A morte não é, entre os homens, senão uma separação material de alguns instantes. Do lugar de exílio, onde nos retém ainda a vontade de Deus, assim como os deveres que temos a cumprir neste mundo, nós vos seguiremos pelo pensamento até o momento em que nos será permitido nos reunirmos a vós, como estais reunido com aqueles que vos precederam. Se não podemos ir perto de vós, podeis vir perto de nós. Vinde, pois, entre aqueles que vos amam e que amastes; sustentai-os nas provas da vida; velai sobre aqueles que nos são caros, protegei-os segundo o vosso poder, e abrandai seus pesares pelo pensamento de que estais mais feliz agora, e a consoladora certeza de estarem um dia reunidos a vós num mundo melhor. No mundo em que estais, todos os ressentimentos terrestres devem se extinguir. Para vossa felicidade futura, de hoje em diante, que possais a eles ser inascessível. Perdoai, pois, àqueles que procederam mal para convosco, como vos perdoam os que podeis ter procedido mal para com eles.
O espiritismo ainda explica, quando se trata de uma criança, que não é um espírito de criação recente, mas que já viveu e pode estar muito avançado. Se a sua última existência foi curta, é que ela não era senão um complemento de prova, ou devia ser uma prova para os pais.
Escrito por EDUARDO BARROS às 06h44
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CONCEITUAÇÃO ESPÍRITA SOBRE O BEM E O MAL
"As circunstâncias dão ao bem e ao mal uma gravidade relativa. O homem comete, freqüentemente, faltas que, mesmo decorrentes da posição em que a sociedade o colocou, não são menos repreensíveis; mas que o responsabilizam na razão e nos meios que ele tiver para compreender o bem e o mal. É assim que o homem esclarecido que comete uma simples injustiça é mais culpável aos olhos de Deus que o selvagem que se entrega aos instintos".
Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos
O que caracteriza a Doutrina Espírita e a torna facilmente assimilável é a sua objetividade. Pode-se dizer que o Espiritismo é uma doutrina de síntese. Avessa à elocubrações teólogo-filosóficas estéreis, ela vai direto ao coração através do raciocínio e do bom senso. Sua mensagem é convincente, satisfaz os mais básicos anseios existenciais do ser humano.
Para os espíritos superiores não há como abordar a questão do bem e do mal sem enfatizar a moral, que é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Por sua vez, a moral funda-se na observação da lei de Deus. O homem se conduz bem quando faz tudo tendo em vista o bem e para o bem de todos, porque então observa a lei de Deus, ensinam eles.
Assim, a tão complicada questão do bem e do mal, que tantas controvérsias interpretativas ainda traz, sobretudo às esferas da religião e da filosofia, perde seu sentido paradoxal na clareza do ensinamento dos espíritos superiores. O bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei, ensinam os espíritos a Allan Kardec.
Não há margem para dubiedade: Jesus vos disse: vede o que quereríeis que vos fizessem ou não; tudo se resume nisso. Assim não vos enganareis enfatizam. E com isso, alicerçam o fundamental conceito espírita de ação e reação, o que nos possibilita compreender o funcionamento das leis de justiça divina. Para o espiritismo a criatura não é punida nem é recompensada por Deus, mas sim, colhe aquilo que espontaneamente semeou, através de sua conduta e suas obras, conforme muito bem explicou Jesus.
Por que o mal se encontra na natureza das coisas?
Pergunta profundamente filosófica esta de Kardec aos espíritos que o assessoravam durante a compilação de O Livro dos Espíritos. E eles respondem: Já te dissemos: os espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É necessário que o espírito adquira experiência e para isto é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis porque existe a união do espírito e do corpo.
Os espíritos ainda esclarecem que o mal depende, sobretudo, da vontade que se tenha em fazê-lo e que o homem é tanto mais culpado quanto melhor sabe o que faz.
NÃO BASTA NÃO FAZER O MAL; É PRECISO FAZER O BEM
Outro conceito importante, na questão do bem e do mal, é a de que não é suficiente apenas deixarmos de fazer o mal para nos mostrarmos agradáveis a Deus, tentando assegurar uma situação futura. É preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.
Mas este conceito ainda vai além, como um roteiro seguro para a nossa jornada evolutiva na Terra. Enfatizam os espíritos: Não há ninguém que não possa fazer o bem; somente o egoísta não encontra jamais ocasião de praticá-lo. É suficiente estar em relação com outros homens para se fazer o bem e cada dia da vida oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo, porque fazer o bem não é apenas ser caridoso, mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário.
Portanto, a proposta do espiritismo é a mesma de Jesus: resgatar os homens de sua imersão profunda nas espessas sombras do mal, através da prática corajosa e assídua do bem.
Citações: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec Tradução: J. Herculano Pires Publicação: Editora EME O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec Tradução: Salvador Gentile Publicação: Instituto de Difusão Espírita - IDE
Escrito por EDUARDO BARROS às 07h06
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